Nos Passos de Magalhães - Argentina, Chile, Patagônia AR e CH,

Diário de bordo da Expedição "Nos Passos de Magalhães", realizada entre 27 de Novembro de 2009 e 06 de Janeiro de 2010.

Inicia-se hoje o relato de nossa aventura.

Para fazer os relatos dia após dia, não irei usar de nenhuma metodologia específica para a descrição dos eventos, até mesmo porque em viagem você não dispõe de muito tempo e de condições ideais de transmissão de dados. Ao final de cada percurso ou do dia, as idéias irão aflorando e dependendo do desgaste físico desse pseudo rally, eu irei postando em nosso diário.

Também, não obstante, ter na relação um público específico do 4x4, não vou procurar relatar tão tecnicamente as reações de meu veículo (Nissan Atack 2006). Tal procedimento será adotado para que todos venham a entender o que está acontecendo

Pode ser também que não tenha oportunidade de dar notícias todos os dias. Isso dever-se-á a dificuldade de internet nos locais ermos em que estivermos localizados.

Mas vamos ao que interessa:

 

1º Dia (27 de novembro):

  • Saímos de Vitória às 15h00min horas em ponto conforme previsto. O odômetro marcava 70007. Ao final da expedição iremos ver quantos kilometros serão percorridos. 
  • A viagem até a cidade de Campos dos Goytacases muito tensa. Provavelmente este será o trecho mais perigoso da viagem. Vimos 2 acidentes nesses 240 km. Levamos 3 horas de viagem.
  • De Campos até Rio Bonito, foram mais 3 horas e ao chegar ao hotel (21h00min horas), hotel este pesquisado na Internet (Hotel Ximenes) constatamos que não era tão legal assim, mas como não tinha outro na cidade ficamos assim mesmo.
  • O hotel tem um projeto arquitetônico interessante. Deve ter sido um hotel que foi crescendo com o fluxo de negócios da região e ai foram sendo feitos anexos (puxadinhos) gerando uma série de corredores que mais parecem um labirinto do Minotauro da Ilha de Creta (Mitologia Grega). Para vocês terem uma idéia, em nossas andanças pelo labirinto, entre o restaurante e o quarto, encontramos uma velhinha que já estava perdida há 3 dias procurando a recepção.
  • Primeiro dia e já desisti de fazer cálculos de consumo. A Nissan está fazendo 10 km por litro na estrada e não vou ficar fazendo contas. Vou preferir tirar o pé quando sentir algum consumo em excesso.
  • Hoje rodamos 457 km. Para quem conhece o trecho Vitória - Rio terá a noção da dificuldade em dirigir numa sexta feira a tarde com um calor de rachar.
  • Última consideração desse dia: Certa feita comprei um par de óculos com lentes amarelas (acredito que polarizadas) que a Gloriete deveria utilizar para pescar. Ela nunca usou tais  óculos. Muito bem: Ouvi na televisão uma reportagem a respeito desses óculos e nesse primeiro dia de viagem utilizei para melhorar a visão na hora do “lusco-fusco”. Simplesmente FANTÁSTICO. Utilizei inclusive no segundo dia. No entardecer realça a luminosidade e a noite os faróis contrários não ofuscam.

 

2º Dia (28 de novembro):

  • Acordei mais velho. Hoje faço 60 anos de idade e já não preciso entra em filas de banco, supermercado, etc.
  • Saímos cedo de Rio Bonito e nossa primeira parada foi para colocar diesel no posto do Aeroporto do Rio de Janeiro. Coloquei o diesel podium. Que diferença.
  • Nossa segunda parada foi num dos restaurantes de Rede Graal a beira da estrada. Tudo muito limpo, muito bonito e muito caro para os padrões do E. Santo.
  • Em recente visita do Dalai Lama ao Brasil, o Frei Leonardo Boof perguntou ao mesmo qual era a melhor religião esperando obviamente que ele responde-se que era uma das religiões orientais. O Dalai Lama sentindo então a intenção da pergunta em gerar polêmica respondeu que a melhor religião era aquela que te aproximava mais de Deus e do seu próximo.
  • O tópico anterior é para relatar que com grande alegria estive no Santuário de Aparecida do Norte. Isso já é praxe em minha viagem, e desta forma se sinto mais protegido nas estradas. Se for psicológico ou religioso não sei, mas que me sinto mais seguro me sinto.
  • As estradas de Rio Bonito (RJ) até Ourinhos (SP) são em pista dupla. Isso faz o carro render bastante. Conseguimos chegar a Cornélio Procópio no Paraná e se não tivéssemos parado tanto por razões diversas teríamos chegado a Londrina com folga. Rodamos hoje 989 km    
  • Proteção de Deus é proteção. Repetiu-se ontem o milagre da abertura das águas do Mar Vermelho. Todos sabem que em São Paulo e Paraná as tempestades têm sido bastante violentas. Durante a viagem, principalmente na Rodovia Castelo Branco, víamos nuvens tipo cúmulus ninbus se formando, chuvas torrenciais caindo ao longe (manchas negras do céu até a terra) e passávamos incólumes pelo meio das torrentes. Pegamos até uma mínima chuva como que para tirar o pó do carro. Chegamos ao hotel, fizemos o check in e o temporal desabou.
  • Como tem pedágio no Paraná. Alias, a nossa maior despesa até agora, foi com pedágios.    
  • Estamos escrevendo do Hotel Midas em Cornélio Procópio. Excelente custo benefício, localização excelente, ficamos aqui ano passado, tudo ótimo e recomendo o mesmo. Sua home Page é www.hotelmidas.com.br .
  • Como velho dorme pouco, são 4 horas da manhã, a viagem está no planejado e vou descansar um pouco e reunir forças para os 600 km até Foz amanhã.    

 

 

3º Dia (29 de novembro):

Rodamos hoje 600 km para chegar a Foz do Iguaçu. As condições do tempo continuam favoráveis e estamos chegando sempre 12 horas depois da chuva.

O que mais vimos neste trecho de viagem, são as plantações com predomínio da soja, praças de pedágio e postos de fiscalização de Patrulhas Rodoviárias (federal e estadual).

Com relação às plantações realmente o estado do Paraná parece ser o celeiro do Brasil. Não conheço ainda os estados de Mato Grosso e Goiás e desta forma o Paraná tem o meu voto por enquanto.

Passei por muitos postos da Patrulha Rodoviária. Vi apenas 3 guardas fora das guaritas. Como o calor está muito forte pode ser esta a razão na reclusão dos guardas em suas cabines, pois o ambiente interno deve ter ar condicionado. Isso pode ser um facilitador para o tráfico de armas para o Rio de Janeiro. Quem sabe se a solução do problema das armas no RJ não seja a retirada do ar condicionado das cabines ??? Será que não descobrimos a solução !!!       

Falemos agora dos pedágios. São muitos !!! Se você quiser visitar sua tia na cidade vizinha vai gastar pelo menos 40,00 de pedágio (ida e volta).

Comecei a reparar que as estradas no Paraná estavam muito cheias próximo das cidades e vazias após os postos e entre elas. Ou seja, os habitantes ficam ilhados em suas regiões. Clubes de campo são criados no seu entorno (antes do pedágio) e como conseqüência uma menor circulação de veículos nas estradas ocasionando menos desastres, menos desgaste nas estradas, menos custo de manutenção, ou seja maior economia para o pais.

Grande solução para conter custos, pois as cidades crescerão até o limite dos pedágios e não se tornarão grandes metrópoles com seus respectivos problemas.

Fechando esse tema: Não sou contra os pedágios, sou contra o excesso de pedágio sem uma contrapartida de serviços racional.

Em Foz estamos no já conhecido Hotel 3 Fronteiras, bem localizado, próprio para um turismo de custo mediano, boas instalações. Recomendo. O proprietário chama-se Sr. Nelson e pode falar que veio por indicação Ramalho do grupo do 4x4 e pedir desconto.

À noite jantamos com Pato de Foz, pessoa fantástica e criador de facilitadores na região para todos os amigos do off - road. Sua esposa Marcela extremamente simpática também.

Conversamos de tudo e até mesmo de futebol sem brigar (Pato é Argentino).

Amanhã vamos ao Paraguai comprar somente uns “bombons” e de noite mando notícias.

Abraços a todos e principalmente a família da Gloriete (trocentas pessoas)        

 

 

4º Dia (30 de novembro):

Antes de nosso relato diário, deixe-nos colocar alguns pontos:

  • Muitos nos têm enviado mensagens de boas vindas e de apoio. Como serão pelo menos 38 dias de viagem, creio que lá pelo décimo dia já terei umas 7000 mensagens de e.mail. Quero deixar claro que bastam apenas umas 2 mensagens por semana e se eu não responder a todas, pelo menos tenham certeza que irei ler todas. Entretanto não deixem de enviar mensagens (pelo amor de Deus), pois fica a certeza que cada um de vocês está além de rezando, torcendo por nós.
  • Em viagens dessa natureza, emoções afloram. Você e seu parceiro terão que ter uma estrutura psicológica muito grande para que humores não estraguem o dia. Quem já fez algo parecido favor confirmar. Talvez por isso seja que Almir Klink tenha feito a maioria das viagens sozinho.
  •  Independente disso vou tentar relatar transparentemente, dia após dia as condições do “moral índex” do grupo. Resumo da ópera: Geralmente as pessoas só vêem as pingas que eu tomo e não sabem os tombos que eu levo. Vocês, entretanto, irão participar de nossas alegrias e tensões do dia a dia.
  • Com relação a despesas, tenho reparado que na fase inicial das viagens, sempre se gasta mais que o planejado. Também não sei se é porque estamos no Brasil e aqui tudo é mais caro. Passamos a separar bolinhos de dinheiro para cada dia. Vamos ver se esta estratégia vai dar certo.

Vamos então ao que interessa:

  • Finalmente ontem viemos a conhecer o que é uma tempestade tropical. Da varanda do hotel (meus filhos já estiveram aqui) vimos o horizonte se toldar de negro, um vento fortíssimo vindo do sul e de repente caiu uma água como eu nunca vi. Se a chuva que caiu ontem pela manhã aqui caísse em Vitória, metade da cidade em suas encostas seria destruída. Parece, entretanto que a população convive bem com isso, pois é uma forma de aliviar o calor.
  • Debaixo desse pé d’água fomos tentar cumprir nossa agenda de compras do Paraguai. Desnecessário dizer o que passamos com a chuva torrencial, excesso de gente nas calles devido a compras natalinas, lojas cheias, sujeira acumulada nas ruas descendo em função das águas, etc. Resumo: Compras no Paraguai nunca mais (talvez ano que vem quem sabe  !!!) 
  • À tarde a chuva passou e fomos fazer cambio na Argentina. Pato de Foz nos levou as lojas conhecidas, mas o melhor preço conseguido, por incrível que pareça, ainda foi no Free- Shop da fronteira. Este é o terceiro ano que tenho o mesmo resultado.
  • Deixei de mencionar que ao sair de Vitória, troquei o óleo do carro. Sempre usei o Ursa Tdx. Como a Ipiranga comprou a Texaco, o óleo disponível passou a ser o Ipiranga. Coloquei o mesmo contra a vontade. Pode ser impressão minha, mas se eu ontem não tivesse comprado o aditivo da Molikote lá em Puerto Iguazu eu não chegaria a Ushuaia. Esse óleo da Ipiranga atende somente as necessidades do dia a dia dentro de uma cidade e pequenas viagens até Guarapari. Ficar com um motor rodando, mais de 8 horas por dia em regime alto ele não aguenta não e vai torrar seu motor.
  • De noite, o que era para ser apenas um aperto de mão de despedidas, pois teríamos que dormir cedo para viajar no dia seguinte se transformou um jantar de despedida de Foz do Iguaçu. Se eu encontar uns 3 Pato de Foz pelo caminho vou comprometer minha programação.
  • Estou tomando 4 remédios somente: O do coração que Gloriete me obriga. Um redoxon por dia, geralmente na parte da tarde, para dar um “plus” nas energias, um remédio chamado Leucogem que o André me deu uns comprimidos para melhorar as defesas e o tradicional sal de frutas depois de um jantar tipo Pato de Foz.
  • Iremos atrasar nossa partida em algumas horas amanhã, pois Gloriete pediu um refresco de mais umas 2 horas de sono e como a Argentina não está em horário de verão tudo bem.
  • Recordando o que aprendemos na escola, quando mais ao sul e a oeste o sol vai se pondo mais tarde. Ontem por exemplo às 20h30min horas ainda estava claro.

Por hoje é só, e espero que lá em Goya (Argentina), tenhamos wi-fi no hotel.

Abraço a todos e principalmente aos parceiros do 4x4.

 

 

5º Dia (01 de dezembro):

Um dia de cão:

Sabe aquele dia que ao final do mesmo você se pergunta o que está fazendo ali. Bem esse foi um dia daqueles ...

Considerando entretanto que o nosso trato é de relatar tudo e de ser o mais transparente nas alegrias e decepções, vamos ao nosso diário de bordo:

Devido a problemas de logística tivemos que retornar ao Paraguai hoje pela manhã, só retornando ao Brasil após o almoço.

Desta forma só conseguimos atravessar a fronteira às 2 da tarde, o que iniciou o comprometimento do sucesso de nosso dia, visto que eu teria que modificar o ritmo da viagem e me obrigaria a entrar dirigindo pela noite a dentro para atingir o objetivo traçado.

Os trâmites de entrada na fronteira da Argentina são muito simples. Nem passaporte é exigido. Muitos controles de edifícios em Vitória são mais rígidos. Entretanto ao passar pelo carimbador de passaporte e já me sentir em território argentino, fui indagado pelo próximo elemento para onde estava indo na Argentina.

O inocente aqui, com sua NISSAN AMARELA, cheia de adesivos, mais enfeitada que um burro de cigano encheu a boca e falou: Tierra del Fuego, Ushuaia.

Talvez até movido pela inveja, o funcionário mandou então que eu me dirigisse para um setor à parte, onde a Nissan seria examinada para controle de bagagem. Esse procedimento não usual é usado para examinar autos suspeitos de contrabando ou trafico de drogas ou armas. Cabe ser ressaltado, que armas e tóxicos atravessam com toda segurança e entram na Argentina alguns kilometros rio abaixo.        

Dirigimo-nos para o local indicado e estacionamos a Nissan em um lugar parecendo um lavador de carros. Um funcionário entrou debaixo da Nissan e fingiu examinar algumas peças chaves onde poderia estar escondido o suposto contrabando.

Lá embaixo devia estar sujo e quente e o mesmo deu algumas pancadas não sei aonde (só escutei os batidos) e voltou então para a superfície.

Pediu então para abrir a tampa e ao tocar na bagagem, a primeira coisa que pulou para cima dele, como uma mola daquelas caixas que tem uma cobra ou um palhaço dentro, foi um colchão que a Gloriete tinha conseguido enfiar num espaço pequeno demais para ele. Contivemos o riso para não constrangê-lo.    

Com o susto ele reclamou do seu colega e falou que a revista estava ok e que eu e Gloriete não tínhamos o perfil de traficantes e poderíamos iniciar finalmente a nossa viagem.

Tudo bem, mas isso atrasou mais uns 20 minutos. Aprendi também que quando perguntarem para onde vou, vou dizer e tenho procedido assim e falo que estou de férias e estou indo para a próxima cidade mais importante visitar um amigo que está me aguardando.

Só vou falar em Ushuaia só depois de cruzar o Estreito de Magalhães.  Tal procedimento para mim é fácil, visto que tenho todo o trecho na cabeça e muitos amigos na Argentina.

Após 30 e poucos kilometros passamos no primeiro posto de controle caminero e já usei a técnica informando que iria pescar em Goya (estou levando material de pesca para pescar na Patagônia).

Primeiro assalto oficial na Argentina: Uns 4 km após o primeiro pedágio (preços irrisórios para uma conservação de estradas excelente) fui surpreendido por uma sirene de um carro policial que me mandou parar. Obedeci por que estava tudo certo com o veículo.

Foi iniciado então o teatrinho. Um faz o papel de bad boy e fica dentro no carro com a cara amarrada fingindo que consulta um computador e o outro faz a negociação com um código de transito já marcado com alguns X que é para confundir os brasileiros que não sabem ler em espanhol nem consultar códigos.

Te apresenta inicialmente uma multa de quase 1800 pesos por ter supostamente ultrapassado um carro em uma curva (estrada estava deserta) e diz que o auto seria apreendido.

Obviamente por ser advogado e estar familiarizado com códigos bem como ler em espanhol você entra no teatro e consegue você sugere que o guarda preste esse favor a você, procedimento esse aceito. Resultado: 20 minutos de negociação e um prejuízo de 100 pesos (Uns 46 reais).       

Cabe finalmente ser ressaltado que os assaltantes (policiais) estavam sem a sua tarjeta de identificação o que dificultaria qualquer futuro reconhecimento.

Segundo assalto oficial na Argentina: Revoltado com o constrangimento sofrido, não pelo montante em dinheiro, mas pela impotência diante da situação continuamos viagem. Após alguns kilometros chegamos a Posadas, atravessamos a cidade bem tranqüilos e pegamos novamente a ruta.

Fomos então abordados por mais 2 jovens policiais que nos informaram que havia uma denúncia de que tínhamos atravessado a cidade em alta velocidade. Outra negociação e Gloriete falou para os meninos que não éramos mais tão jovens para fazer esse tipo de coisa.

Dez minutos de negociação e 46 pesos de prejuízo. ´

É claro que por 30 segundos pensei em voltar para casa e abortar a viagem. Mas isso não é praxe da polícia argentina, pois neste momento que escrevo já estamos em Rosário, onde passamos por mais de 10 postos de controle sem o menor problema.

Só sinto que os 4 policiais envolvidos não tinham mais que 25 a 30 anos, e é triste ver uma juventude praticando atos desta natureza quando deveriam estar prestando um serviço a comunidade.

A viagem continua:

Peguei então o GPS, cravei em torno de 78 km por hora por 20 minutos e desliguei o GPS. Essa estratégia seria uma prova de excesso de velocidade no próximo assalto que espero que não ocorra mais.

Muito bem, a previsão da viagem estourou de vez com a chegada da noite e estávamos em plena região do Ibera (estrada deserta) a quase 300 km do destino previsto.

Entramos então numa pequena vila agrícola denominada San Miguel e incrível, tinha uma pequena estalagem em que abriga peões de gado e pessoal do campo em serviço.

Que acolhida, parecia aquelas pousadas do pantanal com o pessoal se reunindo a noite no pátio para contar os causos.

É claro que contei umas mentiras também. Eles contaram sobre os ataques dos jacarés e ariranhas aos animais e cavaleiros nos alagados e eu contei sobre os ataques dos terríveis tubarões brancos nas costas do E. Santo. Acredito que muitos foram dormir sobressaltados.

Ao falar sobre o mar e de terras tão distantes, coisa que será muito difícil eles conhecerem, senti que muitos viajavam em suas imaginações 

Boa comida, bom papo, pessoas simples e trabalhadoras e cada um com seu cachorro pantaneiro que ficavam disputando os restos de um assado e depois foram dormir junto ao alpendre das portas dos quartos de cada um.

Incrível como cães tão ferozes em sua lida diária eram tão pacíficos em uma disputa por alimento respeitando os outros cães mais fracos, pois geralmente trabalham em equipe no pastoreio do gado.

O nome do que podemos chamar de pousada é: COMEDOR HOSPEDAGE IBERRA. A dona é Sra. Liliana, seu marido Hector da o suporte e a cozinheira Jéssica é que pega no pesado. O valor da diária é 50 pesos por persona com aire condicionado, televisão (ligar para que se o papo rola no pátio) e água caliente (outro desperdício). 

Cabe ser ressaltado que esses animais são cães de grande porte e trabalham a maior parte do dia quase que semi submersos ou nadando nos esteros mantendo a ordem no gado.

 

 

6º Dia (02 de dezembro):

 Levantamos muito cedo e saímos às 04h00min da manhã para tentar recuperar o tempo perdido no dia anterior.

Mesmo sendo madrugada já existia algum movimento do quarto dos peões que se aprontavam para a lida diária com o gado.

Os cachorros deitados na varanda em frente às portas estavam sonolentos, e não entendiam como que aquelas pessoas exóticas (nós), estávamos partindo sem as botas e as vestimentas tradicionais do campo. Aquele trator amarelo ( Nissan), todo fechado, era  diferente e fazia menos barulho.

Partimos então... As próximas cidades, digo pequenas vilas, que passamos até o nascer do sol, já tinham um movimento de pessoas aguardando, provavelmente, a condução ou ônibus que os levariam para a faina do campo.  Eram como que os nossos bóias frias. A temperatura no dia anterior tinha chegado aos 36 graus e agora na madrugada não passava de 14 graus. Fico imaginando o frio que eles devem passar no inverno.

Atravessamos a região dos esteros. Estava tudo inundado, e ao amanhecer começamos a verificar os estragos causados pelos ventos principalmente próximo das cidades de Goya e Esquina.

Grandes árvores arrancadas como que gigantes que tombaram em um campo de batalha contra a natureza.  Muitos outdoors que pareciam folhas de papel de embrulho estavam retorcidos, pois o vento nessas campinas não tem obstáculo a sua passagem.

A partir da cidade de Goya até próximo a cidade de Paraná pegamos muita chuva e que chuva !!! Não sei precisar a velocidade das rajadas do vento, mas fazia a Nissan balançar toda. Rodamos muito tempo em 4.a marcha, a baixa velocidade, (60 km).

Chegamos à cidade de Paraná e tentamos encontrar um amigo. Não tivemos sucesso, pois existe um costume por aqui do horário da siesta e o comércio fecha abrindo somente após as 4 horas da tarde.

Atravessamos a fantástica obra de engenharia que o túnel sob Rio Paraná ligando as cidades de Paraná e Santa Fé e continuamos viagem.

Eu e Gloriete chegamos à conclusão que regras na nossa idade são para serem quebradas e mesmo tendo combinado que iríamos só lanchar durante o dia paramos para almoçar.

Vocês não vão acreditar: O restaurante estava fechado para almoço. Só iria funcionar novamente depois da hora da siesta, entretanto havia um casal que aparentemente teria sido o último cliente da parte da manhã.

O cliente que depois ficou sendo mais um amigo conquistado nessa viagem era nada mais nada menos que o Secretário de Segurança da Província de Santa Fé. Registro também que o dono do restaurante era extremamente simpático.

Imaginem então o tratamento vip ... O prato escolhido foi o rodízio de peixe (não agüentamos chegar ao final) o qual custou 29 pesos por pessoa. Lamentamos também não ter podido levar o último prato para viagem, pois não tínhamos como fazer.

No E. Santo tem peixe de excelente qualidade, mas a variedade que comemos era de rio e com sabor diferente.

Chegamos a Rosário ao final da tarde e Paulo, filho de Pato de Foz, já nos aguardava no final da autopista.

Amanhã vou escrever sobre a cidade de Rosário e seu povo, mas neste momento estamos hospedados na casa de Paulo. Estamos nos sentindo como se estívéssemos em nossa própria casa.

Gostaria de registrar que a visão do Rio Paraná, observada do décimo quarto andar, na varanda do apartamento é simplesmente fantástica. A lua cheia e amanhã o sol nascerão a leste (a muito tempo que é assim) e vou ficar contemplando.

Por hoje é só e estamos bem. O dia foi muito bom.

Meu abraço vai para os parceiros Antônio e Francisco da Teccom 10 e Henrique Caldas do remapeamento do Chip.

Saudades do Marquinhos e André (filhos).

 

 

7º Dia (03 de dezembro):

Nada como estar em uma cidade acompanhado por uma pessoa local.

Na noite anterior recebemos a visita de 2 amigos de Paulo para cenar.

Como o Argentino gosta de carro !!! Conversamos por mais de 3 horas sobre motores, chips, trilhas off-road, travessias, etc. Argentino gosta mais de seu auto que sua própria esposa.

Antes do jantar, combinamos que não iríamos conversar sobre futebol, política e religião, pois dessa forma a conversação seria mais proveitosa e inteligente.

Entretanto não me contive quando eles começaram a elogiar o grande líder latino americano, o Sr. Lula da Silva. Com fatos e argumentos, consegui convencer que a Sra. Cristina Kirchiner é simplesmente uma amadora infantil perto das tramóias de nosso “cumpanheiro”.

Imaginei que somente a maioria da imprensa brasileira estivesse comprometida, mas me enganei. O jornal O Clarin aqui se encontra na “folha de incentivos”.

A cidade de Rosário é linda. Situada nas margens do Rio Paraná, com sua costanera, deve ter uns 1 milhão e meio de habitantes com um transito equivalente a uma cidade de uns 200 mil habitantes.

Tudo flui com um transito tranqüilo e tudo é muito lindo com muitos parques e arborização nas ruas. A limpeza se faz presente.  Poucos semáforos nos cruzamentos e vence quem for maior e que colocar o bico do carro primeiro, mas sem constrangimento das partes e sem agressões. Isso que é um povo educado no transito.

Obviamente não fomos a nenhum Shopping Center, mas passamos por um externamente, e o mesmo teria uma área duas vezes maior que o de o Shopping Vitória com uma arquitetura lindíssima.

Aproveitamos para trocar óleo da Nissan, Paulo fez um tour pela cidade e a noite fomos recebidos pelo grupo PASSION 4X4 ROSÁRIO para jantar.

Para descrever o jantar, a receptividade do grupo 4x4, os costumes locais, a qualidade do peixe servido, etc, seria necessário como que um capítulo inteiro. Vou então apenas colocar alguns pontos:

  • O restaurante era na beira do rio em um lugar em Rosário que lembra muito as características do Porto Madero de Buenos Aires.
  • Tinham uns 40 homens e umas 8 esposas, sentadas obviamente na mesma mesa, muito comprida, mas em uma extremidade conversando obviamente sobre assuntos de mulheres.
  • Nunca fomos tão beijados ... É costume por aqui até os homens se beijarem no rosto.
  • Gloriete depois de uma taça de vinho (uma só) me surpreendeu conversando em espanhol fluente (pasmem senhores !!!)
  • Esse restaurante é diferente. Ele só fornece as instalações, inclusive a cozinha.  As pessoas trazem seus apetrechos (tábuas onde se põe os peixes,  pratos, garfos e facas), sua bebida, sua sobremesa, e principalmente seu chef (cozinheiro) que se prestar um bom serviço é saudado por todos ao final da festa com muita honraria. Eu mesmo ao final da festa compareci a cozinha para cumprir a ritualística.
  • Como não sabia como funcionava a coisa, e como gosto também de carne, fui a uma das cozinhas e fui servido por um outro grupo que festejava também,
  • De repente passei a participar de uma outra festa dentro da mesma festa, pois todos queriam conversar com aquele casal exótico que vinham de tão longe.
  • Cabe ser ressaltado que a outra festa era uma festa de encerramento de um grupo de um curso de português (já imaginaram !!!)
  • Vou parar por aqui, mas até um discurso final eu improvisei para umas 70 pessoas.
  • Houve também um sorteio onde foram sorteados os seguintes brindes (simbólicos): Pacote de Café Pilão – Uma garrafa de Ipioca série ouro – CDs com músicas brasileiras (coletânea preparada na Internet), aditivo para óleo diesel TECCON 10 – Uma garrafa de suco de caju – e o que fez o maior sucesso – Guaraná em pó, que correu a boca miúda que era afrodisíaco.
  • Fechando esse assunto, foi uma das maiores homenagens que recebi em minha vida. Não pela quantidade, mas pelo sentimento. Talvez eu não me lembre de todos os nomes das pessoas que estavam presentes, mas nunca mais esquecerei o carinho.

Um grande dia e uma bela festa de aniversário.

Um grande abraço para o Helder e o grupo dos viajantes capitaneado pelo Jeisonk.

Amanhã partimos para AZUL.            

 

 

8º Dia (04 de dezembro):

Um dia de surpresas:

A festa de ontem foi muito boa e foi difícil sair da cama hoje pela manhã. Em uma viagem dessa natureza é necessário muita disciplina para manter os objetivos traçados e estamos chegando à conclusão que os hermanos argentinos estão conspirando para nos atrasar.

A previsão era sair às 08:00 horas e só pegamos a auto pista em direção a AZUL às 10:00 horas.

A passagem por Azul não estava prevista originalmente no roteiro, mas existia um convite de Luis, pertencente ao Club Nissan Argentina e resolvemos mudar nossos planos.

Viajamos por mais de 500 km através de estradas secundárias de boa qualidade, passando por campos de cultura variados ou de criação de gado ou cordeiro.

Aliás, estamos viajando já há alguns dias comprovando que a Argentina assim como o Brasil poderiam alimentar todo o mundo em suas terras.  É uma pena que os políticos não colaborem.

Como tudo aqui é plano, já próximo de Azul (uns 20 km), começamos a divisar edifícios muitos altos contrastando com a imensidão do pampa.

Azul é uma cidade de uns 60 mil habitantes, mas com uma estrutura e uma qualidade de vida para seus habitantes que deixam muitas das capitais brasileiras no chinelo. Têm praças, parques públicos, teatros, cinemas, ruas limpas, etc.

Luis nosso anfitrião, fez um tour e destacamos a catedral da cidade, o museu de Cervantes, o museu local e o parque municipal e um clube chamado Club de Remo com instalações simplesmente fantásticas em quase 10 hectares de área.

Nossa dúvida é quem foi mais simpático. Se Luis ou sua esposa Mariana. Ao final do tour, jantamos em sua casa e os mesmos insistiram para que pernoitássemos em sua casa. Entretanto preferimos nos hospedar no hotel Los Tidos (150 pesos) onde ficaríamos mais a vontade.

O jantar só terminou à meia noite e sinto que realmente existe uma conspiração dos argentinos para atrasar nossa viagem.

Amanhã vamos viajar até onde der, mas o objetivo de chegar a Península Valdez já está comprometido.

Estamos tendo dificuldade em conseguir internet para enviar notícias.

Um abraço a todos e façam uma oração por nós ...

       

 

9º Dia (05 de dezembro):

De volta ao circuito programado:

Conforme tínhamos mencionado em relatório passado, tínhamos feito um desvio de rota e conhecido a cidade de AZUL. Com isso atrasamos nossa viagem em 1 dia, mas o motivo foi justo. O que lamentamos e que nessa viagem estamos encontrando pessoas interessantes e não estamos podendo dedicar um tempo maior as mesmas.

Saímos da cidade de Azul bem cedo e sem ter a chance de nos despedir de Luis e Mariana. Continuamos nossa viagem atravessando plantações e mais plantações até chegar a um lugar chamado Serra de La Ventana onde a paisagem se transformou de campos de cultivo para uma vegetação mais rala.

Tínhamos também mencionado em um relatório anterior, sobre a chuva que enfrentamos lá nos Esteros do Ibera.

Muito bem !!! Aquela chuva se comparada à chuva que pegamos da Serra das Ventanas até a cidade de Bahia Blanca poderia ser considerada uma garoa. O volume de água que caia era semelhante a um daqueles lava jato automático onde aquelas máquinas fazem o serviço de lavagem do veículo.

No meu tempo de Aeronáutica, tinha um ditado que dizia que o militar deveria ser insensível ao tempo para suportar situações adversas. Gostaria então de acrescentar que alem do militar, o viajante, principalmente viajando pela Patagônia, também deverá ter esse perfil.

Não bastasse a chuva torrencial enfrentada até a cidade de Bahia Blanca, após esta cidade, na estrada em direção a cidade de Rio Colorado, enfrentamos situação inversa.

Como a região começa a ficar bastante seca, fomos contemplados com uma tempestade de poeira por quase meia hora. Parecia com uma daquelas tempestades que vemos ocorrer lá China ou no Oriente Médio e passam no noticiário.

Chegamos a Rio Colorado e nos hospedamos no Hotel Sasso (150 pesos).  Esta cidade é um ponto de passagem de várias direções e a disponibilidade de hotéis é muito boa.

Amanhã vamos para a Península Valdez,

Um abraço especial para o Rômulo.

 

 

10º Dia (06 de dezembro):

Notícias diversas:

Vendo uma barraca marca Trilhas e Rumos para 3 pessoas, na cor verde exército, nunca usada. Acompanha os “specs” originais e “specs” especiais para utilizar em areia e para ventos acima de 100 km. 

Este anúncio da venda da barraca deverá ser o anúncio que vou colocar no jornal a Gazeta quando chegar de volta à Vitória.

Nossa previsão era ou continua sendo a de acampar algumas vezes durante a viagem. Estão ou estavam previstos 8 acampamentos como que para “curtir” uma situação diferente ou até economizar algum dinheiro, o que não está ocorrendo, visto que temos até dado um pouco de sorte na obtenção de alojamento em hotéis e cabanas sob um preço aceitável.

O diesel melhor na Argentina parece ser o V Power da Shell. O preço é mais elevado, mas rende mais (de 3.299 a 3.249 pesos).

Depois vem o diesel da Petrobras (entre 2.499 e 2.699) e por final o diesel da YPF (mesma faixa de preço).

Façam então a matemática financeira com base no Real valendo 2.12 pesos e vejam como pagamos caro o diesel no Brasil. Parece também que não existe muita diferença de preços entre diesel e gasolina por aqui.

Dizem que o preço dos combustíveis decresce de valor após uma determinada latitude. Ainda não tive oportunidade de comprovar isso. Assim que tiver a informação informo nos e.mails a partir de que ponto isso ocorre.

A Nissan continua fazendo a média de 10 a 11 km por litro apesar de estarmos usando Teccom 10. Eu também deveria ter solicitado que o Henrique Caldas que fizesse uns ajustes no remapeamento para tirar um pouco da potência da Nissan e talvez ficar mais econômica, pois aqui o único esforço que a mesma está fazendo e vencer os ventos.

Estamos tendo a impressão de que estamos ou vamos gastar acima do previsto. Como vocês são nossos amigos abrimos a “suposta” planilha de despesas para vocês para que façam um idéia dos custos de um empreitada dessa natureza.

Tínhamos estimado gastar 140 dólares diários incluindo combustível, hospedagem comida, gastos extras, lembrancinhas, etc. Queremos deixar claro que não somos turistas e sim viajantes e valorizamos mais uma troca cultural do que o luxo desnecessário que não vamos usurfruir. 

Este valor, com um cambio (por baixo) a 3.75 dariam 510 pesos por dia. Separamos então bolinhos de 500 pesos e estamos tentando trabalhar nesse patamar de despesas.

Antes de chegar na Península Valdez, passamos em San Antônio do Oeste e conhecemos em um lugar chamado Las Grutas. Lugar interessante com formações rochosas formando grutas a beira mar. Não é tão indo, apenas diferente e vale a pena parar e gastar 1 hora para conhecer e seguir viagem.

Devo alertar entretanto, que quando faço considerações subjetivas sobre um lugar, dizendo se é bonito ou feio, não deve ser levado ao pé da letra  pois são considerações pessoais apenas.

Chegamos aqui na Península Valdez e nos alojamos na vila de Puerto Pirâmides em uma cabana denominada Cabanas Cristal (180 pesos – até agora o hotel mais caro).

A cabana até tem um custo benefício bom, mas não é lá essas coisas em estrutura externa. Dá para se hospedar, é limpinha, mas nada além disso. Seria uma opção econômica de hospedagem. Não encontramos nenhum brasileiro até agora, mas o que tem de europeu por aqui enche a cidade.

Fizemos compras de alimentos no comércio local e Gloriete fez nosso primeiro jantar com jeitinho de Brasil. Dois big bifes, arroz e salada de tomate e uma garrafa de vinho. A carne argentina realmente é diferente.  Ficou tudo por 38 pesos de custo. Desta forma dá então para economizar, mas não sei se compensa. É mais como que fosse uma  curtição de sentir que estamos comendo em uma casa.

Na entrada da Península Valdez é cobrada uma taxa de admissão de 45 pesos para estrangeiros. O valor para argentinos é 10 pesos e para os moradores da província o valor é de 3 pesos. Até entendo que tenha que deva ter uma diferença, mas nem tanto, pois a economia local é feita 100% por visitantes de outros países ...

Aqui é como san Pedro de Atacama onde toda a população de uma forma ou de outra trabalha com turismo.    

Estamos viajando na ruta em uma velocidade entre 90 e 110 km por hora. Como são retas intermináveis e a paisagem é muito repetitiva, a estrada se torna hipnótica e dá muito sono. A impressão que se tem, até mesmo em função do fortes ventos, é que você está em um barco navegando no mar tentando manter uma trajetória reta.  

A solução tem sido conversar bastante e comer cereja e outras frutas o tempo todo. Enquanto você está comendo está se distraindo e não dorme.

Estou parando sempre que posso e colocando combustível. Não que tenha necessidade, mas é uma estratégia para espantar o sono.

A vila de Puerto Pirâmides e muito pequena e aqui tudo é difícil e muito caro até mesmo porque sendo um final de linha os produtos tem dificuldade em chegar ao consumidor final.

Aqui seria como Fernando de Noronha. Tem tantas pousadas que acredito que na baixa temporada uns moradores alojam os outros e vice versa, para sentir algum movimento em seus estabelecimentos.

Amanhã vamos dar um giro pela Península.

 

 

11º Dia (07 de dezembro):

Fizemos o circuito total pela península. Foram 240 km passando por lugares fantásticos. O mar é de uma cor verde incrível. É claro que conheço “trocentos” lugares no Brasil até mais bonitos que aqui, mas trata-se de uma beleza diferente.

Eu tinha reclamado sob o valor da entrada de 45 pesos por pessoa. Depois que visitei a península minha opinião mudou e acho que está de graça pelo que eu presenciei, principalmente com relação a fauna e a flora.

Como o argentino e o brasileiro não sabem trabalhar muito o que tem de bonito, o turismo aqui ainda está mediano. Se essa península fosse no Chile iria ter no mínimo um aeroporto internacional.  

Vimos nos caminhos de rípio cordeiros, emas, um animal que lembra uma lhama e um sem número de pássaros variados.

Nas pontas delgada e norte, bem como no trajeto que margeia o mar, lobos marinhos, elefantes marinhos que ficam na praia tomando sol e pingüins.

Como os animais sabem que o homem não é seu predador nem se incomodam com nossa presença. Fiquei a menos de meio metro dos pingüins e continuavam chocando os ovos como nada os aborrecesse. Impressionante como o pingüim nem se preocupa vom você. Sua maior preocupação é com o ovo que geralmente é chocado por um ou pelo outro.

Dizem que o pingüim escolhe sua parceira e permanece com a mesma por toda uma vida. Não tenho como comprovar, mas a voz do povo é a voz de Deus.

Na Ponta Norte é onde são filmados os ataques das orcas aos elefantes marinhos em plena areia. Como a equipe da Discovery Channel e Animal Planet só vai chegar semana que vem, ainda reinava a  paz entre os animais.   

Conheci o que é dirigir no rípio pela primeira vez, ou nos diversos tipos de rípio que encontrei pelo trajeto.

Tem uns tipos em que você pode dirigir até uns 80 km com segurança sem usar tração, mas existem outros que você não deve passar de 60 Km e mesmo assim utilizando  tração 4X4 atrelada. É incrível como o carro samba.  Não sei como é lá para baixo e como será na Rota 40, mas foi um bom treino de 240 km.

Vamos ter que repetir o jantar de ontem ( bife com 3 cm de espessura) mas tudo bem.

Em Comodoro Rivadávia acho que vou ter que trocar o filtro de combustível. Aprendi uma coisa: Ao sair do Brasil troque todos os filtros porque por aqui pode perder tempo, não obstante ser mais barato.

Fico pensando como seria bom se pagássemos menos impostos no Brasil ou tivéssemos a contrapartida deles.

Grande abraço a todos, principalmente aqueles que eu não saudei especificamente.

 

 

12º Dia (08 de dezembro):

Um grande dia:

Como todos sabem, estamos 1 dia atrasados com relação ao nosso cronograma de viagem.

É claro que estamos de férias e o atendimento ao cronograma não seria tão importante, mas quem me conhece e principalmente a Gloriete sabe que “jogamos a vera” e vamos tentar recuperar o tempo perdido nos próximos dias.

Desta forma, acordamos às 05:00 da manhã para sair às 06:00 e manejamos (dirigimos) até as 21:40 chegando a Puerto San Julian. 

Foram percorridos 989 km neste dia. Muitos até dirão que tal kilometragem não é muita vantagem para um dia, mas se considerarmos que conhecemos durante o trajeto mais 2 pessoas fantásticas (Guilhermo e Mônica), pertencentes ao Club Nissan da Argentina, que nos receberam em sua residência para um pequeno lanche bem como nos levarem para fazer um tour por lugares incríveis em Comodoro Rivadávia, lugares esses que só os locais conhecem.

Cabe também ser registrado que hoje é dia de Nossa Senhora da Conceição e é feriado na cidade e por pouco quase não conseguimos trocar o filtro de combustível da Nissan. Perdemos quase 1 hora procurando um lugar e fazendo a troca.

O filtro de combustível trocado ficou em 67 pesos.  Em Vitória, no mercado local, tal filtro custa mais de 100 reais. Não vou nem falar no preço se tal componente fosse trocado no concessionário da Nissan. Fico às vezes pensando como é que podemos sobreviver no Brasil.

Visitamos um local chamado Rada Tilly onde tem um promontório com uma visão fantástica do mar e de Comodoro Rivadávia. É mandatório a todos que passarem por aqui perderem uma meia hora visitando esse promontório que fica na saída na de Comodoro em direção a Caleta Olívia.   

Nesta cidade não vimos motos e sim quadriciclos. Nunca vi tantos quadriciclos em minha vida. Imaginem uns moto boys de quadriciclos ai no Brasil...

O nascer e por do sol estão complicando nosso relógio biológico. Chegamos a Puerto San Julian às 21h40min horas e o sol estava se pondo. Às 22:00 fomos a cidade comprar pão, bifes e sopa maggi para fazer o jantar como se fosse umas seis da tarde ai n Brasil.

São 23h45min e ainda estou preparando esse relatório para vocês. Quanto mais ao sul mais luz do sol teremos a cada dia. Em Ushuaia está previsto apenas 5 horas de noite.

Quanto mais ao sul, mais solidão nas estradas. As retas continuam intermináveis e os 6 kilos de cereja que tínhamos aprovisionado para nos distrair e comer durante a viagem não deram nem para chegar a Comodoro Rivadávia, nos obrigando então comer somente pêssegos e ameixas.

As retas são hipnóticas como já tinha mencionado. Aquela miragem que parece que existe um trecho molhado a frente da estrada tem se tornado bastante normal. O que é curioso que em um determinado momento confundi um latão e um pano branco próximo a uma cerca como se fossem 2 pessoas conversando a margem da estrada. Só quem esteve por aqui sabe que essa miragem até é possível depois de 10 horas ao volante.

Entre o povoado de Três Cerros e San Julian foi onde vimos a maior quantidade de guanacos na estrada. Cuidado nesse trecho, pois eles ficam na beira da estrada como que aturdidos pelos carros e caminhões que passam. Vimos uma grande quantidade de guanacos mortos e espalhados pela Ruta 03.

Como aqui a natureza parece que falhou em disponibilizar aves de rapina, vemos restos de guanacos que parecem ter sido atropelados a alguns dias e seus pedaços continuam pela estrada. Dá muita pena.  Se fosse no Brasil os urubus iriam fazer essa limpesa rapidinho. Viva os nossos urubus ...  

Nos postos YPF em algumas localidades vimos adesivos de pessoas que passaram por aqui. Dou destaque ao adesivo da RECIFE EXPEDIÇÕES e da GAIA EXPEDIÇÕES  

Em um posto de serviço vi 2 cegonhas carregando automóveis Fiat. Tive oportunidade de ver os carros e me chamou atenção o acabamento dos mesmos. É muito superior ao que nos é ofertado em nosso pais. Acho que o Collor estava certo quando falou da qualidade de nossos veículos.

Muito cuidado ao pagar ou receber troco nos postos de serviço aqui na patagônia. Em um dos postos, dei uma bobeira ao receber o troco e o vento quase levou 10 pesos. Se não fosse o menino correr atrás e a nota se enganchar em uma planta de um canteiro ia ser mais um pequeno prejuízo. O vento aqui embaixo não é fácil. De comodoro Rivadávia até aqui foram quase 400 km de vento contra. Ainda bem que o torque na Nissan nessas horas faz a diferença.      

Os kilometros que antecedem Puerto San Julian (uma descida e uma reta ) são um dos mais bonitos da viagem.  Depois de Comodoro Rivadávia a estrada também vem margeando o oceano durante muito tempo e também é bastante aprazível.

Antes de chegar a San Julian rezamos para que Deus nos indicasse um bom hotel. Dito é feito. Foi só contornar a rotonda e apareceu as CABANAS TIO FRITZ, recém inauguradas e reputo como o melhor hotel de nossa viagem até agora. RECOMENDO ESTAS CABANAS .

Vimos as cabanas, pedimos para dar uma olhada, perguntamos o preço (200 pesos) e nem perdemos mais tempo em saber se na cidade havia outros hotéis. Baixamos alguma bagagem e fomos fazer compras.      

Amanhã vamos tentar chegar a Rio Grande. Por hoje, uma boa noite a todos.

Parabéns para a minha sobrinha Sathia que passou na primeira fase do vestibular da UFES ( federal) e da federal do PARANÁ também.

Amanhã vamos rodar muito também e se Deus quiser, dentro de 2 dias chegamos ao final do mundo.

 

 

13º Dia (09 de dezembro):

Uma energia estranha

Ontem saímos atrasados de Puerto San Julian (08:30), mas por um bom motivo: A cama estava boa demais e nesse dia nossa intenção seria chegar somente até a cidade de Rio Grande, já na província da Terra do Fogo, onde pernoitaríamos para nossa última etapa da viagem.

Quanto mais se desce ao sul, a estrada vai ficando cada vez mais deserta e as cidades vão distando mais uma das outras.

Em um determinado momento Gloriete me perguntou se eu não estava sentindo algo diferente como se uma energia boa estivesse tomando conta de nossa viagem.

De repente me dei conta que essa energia realmente estava presente. Não sei se por causa de nossas orações na partida ou ao final de cada trecho diário, ou se pelas forças da natureza que estão presentes na Patagônia ainda pouco tocada pelo homem ou até mesmo pelo pensamento positivo oriundo de vocês que acompanham nossa viagem.

Hoje, dia 10, pela manhã, conversando com o Sr. Rodrigo falei sobre essa tal energia, e ele me confirmou que na ilha realmente tem algo atípico talvez até mesmo por circular pessoas de todo mundo por aqui em busca do fim do mundo.

Considerações sobre o trecho percorrido ontem:

Tenho colocado em meus relatórios, informações das mais variadas e para várias pessoas distintas.

Desta forma, poderão ocorrer informações já conhecidas para muitos, mas considerem como uma forma de recordação dos lugares já trilhados por muitos aventureiros, principalmente pelo grupo do 4x4.

A Patagônia é uma região para ser conhecida com vagar. Aqui a natureza se mostra numa plenitude tão grande e às vezes tão intocada, que faz-nos refletir sobre o quão pequeno somos diante da obra de Deus. 

Mas chega de filosofia e vamos a algumas considerações do dia de ontem. Vou relatar sem muita preocupação de ordem e de metodologia.

Como falei saímos as 08:30 horas e chegamos, a sol pleno, na cidade de Rio Grande às 21:15 horas, após quase 700 km rodados.

O trecho entre San Julian e Rio Gallegos, se mostrou bastante deserto e só não se mostrou cansativo porque já estamos nos acostumando com o perfil das viagens pela Patagônia.

O almoço foi servido a bordo um pouco mais cedo e constou de um tubo de batatas fritas daquelas ainda compradas no Paraguai (pringles), castanhas do Pará e nozes, meio saco de bala jujuba, um resto de pão com requeijão, tangerinas, 2 maças e coca cola.

Talvez vocês estranhem esta descrição sobre nosso almoço, mas era para acabar com todo tipo de alimento que havia no carro, pois na fronteira do Chile não se pode entrar com certo tipo de alimentos e teríamos que jogar tudo fora e isso é pecado. Também, como a estrada não tem nada não haveria lugar para almoçar e almoçar na estrada é perda de tempo e combustível para o sono. Nossa preferência é chegar ao destino e ai sim, um bom jantar.

Como teríamos que atravessar o Estreito de Magalhães em uma balsa, pensei que teríamos que pagar em pesos chilenos e assim entrei em Rio Gallegos buscando uma casa de cambio.

Fui a duas oficinas e ninguém tinha pesos chilenos para cambiar. Troquei mais alguns dólares e a melhor cotação que encontrei foi na casa de câmbio Thaler, que também existe na cidade de Ushuaia.

Abastecemos o carro e voltamos à estrada em direção ao Paso da Integração Austral (Argentina e Chile).

Haviam nos informado que os trâmites aduaneiros desse paso são muito demorados e nos preparamos para o pior, mas sem estress.

Os trâmites levaram um total de 35 minutos deste a hora que estacionamos nosso auto até a hora que saímos. São 5 etapas a serem cumpridas: Duas na parte argentina e três na chilena. Devo lembrar que as duas aduanas são integradas, estão no mesmo local (edifício).

 

  • Primeiro dá sua saída em território argentino carimbando seu passaporte.
  • Segundo dirige-se ao outro guichê para dar a saída do veículo. Como entramos por Puerto Iguazu, esse step poderia ser dispensado, mas é feito uma saída pro forma.
  • Terceiro vai para o lado chileno e faz a imigração (carimbar o passaporte)
  • Quarto - Dar entrada temporária do veículo. Guardar papel que será entregue quando sair do Chile na próxima fronteira (daqui a umas 2 horas)
  • Quinto - Fazer a aduana e verificar o carro. Nem fomos verificados porque ventava demais e fazia muito frio.

Seguimos mais alguns kilometros e chegamos ao embarque do transbordador. A estrada que já não tinha ninguém entre San Julian e Rio Gallegos, agora neste trecho até o embarcadouro é que é deserta mesmo.

Embarcam os autos nas laterais e os caminhões ao centro para equilibrar o peso. Devem caber uns 30 veículos ou mais incluindo carros e caminhões. A passagem é cobrada a bordo e pode ser paga em pesos chilenos, argentinos ou dólares. Preferi fazer o pagamento em dólares porque o cambio estava bom. Paguei 29 dólares pela travessia.

O vento relatado anteriormente lá no Paso Austral, não se apresentou na travessia. Pegamos um Mar de Almirante (Comodoro) muito mais tranqüilo que a praia de Camburi em Vitória.  

No transbordador tem uma parte para passageiros com uma pequena cafeteria que tem café, sanduíches, refrigerantes, etc.

Mas, voltando às considerações da estrada quero relatar uma coisa que me entristece muito: Dá uma grande amargura a quantidade de guanacos mortos por atropelamento entre San Juan até Rio Gallegos e até o embarcadouro.

Quando começamos a contar, contamos mais de 30 atropelamentos e como são animais de médio a grande porte, não existem aves de rapina e a temperatura local e baixa, suas carcaças ficam apodrecendo por dias na Ruta (estrada).

Dá uma pena incrível, pois quando morre um guanaco, os outros guanacos ficam como que aturdidos próximo ao corpo do guanaco que morreu, como que não entendendo o que estaria acontecendo com seu companheiro já sem vida. Tal procedimento próximo da carretera podem transformar os mesmos em futuras vítimas.   

Atravessamos o Estreito de Magalhães e pegamos uma estrada de boa qualidade por alguns kilometros para após pegar uma estrada que seria um misto de terra e rípio que maltratou bastante não só a Nissan que é bastante robusta como outros autos e caminhões.

Como é um estrada utilizada quase que na sua totalidade por veículos que se dirigem a Argentina o Chile “finge” que faz a manutenção da via. São em torno de 148 km que venci em aproximadamente 3 horas por ter um carro mais adaptado ao off-road.

A dica para esse trecho, para evitar poeira e um viajar mais tranqüilo, é quando desembarcar em terra procure logo passar os caminhões que vieram no seu transbordador e se manter entre os dois fluxos de veículos. O fluxo que veio na sua balsa e o fluxo que antecedeu a sua balsa. Devido às condições da via, para passar pelos caminhões, mesmo em uma reta, são necessárias três coisas: Sorte de a estrada ficar um pouco mais larga naquele ponto, perícia da condução do veículo e ter tração 4x4 e potência de motor para realizar a ultrapassagem o mais rápida possível, pois a nuvem de poeira faz com que a visibilidade fique zero por uns 10 segundos mais ou menos. É puro instinto ...

Só percebi esse detalhe por estar trafegando em uma média mais elevada, e mais à frente peguei o outro “lote” de veículos. Haja poeira. Continuando a viagem, já próximo de San Sebastian, peguei outro lote. Resumo da ópera: Apressado como pó e como.  

Os trâmites aduaneiros à frente são muito tranqüilos. Primeiro vem o Chile onde você entrega o papel recebido na fronteira anterior referente à admissão temporária do veículo e mais a frente tem o da Argentina onde você novamente ingressa em território argentino.

Não sei quanto tempo perdi, mas no do Chile quando terminei os caminhões que eu tinha passado na última leva, estavam chegando.

Tem um ditado árabe que diz o seguinte: Se o cavalo ganhou uma vez, sorte. Se o cavalo ganhou duas vezes, coincidência. Se o cavalo ganhou três vezes, aposte no cavalo.

Temos sempre rezado para Deus pedindo que seus anjos nos guiem para um bom local para pouso e ao final do dia e por mais incrível que pareça, essa técnica tem dado certo.

Resultado: Fomos nos hospedar em Rio Grande no Gran Hotel Laserre que seria um três estrelas que reúne condições até superiores ao que necessitávamos para nossa estadia. É o tipo de hotel que tem aqueles mimos no banheiro (shampozinho, toquinha de cabelo, etc). O café da manhã semelhante ao do Brasil e não ao tradicional argentino (meia lunas e café com leite).  Internet wi-fi e ótimas condições. Esse eu recomendo e na volta irei fazer o pernoite ai.  Falei que fazia parte do fórum 4x4 e iria divulgar e consegui um desconto de 15% pagando então 225 pesos. Foi o mais caro até agora, mas em nossa busca pela cidade (4 hotéis) foi o mais barato e valeu cada centavo que pagamos. Deixar claro que 225 pesos equivalem a uns 107 Reais ao cambio de hoje.

Para fechar a noite em grande estilo, pois estamos merecendo uma noite especial, fomos jantar em um restaurante situado na esquina do hotel. Vou deixar vocês com água na boca: Nosso cardápio foi: Cordeiro patagônico ao forno com ervas finas, acompanhado com umas coisas muito gostosas tipo uma papa. Um malbec seleção de 14 graus, super encorpado, para acompanhar a carne, e uma sobremesa a base de nozes e cerejas que parece uma torta. Se eu soubesse que a sobremesa era tão gostosa e grande (deu para eu e Gloriete) tinha pedido só a sobremesa.  Valor da brincadeira dessa noite: 220 pesos. Dava para umas três refeições medianas por aqui. O cordeiro patagônico na lenha vou comer mais adiante.

No mais amanhã é o nosso último trecho e chegaremos ao fim do mundo.

Abraços a todos e saudades de meus filhos.

 

 

14º Dia (10 de dezembro):

Objetivo atingido:

Antes de iniciar a narrativa, gostaria de mencionar que no dia anterior, antes de chegar a cidade de Rio Grande, na travessia do Estreito de Magalhães, centenas de toninhas, um tipo de golfinho da família dos focenídeos, na cor preta e branca, acompanhavam o transbordador como que saudando nossa chegada a Terra do Fogo. Como são extremamente velozes, cruzavam ao lado e a frente do barco como que brincando conosco. Muito lindo ...

Mas vamos a viagem:

Após 8 horas de viagem para percorrer os últimos 230 km chegamos a Ushuaia. Vocês podem até questionar se houve algum problema conosco ou com o veículo e lhes direi que o único problema é que fomos rápidos demais neste trecho e poderíamos ter aproveitado mais o trajeto.

De Rio Grande até Tolhuin a estrada vai se modificando, ora passando as margens do Oceano Atlântico, ora passando por fazendas de criação de cordeiros. Em Tolhuin paramos em uma padaria para fazer um lanche e ficamos quase uma hora parados fazendo um pequeno lanche. Quem me conhece, principalmente meus filhos, sabe que eu não demoraria mais que 15 minutos para realizar tal feito.

Daí fomos para as margens do lago Fagnano e eu e Gloriete ficamos brincando como dois adolescentes correndo e jogando água gelada um no outro. Gloriete quis experimentar o sabor da água e disse que é um pouco saloba.

Continuando margeando o lago (favor visualizar a descrição no Google Earth) fomos visitar a Hosteria Kaiken. A dona da hospedaria ao saber que éramos do Brasil e fazíamos parte do Grupo de 4x4 nos convidou para um chocolate quente e algo semelhante a meias lunas.

Continuamos a viagem e mais a frente entramos em uma estrada secundária, exclusivo para autos 4x4 (dificuldade 2) e chegamos ao lago escondido em uma hosteria abandonada chamada Petrel.

Que paz !!! Que lugar lindo !!! Eu até achava que era o lugar mais bonito que tinha visto na minha vida até visitar ... ( segredo ainda).

Em uma subida muito íngreme, fora da estrada (tive que usar reduzida para subir), voltamos a estrada já no próprio Paso Garibaldi e daí, depois de muita travessura começamos a descida para Ushuaia.

Quero deixar bem claro que essas loucuras são capitaneadas pela Gloriete, que mesmo sem saber distinguir uma marcha sequer é muito mais aventureira que eu.    

Chegar a Ushuaia pela primeira vez deixa qualquer um em estado de graça. A alegria é como a de um estudante ao verificar a lista de aprovados no vestibular e ver seu nome na lista de vitoriosos. É uma sensação muito estranha.

Paramos num posto YPF, abastecemos e até hoje não vimos preços diferenciados nem para argentinos nem estrangeiros, colocamos o nosso Teccom 10 de cada dia para não congelar o diesel e nos dirigimos para a oficina de turismo para pegar informações.

Impressionante como a Argentina e o Chile cuidam em receber bem o turista com informações. A Argentina está 10 anos a nossa frente e o Chile provavelmente à 20 anos.

Para aproveitar o restante do dia, pois aqui anoitece às 22:00 horas, fomos visitar o museu  onde se localizava o antigo presídio. Entramos, vimos algumas galerias, mas quando entramos na galeria antiga que não foi reformada, senti uma sensação de muita angústia como que centenas de vozes clamavam por liberdade. Esta galeria me passou muito sofrimento, e algo parecido senti em uma visita a uma cadeia na cidade de Goiás Velho.  

Amanhã então começamos a usufruir um pouco de nosso destino final.     

Não vou ficar também dando detalhes sobre Ushuaia, pois existe muita informação na Internet sobre o que fazer nesta mística cidade.

Estarei partindo daqui a dois dias e só vou reportar algo se for de muita relevância.

O importante é que chegamos bem, um pouco cansados talvez, mas a fila anda e temos muito a fazer a partir de amanhã.

 

15º a 18º Dia (10 a 13 de dezembro):

Flashes sobre Ushuaia

Conforme mencionado, não vou me ater muito sobre a cidade, pois existe muita informação sobre esta magnífica cidade na internet. Farei apenas algumas considerações pessoais que podem vir a facilitar uma próxima viagem de vocês.

Estamos hospedados nos Apartamentos AHNEN. Trata-se de um conjunto de dois apartamentos que o Sr. Eduardo construiu atrás de sua casa. São apartamentos simples, mas estão equipados com tudo que um apartamento necessita ter para o conforto de um viajante. Podem alojar até 4 ou 5 pessoas. Desta forma para acomodar duas pessoas está excelente

O valor da diária é de 200 pesos. Por esse valor até poderíamos ficar em uma hospedagem mais próxima do centro da cidade, mas aqui estamos alojados como se estivéssemos em nuestra casa. A água quente é muito quente e tem internet no quarto.

Recomendo com ressalvas, visto que, como já mencionei, o apto não se encontra no centro do agito da cidade.  É indicado para quem vem de carro.

A cidade não é uma cidade para ser considerada como uma cidade bela. Acredito que tal condição é por que esta cidade carrega o estigma de ter sido durante muitos anos uma cidade presídio.

Quarenta por cento das casas são feias, outros quarenta por cento são mais feias ainda e os restantes vinte por cento dá para o gasto.

Em contrapartida, o Parque Nacional da Terra do Fogo é um dos lugares mais lindos e de mais paz que já encontrei em toda minha vida.

Em alguns pontos do parque eu até me questionava se eu estava vivo, pois os lugares que visitei se pareciam com aqueles lugares descritos em literatura espírita aonde a alma vai para repousar após a vida terrena.

A natureza está em perfeita harmonia e até os animais (aves, coelhos, zorritos) se aproximam de você sem muito medo. Nunca me senti num ambiente tão prazeroso. A entrada do parque custa 45 pesos, mas tudo está muito arrumado, muito limpo, muito organizado.

Uma furada é o trem do fim do mundo. Utilizando o mesmo você não conhece nem 10% do parque. É uma atração para turistas. 

Quero fazer um registro muito importante: Ao carimbar meu passaporte na agência de correio que fica ao final do parque, com o carimbo do Fim do Mundo, sem me aperceber, deixei cair minha carteira de habilitação, provavelmente no chão.

Quando me dirigi para um outro ponto do parque, em um centro de visitantes muito organizado, um guarda parque me chamou pelo nome e fui informado que minha carteira havia sido achada no ponto anterior, mas eu podia continuar minha visita tranqüilo, pois a carteira de habilitação já se encontrava na portaria do parque.

Além do guarda parque da central de visitantes, todo guarda parque que me encontrava pelo caminho, vinha também me informar sobre a carteira encontrada.

Desta forma, entendi que o universo está conspirando em nosso favor, pois imaginem perder uma carteira de habilitação aqui em Ushuaia e ter que voltar para o Brasil. Imaginem a quantidade de explicações que teria que dar nos “trocentos” postos de controle e fronteiras entre países.

Um outro passeio foi subir nas montanhas de Ushuaia e andar de teleférico até o Glaciar Martial. Foi a primeira experiência de neve da Gloriete. Ela ficou doida ... Recomendo também esse passeio, bem como os museus da cidade. Eles preservaram bastante sua história.

Amanhã vamos passear de barco pelas ilhas. Hoje fomos a um lugar fora de Ushuaia, chamada de Estância Haberton que foi um missionário que veio desenvolver um trabalho por aqui. Você roda quase 180 km em estradas sendo 90 em estrada de chão (ida e volta) e quando chega lá não tem nada de especial.  Uma furada.

Estamos caminhando muito pelo comércio bem como nos pontos que estamos visitando. Como tínhamos feito uma preparação física antes da viagem não estamos nos sentindo cansados.

O que nossos organismos estão sentindo, e muito, é com relação ao relógio biológico. Às 04h00min já está clareando o dia e às 23h00min a noite ainda não chegou. Isso é ótimo quando se está trafegando na estrada, mas fica complicado quando você para num lugar e começa a viver o cotidiano.

Último dia em Ushuaia:

Segundo os registros meteorológicos, durante apenas 3 dias no ano ocorrem em Ushuaia às seguintes condições de climáticas: Sol durante todo o dia, ausência total de vento e mar infinitamente calmo. Pois foi isso o que ocorreu para brindar nosso passeio de barco pelo Canal de Beagle. O sol está tão quente que Gloriete está usando protetor solar fator 50 em Ushuaia e mesmo assim queimos todo o rosto. Juro por Deus que não estou mentindo.

Optamos por utilizar um barco pequeno (até 26 passageiros) que permitiria, por seu pequeno calado, uma melhor aproximação das ilhas e o desembarque em uma delas.

A empresa contratada foi a Patagônia Adventure Explorer. O valor do passeio por pessoa foi de 165 pesos + 6 pesos da taxa de utilização do porto. Vale cada centavo.

Primeiro fomos ao Farol do Fim do Mundo, depois a uma ilha de lobos marinhos (muito menos quantidade que a Península Valdez), depois em uma ilha de cormorones e finalmente desembarcamos em uma ilha onde fizemos um tour a pé por 1 hora observando a fauna e flora.      

A empresa tem um perfeito serviço de bordo com chá, café, chocolate, biscoitos diversos e ao final do passeio um brinde com licor de café. A guia, Srta. Daniela, muito atenciosa deu todas as explicações em espanhol e inglês para usufruto da expedição.

Fomos com grupo de terceira idade oriundo da Holanda. Alias como tem holandês e alemão por aqui. A mais novinha do grupo tinha 66 anos e o mais velho 86 e todos em plena forma. Deve ser por causa da qualidade de vida em seu pais.

Uma coisa incrível está acontecendo: Eu até tenho certa fluência em inglês e não vejo muita dificuldade em me comunicar, mas a Gloriete sem falar uma palavra de inglês tem o mesmo sucesso que eu e somente algumas vezes tenho que intervir. Da mesma forma, durante toda a viagem nunca vi a Gloriete tão conversadora com as pessoas e falando somente em português. Isso é uma prova inequívoca de que não seremos mais os mesmos depois dessa viagem.  

Hoje também Ushuaia estava recebendo 3 cruzeiros marítimos. Cada navio trazia pelo menos uns 1500 turistas. Era um entra e sai de ônibus na via adjunta do porto que vocês não podem imaginar. Desses 4000 ou mais turistas, não vi um jovem sequer nem ninguém com aparência de menos de 50 anos. Um navio vinha da Noruega, outro dos Estados Unidos e outro com destino a Antártica vinha de Buenos Aires.

Nenhum planejamento é perfeito em uma viagem dessa natureza. Não previ que a Nissan iria ficar tão suja até chegar aqui. Não sabia que o trecho em território chileno estava tão ruim e com tanto pó. Resultado: Domingo, às 3 horas da tarde, após o passeio de barco, aproveitamos o tempo disponível até o jantar para fazer uma lavagem completa na Nissan. O preço foi um pouco alto = 150 pesos.

Nunca vi tanta lama por baixo do carro. Ao final da última lavagem, eles usam água quente para lavar a carroceria e a pintura fica linda. Posso afirmar que a Nissan Amarela, neste momento, é o carro mais lindo de Ushuaia.

Assim que acabou a lavagem, fomos abastecer no mesmo posto do dia da chegada e o frentista quis tirar uma foto do carro. Muitos transeuntes faziam sinal de positivo quando passávamos na Rua San Martin. Sucesso total. 

O lavadero chama-se Max 20 e fica na Rua Magalhães 1525 e é operado por imigrantes da República Dominicana que trabalham 24 horas por dia, 7 dias por semana. Me perguntaram sobre o grande cantor Alexandre Pires que é o maior sucesso na República Dominicana. Eu respondi que ele era tão famoso no Brasil quanto eu, ou seja, ninguém conhece.

No posto de serviço que abastecemos o frentista era peruano. Pegamos também taxi por duas vezes e os motoristas eram da Bolívia e hoje vamos jantar em um restaurante de chilenos que preparam uma boa comida do mar. Ou seja, quem pega no pesado por aqui são os imigrantes. Os argentinos parecem que só trabalham até Rio Gallegos. Na Terra do Fogo somente administram o trabalho dos imigrantes.

O último jantar em Ushuaia:

Resolvemos mais uma vez sair do sério.

Procuramos três casas de pescado e todas as três estavam cerradas porque hoje é domingo.

Procuramos então um restaurante que preparava cordero assado fueguino e fomos apreciar essa outra especialidade gastronômica da região.

Acho que era um restaurante fino, pois as pessoas chegavam à porta, davam uma olhada nos preços do cardápio e seguiam em frente.

Nunca tivemos dinheiro, mas temos muito estilo e como a Nissan Amarela estava parada em frente ao restaurante ficava muito difícil que o garçom não tivesse uma opinião favorável sobre nós.

Comi uma das melhores carnes de minha vida. Superou o cordeiro de Rio Grande. O nome do restaurante é La Rueda e a refeição com um bom vinho, água mineral e 2 cocas ficou em 182 pesos. Com propina opcional ficou em 200 pesos. Acho que o encareceu foram as coca colas. No próximo jantar vou procurar evitar consumir coca colas.      

O cambio aqui em Ushuaia de Real para Peso está situado em 2,08 pesos para 1 real.

Acabamos nosso jantar às 21h30min horas e fomos dar uma volta a pé pela cidade, mas antes passamos protetor solar, pois o sol estava muito forte.

Voltamos para o apartamento e Gloriete esta começando a organizar a bagagem para nossa partida manhanã muy temprano.

Uma boa noite e inicia-se a fase 2 de nossa expedição.

 

 

19º Dia (14 de dezembro):

Olá !!!

Mudamos a metodologia com relação à correlação dos dias da viagem com relação à data do mês.

Primeiro porque quando se viaja perde-se um pouco do controle de datas e depois que com certeza a cada dia que se passa temos certeza que não alcançaremos o destino final e teremos que abortar algum trecho, ao final, pós Mendoza. Não por falta de dinheiro, problemas, ou saúde e sim por falta de tempo.    

Vamos então ao relato:

Últimas considerações sobre Ushuaia:

Partimos ontem, segunda feira, dia 14 de dezembro, às 05h30min horas impreterivelmente conforme previsto, pois o trecho até Punta Arenas seria longo e bastante trabalhoso.

Ushuaia não é uma cidade Argentina. É uma cidade do mundo onde aportam pessoas de todas as nacionalidades para conhecer ou em busca de algum nicho de negócio ainda não explorado. Incrível que como que lá em Ushuaia não se percebe o “espírito argentino” como se percebe em Rosário ou outra cidade do interior argentino.

O Argentino apenas detém a posse do território, mas aqui em Ushuaia é terra de todos.

A viagem até Punta Arenas:    

Dirão vocês que fantástico piloto é esse que vence uma distância de quase 480 Km, atravessando o Paso Garibaldi pelos Andes debaixo de uma névoa escura com se fosse uma fuligem, dirige debaixo de chuva até Rio Grande, perde um pouco de tempo em abastecimento de combustível extra, faz o trâmite de duas fronteiras reconhecidamente burocráticas, viaja em estrada de rípio por quase 14º km e chega ao ponto do transbordador em 6,5 horas (seis horas e meia) de viagem

Trata-se apenas de piloto guerreiro que em sua viagem de retorno descobriu, através de conversa com motoristas de empresas de petróleo que existia outro caminho entre a aduana chilena e o porto de embarque do transbordador.

É uma estrada usada por chilenos e motoristas que conhecem o trecho e onde um louco pode andar a mais de 120 km por hora em pleno rípio de alta qualidade. É claro que não passei de 90 km por hora e mesmo assim depois de algum tempo coloquei a tração 4x4 por uma questão de segurança.

Resumo do segredo: Aquele trecho mencionado na viagem de ida onde vencemos essa parte em 2,5 horas e meia e com grande audácia, pode ser feito com muita segurança em 1,5 horas passeando e olhando a paisagem. É claro que não existe indicação deste caminho como se fosse o caminho correto. Como estou sem tempo agora, quando chegar ao Brasil vou pegar o Google Earth, vou plotar as informações.

Ao chegar no porto do transbordador, chegaram uns 5 minutos após, um casal baianos que estavam vindo das Ilhas Malvinas. Isso sim é que deve ser viagem. Eles vieram até Punta Arenas de avião, foram as Malvinas também de avião e no retorno alugaram um carro para visitar Ushuaia. Cabe ser ressaltado, que ir as Malvinas só tem um vôo por semana e obriga a ficar no arquipélago por uma semana. Vou pesquisar isso ...

Esse casal passou pela aduana do Chile com uma diferença de tempo de quase 1 hora antes de nós e chegaram uns 5 minutos depois. Isso confirma a vantagem do caminho alternativo.

Atravessamos no transbordador sem problemas com as toninhas acompanhando a travessia por todo o percurso e do outro lado pegamos um tapete de pavimentado que eles chamam de rodovia no Chile e chegamos 2 horas depois em Punta Arenas viajando grande parte do tempo pelas margens do Estreito de Magalhães em uma viagem muito bonita.

Curiosidade: A medida que a estrada se aproxima de Punta Arenas, o pavimento vai ficando como que “frisado” em frisos muito finos para que no inverno o auto tenha maior aderência.

Atividades em Punta Arenas:

Não somos mais jovens e tomamos a decisão de que não iremos nos sacrificar e sair tão temprano para viajar. Só em último caso. Se não der para completar o percurso, pedimos antecipadamente desculpas.

Como falamos saímos às 05h30min horas e às 14h30min estávamos chegando a Punta Arenas. Como não tínhamos um peso chileno sequer, nossa primeira necessidade era fazer um cambio de moneda até mesmo para comer ou colocar combustível.

A solução encontrada foi então entrar na área de Zona Franca que fica a esquerda da via de acesso a cidade, logo na entrada, estacionar o carro logo na entrada da área do primeiro Shopping Center e nos dirigir a um quiosque de cambio. Trata-se uma operação mais simples do que ir a um caixa de banco no Brasil.

A cotação ontem era de 492 pesos por dólar. Hoje vou trocar mais um pouco, pois acredito que esse cambio será melhor do que o cambio que encontraremos em Torres de Paine e Carretera Austral.

O valor acima será também um referencial para vocês terem uma idéia de nossos custos por aqui.

Bem, chegamos, fizemos cambio e com dinheiro no bolso fomos procurar a hospedaria que tínhamos mais ou menos reservado.

Achar a hospedagem foi mais fácil de achar do que achar algum ponto na cidade de Vitória por exemplo. Punta Arenas é uma cidade retangular, portuária, com sua costanera, e como 2 avenidas importantes em um sentido e 1 avenida cortando essas duas. Não tem como se perder.

Chegamos a hospedaria e vimos mais barracas armadas no quintal do que em um camping. Procuramos o dono que nos informou que os quartos internos estavam todos ocupados. Havia “bichos grilos” de todo o mundo, principalmente oriundos de Israel. Realmente essa não era nossa praia.

Pedimos uma indicação sobre uma outra hospedagem a nos foi indicada Hospedagem Mreya situada na Calle Boliviana n. 375.

Nossa primeira impressão não foi boa. Em Punta Arenas é um costume muito antigo, de cidades portuárias, de os habitantes dedicarem uma parte de sua casa a visitantes que buscam pouso.

Este é o caso da hospedaria em si. É como se fosse à casa de uma tia velha sua que você não visita a mais de 30 anos e de repente vem visitar. Obviamente isso tem um custo e esta saindo 7500 pesos por pessoa por dia com direito a café da manhã e um bom papo com os proprietários.

No nosso caso a proprietária tem 82 anos, faz serviço voluntário no hospital da cidade e sua filha Mreya (57 anos) e seu filho Cesar (60 anos), ambos solteiros, cuidam de tudo.

A noite a Sra. Mryeia e o Sr. Cesar são arrendatários de um restaurante no Club Magalhães (futebol) e a comida é muito boa e barata e a especialidade de la casa são as empanadas. Cada empanada chilena custa 600 pesos.

Ao final da tarde ainda fomos visitar o Forte Burnes, o Puerto Hambre e a Bahia Calma onde ficam os barcos pesqueiros que trabalham com a pesca de centoula.

À noite jantamos no restaurante dos proprietários da pousada e tudo ficou em 5000 pesos. Devo deixar claro que esse não é o preço de uma refeição normal por aqui. Estarei enviando outros preços para vocês terem uma idéia.

Abasteci pela primeira vez com o diesel chileno. Não usei o aditivo Teccom 10 dessa vez e durante minha estada no Chile e não vou usar. Se o diesel Argentino já era bem superior ao diesel do Brasil, o diesel do Chile é tão melhor na mesma proporção. Ou seja, o maior pais do continente continua oferecendo para seu povo o pior combustível do mundo.  

Gloriete está com uma pequena indisposição intestinal mas nada sério. Coloco esse particular neste relato como que um aviso para que vocês tomem o cuidado necessário em uma viagem dessa natureza. Nada que um restaurador de flora intestinal e um IMOSEC e um com chá com torradas por 1 dia não resolva. O causador de tudo, ela acredita que tenha sido a orgia gastronômica do cordeiro patagônico em Ushuaia.

Estarei enviando mais notícias.

 

 

20º Dia (15 de dezembro):

Com a indisposição da Gloriete, ficamos um 1 (hum) dia a mais do que o planejado na cidade de Punta Arenas no Chile. Tal decisão foi tomada até mesmo por questões de segurança de nossa travessia, pois a cidade aqui teria muito mais recursos no caso de uma evolução do quadro clínico.

Entretanto, tranqüilizo a todos, pois agora, às 19h00min horas, do dia 15 de dezembro, Gloria está descansando um pouco, visto que daqui a pouco vai iniciar a faina do rearranjo na bagagem do carro. Amanhã cedo, com muita tranqüilidade, iremos partir para a cidade de Torres del Paine. O mais difícil é isolar a luz solar que às 04h00min horas da manhã já se faz presente inundando o quarto.

Da mesma forma / metodologia que usamos para descrever nossa estadia em Ushuaia, iremos descrever nossa estadia em Punta Arenas, ou seja, não vou tecer maiores comentários sobre a cidade.

A Internet é por demais rica em detalhes sobre esses lugares. Vou me ater somente às minhas impressões pessoais e conversas com os habitantes.

Considerações sobre Punta Arenas:

Como já tinha comentado a cidade é bem traçada. É impossível uma pessoa se perder. Nas avenidas maiores, existem 3 pistas de rolamento. Se você vai virar no futuro à direita, fique na pista da direita. Se seu propósito é a esquerda, fique na pista da esquerda. Se for em frente, fique no meio. O tráfego flui e ninguém atrapalha ninguém. Quem sobe ou desce, visto que a cidade é um pouco inclinada, tem a preferência nos cruzamentos.

Voltando a falar na hospedaria que a Gloriete resolveu denominar de Hospedaria Deus nos acuda, existe mais um hóspede. Trata-se do Sr. José Carlos que exerce a função atual de desarmador de navios 

Gloriete colocou esse nome na Hospedaria porque onde estamos hospedados, seria para ela, a última opção de hospedaria em uma cidade e no desespero por não encontrar um pouso para dormir, você evocaria Deus e ele conseguiria pelo menos um local para seu pouso emergencial.

Como toda virginiana, Gloria aproveitou para dar uma faxina em toda a cozinha disponível para os hóspedes e só não continuou pela sala e outros aposentos porque eu não deixei. Se ficássemos uma semana por aqui Gloria dava um jeito em tudo e até mandava dar uma pinturinha externa na hospedaria.

No meu entendimento ela esta sendo muito exigente nessa viagem, pois para mim está melhor do que um camping e melhor também do que algumas vezes que dormimos dentro da Nissan na viagem ao Atacama, no meio do nada, na região do Chaco na Argentina. Aliás, já tenho 2 propostas para compra da barraca que compramos e que não usamos até agora.      

Conforme mencionamos o outro hóspede, o Sr. José Carlos é um desarmador de navios.  Que profissão é essa ??? Trata-se de um nicho de mercado que compra um barco semi-usado a preço de banana e vai desmontando o mesmo, peça por peça, separando todos os materiais e dando destino diferente a cada parte, sejam elas metal, madeira, instrumentos, partes de motor, etc.

Ele é como se fosse um gerente de ferro velho de navios. Dá até para garimpar alguns instrumentos que farão parte da decoração de uma sala de algum amante de barcos pelo mundo bem como usinas de reciclagem de ferro para nova fundição. Eu pensei que tal serviço fosse feito somente em traineiras (barcos pequenos), mas ele falou que nesse momento ele está desmontando um barco pesqueiro de 68 metros em uma praia fora da cidade.

Trata-se de um serviço pesado e perigoso, visto que se inicia primeiramente na água e depois vai arrastando o barco para a praia. Tal serviço tem um limite temporal e só pode ser feito na época de verão, pois no inverno é impraticável por causa da neve.

Vírus no salmão:

Como várias pessoas tem conhecimento (eu soube de tal fato ano passado no Brasil), a indústria pesqueira de salmão do Chile, ao se tornar a maior do mundo, foi sabotada,  provavelmente, pelos Noruegueses.

Foi disseminado nas águas próximas a Puerto Mont um vírus que ataca os salmões, provocando sua morte, antes mesmo de atingirem um tamanho comercial apropriado.

É por isso que no Brasil os salmões oferecidos, principalmente nas Redes Carrefour e Wallmart, são de tamanho pequeno e preço baixo. Fiquem, entretanto tranqüilos, porque o vírus isav (infection salmon anemi vírus) só ataca o salmão.

Isso me lembra a história da vassoura de bruxa anos atrás na lavoura de cacau no Brasil, só que aqui no Chile a vacina foi descoberta justamente pelos Noruegueses, depois de comprarem a maioria das empresas chilenas que trabalham com a pesca de salmão. Deu para sentir a coisa. O Chile não divulgou tal fato, pois ai sim, não exportaria mais um salmão sequer, principalmente para o Brasil.  

Com isso a frota de pesqueiros ficou ociosa e muitas empresas quebraram, ficando com seus barcos abandonados. Nesse nicho de mercado atua então o Sr. José Carlos.

Estimasse que serão necessários de 3 a 5 anos para a indústria pesqueira chilena voltar a produzir salmão. Fala-se também que o futuro da indústria processadora será em Punta Arenas, em área ainda não contaminada, e não mais a região de Puerto Mont e seus foirdes.

Tours por Punta Arenas:

Hoje de manhã nossa primeira visita foi ao cemitério local. Vejam a descrição do mesmo na Internet, mas posso assegurar que é algo diferente.

Você caminha por alamedas de pinheiros muito bem cuidados e parece até um lugar que já vi em filmes. Não é um lugar que nos remete a um estado de morte e sim um lugar para evocar recordações dos entes queridos que já partiram.

Visitei vários túmulos que mais parecem igrejas e o que mais me chamou atenção foi o túmulo do índio desconhecido que realmente tem uma vibração especial pois muitas pessoas fazem peregrinação ao local fazendo seus pedidos. Existem centenas de plaquinhas de agradecimento por graças alcançadas. Você faz um pedido e se o desejo se concretizar você tem que retornar e colocar uma placa.

Não pedi nada de especial, apenas que ele nos acompanha-se em nossa viagem nos protegendo e quem sabe terei que voltar aqui (André e Marquinhos).

Existem muitos cachorros vagando pelas ruas, mesmo na praça principal da cidade que é linda. Eles andam em bandos de 20 a 30 cachorros como lá na cidade de San Pedro de Atacama no norte do Chile liderados como lá sempre por cachorros baixinhos (não sei porque – acho que porque baixinho é sempre invocado).

Convivem muito com os humanos e de sua parte os humanos não se incomodam com sua presença. Deve ser típico de uma cultura como existe lá no Atacama onde o cão sempre fez parte do processo de desbravamento da terra. Em vários monumentos aqui em Punta Arenas, vêem-se sempre o homem, as ovelhas (cordeiro) e seus cães pastores.

Depois da visita ao cemitério, fomos a uma pinguineira situada fora da cidade uns 65 km. Não foram observados tantos pingüins como na Península Valdez na Argentina, mas vimos os mesmos em um habitat diferente.

Pagamos 2000 pesos para percorrer uma estrada e 5000 pesos por pessoa para percorrer a pinguinheira e na hora em que chegamos muitos já tinham ido para o mar, pois eles saem na parte da manhã para se alimentar e voltam ao por do sol.

Filmei quase 20 minutos da vida dos pingüins e independente do atingimento do objetivo, achei que 22 dólares (preço convertido) é um preço muito alto para ver poucos pingüins.  Realmente os valores praticados no Chile não são para mim e acredito para a maioria dos brasileiros. 

Existe também uma ilha chamada ilha Margarida que tem uma pinguinheira muito maior. Entretanto, haveria necessidade ter um tempo maior para visitar e não temos, bem como 50 dólares por pessoa. É muito caro para ver pingüins.

No retorno fomos então visitar (compras) a Zona Franca de Punta Arenas e não percebemos nenhuma vantagem com relação à Cidade del Leste no Paraguai. Os perfumes que minha nora me indicou tinham os preços iguais aos do Shopping Vitória e desta forma não comprei nenhum.

Um dos meus filhos me pediu também um jogo e este jogo ainda não chegou por aqui. Viva nuestro Paraguai !!!

Abasteci a Nissan. Vou dar um doce em meu retorno, para quem adivinhar o consumo de combustível da Nissan com combustível do Chile. Façam suas apostas, pois no próximo e.mail, vou dar a resposta a respeito de quanto foi o consumo. Teccom 10 no Chile iria quebrar. Só volto a usar quando retornar ao território argentino. 

Só posso adiantar que andei no mesmo ritmo de velocidade que venho andando e que o combustível oferecido pela toda poderosa Petrobrás no Brasil é uma m...

O preço do diesel aqui tem o custo médio de 460 pesos, o que equivale ao cambio de hoje a uns 1.58 reais. É claro que o cambio muda, mas é só para vocês terem uma idéia de quanto pagamos a mais em nosso pais. O carro abre velocidade muito rápido e tem uma retomada bem maior.

Volto a colocar que eu e Gloriete somos viajantes e não turistas. Se existe uma cozinha disponível assumimos (Gloria assume) e prepara uma comida caseira. Isso não parece, mas trás uma economia fantástica, porque uma refeição de 40 dólares passa a custar 5 dólares.

Em cada cidade vivemos o dia a dia das personas. Gloriete já esta hablando espanhol com certa fluência. Agora enquanto eu estou em uma mesa escribindo para ustedes, Gloriete esta vistando las tiendas hablando com las personas.

Vamos cenar com José Carlos. Gloriete vai fazer uma típica comida brasileira (Sopa Maggi) para o Chileno que está a mais de três meses sem ver la família.

Jantar na hospedaria Deus nos acuda:

Gloriete está lá na cozinha e diz que está bem, preparando nossa cena, O Sr. Jose Carlos está preparando uma carta a qual eu serei o portador para seu filho que se encontra agora na cidade de Puerto Aisen em la Carretera Austral. Deixo claro que o chileno é um excluído digital. Poderia enviar um e.mail para seu filho que aniversariou ontem.

Quando converso com o Sr. José Carlos me lembro da época em que trabalhei em Recife e estava longe de minha família e até hoje meus filhos não sabem da saudade que eu sentia na época.

Era o que os escravos chamavam de BANZO,  que era uma coisa típica nos escravos com saudades da África. Lá em Recife a saudade de meus filhos era tão grande que os ossos todos doíam. Era como que uma dor subjetiva que não tinha novalgina que passasse e agora estou colocando esse meu particular para vocês.

Gostaria de dispor mais tempo para escrever, mas estamos em viagem e tenho que ser breve. Quem sabe um dia venhamos a fazer parte de um grupo e partir sem rumo. Estradas à frente, buscando ser mensageiros principalmente da paz.

É, parece que a aproximação do Natal está me deixando sentimental demais, mas quem me conhece sabe que sou o mais italiano dos descendentes portugueses no Brasil.

Continuem torcendo por nós e depois de jantar com Sr, José Carlos a minha saudade de Marquinhos e André aumentou muito. Que Deus os abençoe ... 

Um abraço a todos.

 

 

21º Dia (16 de dezembro):

Boa noite a todos os amigos e familiares que estão no Brasil bem como a todos os meus irmãos argentinos.

Primeiramente vamos ao resultado de nosso concurso de ontem. O consumo da Nissan com o óleo diesel chileno foi de 13,8 km por litro. Como ninguém se aproximou do resultado, o premio de 12.000 dólares para a resposta correta fica acumulado para o próximo concurso.     

Hoje já é noite de sexta feira (viernes), mas devido a problemas com disponibilidade de internet em Torres del Paine, somente poderemos enviar mensagens a vocês, amanhã, no sábado.

Mas vamos às notícias ocorridas no dia (16 de dezembro):

Viagem extremamente tranqüila até Puerto Natales. Continuo não ultrapassando os 110 km por hora nas retas até mesmo para não forçar o motor do veículo. Tal procedimento dá muito sono, pois as estradas são muito boas, mas o que há de se fazer !!! Também perdemos a paciência e não estamos mais fazendo mais cálculos de kilometragem que rodamos.

Estamos entrando num estado de laisse fair, ou seja, qualquer coisa que vier é lucro, visto que o objetivo de atingir Ushuaia já foi alcançado e agora é trazer a Nissan de volta para casa, mesmo por um caminho mais longo, e no final correr para o abraço, principalmente dos filhos.

Deixamos a cidade de Punta Arenas e até diria que, mesmo sendo uma cidade muito organizada, não seria uma cidade a ser incluída num roteiro turístico. 

Em uma viagem dessa natureza, nunca se sabe como o clima irá se comportar e pegamos até um pouco de chuva entre Punta Arenas e Porto Natales. Chegando nessa última cidade, a primeira coisa que fizemos foi nos dirigir ao centro de informações turísticas onde obtivemos informações sobre a cidade e sobre o próximo destino, Torres del Paine.

É incrível, mas todas as cidades pelas quais passamos, tem sempre um centro de informações turísticas. Isso gera emprego, divulga a cidade e cria um compromisso nos prestadores de serviço a desempenharem bem suas funções junto ao turista.

Em nossa programação (esqueçam daqui para frente qualquer programação) estava previsto a realização de um pequeno lanche em Puerto Natales e daí para frente uma viagem até Torres del Paine.

O pequeno lanche se transformou, por indicação, em um almoço e ai fomos almoçar na PICADA DEL CARLITOS. Salmão e Peixe Congrio na faixa de custo de 4500 pesos (9 dólares). Eu pedi o meu Congrio ao pobre que é como pedem aqueles que querem uma boa quantidade. Gloriete foi de salmão.

Para se ter um calculo de valores aqui no Chile, favor multiplicar o valor por 2 (dois) e dividir por 100 (cem).

Exemplo: Um almoço de 12.000 pesos para um casal, multiplicado por 2 e dividido por cem equivale a 24 dólares. Queremos deixar claro que somos um casal de classe média baixa e o Chile definitivamente não é para nosso bolso.

Abastecemos no Posto Esso na saída da cidade. O preço estava um pouco superior a Punta Arenas. Não recordo o preço, talvez um pouco, o equivalente uns 5% (cinco por cento) com relação à Punta Arenas.

Depois de 1,5 horas trafegando em lindas estradas de rípio, com paradores estratégicos para fotos, chegamos à entrada do parque. O preço de ingresso, para não chilenos, é de 15000 pesos (30 dólares). Entretanto, você pode ficar no parque por prazo indeterminado (dá vontade). Você recebe mapas e orientações das atendentes e começa a se interar das atrações percebendo também que está entrando na zona de preços mais cara do mundo. Bem vindo ao Paine ...

A estrada a partir da entrada do parque, que já era bonita, fica então cinematografica. Após uns 16 km chegamos ao nosso parador que seria o Camping Peoe, Este camping fica em uma pequena península do lago e a visão que se tem das montanhas e simplesmente letárgica / hipnótica. Você não sabe se arma a barraca ou se fica olhando para a montanha.

O preço da estadia é 8.000 pesos, por pessoa, somente para armar a barraca e poder utilizar as instalações. É claro que existem algumas cabanas ao valor de 70.000 pesos, mas as pessoas geralmente vão para acampar e ficar em contato com a natureza.

Escolhemos um local em um bosque próximo as margens do lago. Muito lindo, mas descobrimos a noite que era mais úmido que os locais próximos a administração. A névoa baixou a partir das 22h00min horas (bastante luz ainda) e você não via nada a um metro de distância.

Os pássaros já estão acostumados com as pessoas e o maior perigo é você pisar em um deles. Muitos pássaros em seu redor, mas o que mais nos impressionou são umas gralhas pretas que ficam te observando e ao primeiro descuido roubam os alimentos tipo pão ou fruta que ficaram em cima da mesa.

As barracas são armadas em lugares pré-estabelecidos, com um abrigo coberto, como se fosse um meio chalé, para que possa haver uma proteção contra o frio, o vento, a chuva e a neve no inverno. Muito boa idéia ...

Existe também um mini – mercado na sede administrativa onde se encontra de tudo um pouco. Um restaurante muito bem transado e “de cara” para o lago e a montanha  completa as instalações. Pessoas de todo mundo, exceto brasileiros, são o público alvo deste camping.

Após Gloriete montar a barraca, pois trata-se de uma atividade que requer um jeito todo especial para a coisa, fomos ao restaurante tomar uma sopa quente e ficar olhando, olhando, olhando a montanha em um ambiente com calefação.

A partir de 21h00min horas a temperatura começou a cair bastante e minha última conferida no termômetro que fica na Nissan indicava 4 graus centigrados.  O problema não era o frio e sim a sensação térmica devido à umidade.

Fomos para a barraca, conversamos e agradecemos a Deus por estarmos em um lugar tão lindo.

 

 

22º Dia (17 de dezembro):

Dedico a narrativa do dia de hoje a todos aqueles que às vezes acreditam que estão vivenciando uma situação bastante adversa em sua vida, quando na verdade esse problema faz parte de um conjunto de circunstâncias positivas mas que não podem ser percebidas naquele momento.

Diante desta adversidade, podem até mesmo vir a perder a confiança em si próprios e maldizer os desígnios de Deus o que os levam ainda mais a se abaterem diante de uma situação que não estava prevista. 

Entretanto quem sabe, se tal incomodo não seria uma oportunidade concedida por Deus para o nosso crescimento pessoal e espiritual e nos livrar de um mal maior que poderia vir ocorrer à futuro.

Estão curiosos !!! Chega de filosofia. Leiam com atenção o descritivo desse dia e tirem suas conclusões.

Acordei antes das 06h00min da manhã ouvindo o canto dos pássaros que chegava até a nos incomodar.

O dia já ia alto, e ao sair da barraca quentinha (excelente noite) notei que o pneu traseiro da Nissan estava meio baixo. Verifiquei então os outros. Estavam até um pouco “barrigudos” devido talvez a temperatura fria da noite, mas não meio vazios como o pneu traseiro esquerdo.

Diante da beleza fantástica daquele local, eu não queria acreditar que estivesse com um pneu furado e sim com algum problema na válvula de encher (pisto) que poderia ter deixado escapar algum ar devido às condições da estrada de rípio que tinha enfrentado até aquele lugar.

Entretanto, com pneu furado ou apenas meio vazio, eu estava com um problema e tinha que resolver isso rápido para não comprometer o dia.

Tinha duas alternativas pela frente: Levar o carro para um gramado próximo da administração do camping e trocar o pneu, ou retornar uns 8 km pela estradinha que tínhamos chegado, em um lugar onde eu havia solicitado informações, e que eu me lembrava que havia como que uma pequena oficina de manutenção.

Seria jogar com a sorte, será que o pneu agüentaria aqueles 8 km ??? Havia uma grande chance deles disporem de um compressor de ar, e se o problema fosse somente o da falta de ar no pneu, seria o melhor dos mundos, e  o problema estaria então resolvido.

Retornei então sob velocidade moderada (a uns 20 km por hora) pelos 8 km daquela estrada cinematográfica até o ponto em que se encontrava a oficina.

Chegando lá, fantástico, os “caras” tinham uma oficina mecânica completa. Tratava-se  de um pequeno estaleiro para a execução de reparos de barcos que navegavam por aquele lago.

Enchi então cada pneu com 32 libras, pois desde a saída do Brasil não tinha verificado a calibragem dos mesmos. Confesso que tal procedimento deveria ter sido feito pelo menos a cada 2000 km, mas como meus pneus All Terrain da Bf Goodrich geralemente não alteram sua pressão às vezes por meses, eu estava tranqüilo.

Fiquei torcendo para que o problema tivesse sido resolvido e iniciei então meu passeio diário pelo parque.     

Antes de continuar a narrativa, deixem-me colocar um outro detalhe que não mencionei: Em minha programação de viagem, estava previsto justamente a troca dos 2 pneus traseiros quando chegasse à Argentina ou quando estivesse no retorno para o Brasil.

O preço de pneu na Argentina é 40% mais barato que no Brasil. Viajei com os pneus da frente em boas condições (80% da condição de novos) e os traseiros, já passando um pouco de meia vida ( 40% da condição de novos).  

Mas voltemos à narrativa;

Com os pneus cheios e calibrados, fomos a um ponto do parque de onde sairia um passeio de barco.

Fizemos nossa reserva para o horário das 14h30min horas e como tínhamos muito tempo disponível, pois ainda eram 09h00min horas, resolvemos continuar nossa visita pelo parque.

Ao voltarmos para o estacionamento, constatamos uma triste realidade: O pneu que havíamos completado com ar estava começando a se esvaziar. Ele estava furado mesmo.

Ligamos o carro e nos pusemos “pé na estrada”, pois nosso objetivo foi modificado e seria então trocar o pneumático na oficina de barcos onde certamente disporíamos de muito mais recursos e até, quem sabe, alguma ajuda se preciso.

Ledo engano o meu com relação à ajuda na troca de pneu. Estávamos no Chile e o chileno é somente uma pessoa educada, mas não vai te ajudar mesmo a não ser que tenha algum interesse nesse procedimento. Seu comportamento é diferente do brasileiro e do argentino que são mais emotivos e que te ajudam sem nem mesmo te conhecerem.

Desnecessário colocar que trocar um pneu de caminhonete não é tarefa das mais fáceis.  Não se trata de trocar um pneu de um carro de passeio. Imaginem agora, a dificuldade de uma pessoa que tem um braço com limitações físicas como eu, devido ao acidente ocorrido anos atrás, o qual limitou sua ação do braço em pelo menos 50%. Nunca quis tanto ter um filho junto de mim naquela hora.

Mas tudo bem, com a ajuda da Gloriete o pneu foi trocado e decidimos que teríamos, por questões de segurança, que reparar o furo do mesmo de qualquer maneira. Volto a lembrar entretanto, que a borracharia mais próxima estava distante a quase 90 km daquele ponto,lá  na cidade de  Puerto Natales. O nosso dia então começava a ficar perdido.

Nossa dificuldade não parou por ai. Após trocar o pneu, de repente olhei para o outro pneu traseiro e notei que também estava começando a esvaziar.

Não acreditava o que meus olhos estavam vendo. Um pneu tudo bem. Mas com dois pneus furados eu não teria como administrar a situação. Eu não tinha mais um pneu de reserva (estepe) e não iria conseguir outro pneu por ali.

O que fazer ???  A borracharia como mencionei se encontrava a 90 km de distância. O pneu certamente iria esvaziar no meio do caminho mesmo que eu o enchesse de ar e eu estaria em uma situação muito crítica, em uma estrada de rípio e sem o mínimo recurso.

Mas o que ocorreu com os pneus, que mistério foi esse de furar 2 pneus de uma só vez ? Resposta: Neste parque existe em alguns lugares uma pedra de origem vulcânica que parece um sílex preto  cortante como se fosse uma navalha.

As estradas de rípio que servem a esse parque tem essa pedra em sua composição de calçamento e simplesmente os meus pneus na condição em que se encontravam eu teria 126% de chances de furar os mesmos.   

De repente surge a solução: Na oficina havia uma bomba de bicicleta das grandes, que eles usavam para encher os barcos infláveis. A mesma tinha um adaptador para que em uma emergência, pudesse ser usada para completar o ar. Não iria resolver o meu problema por completo, mas se eu de tanto em tanto tempo desse uma parada, e colocasse um pouco de ar no pneu, quem sabe poderia tentar chegar a Puerto Natales.

Pergunta se o Chileno me emprestou a bomba ??? Claro que não, pois alegou que poderia chegar algum barco para reparo e ele necessitaria da bomba. Resultado, aluguei a bomba de bicicleta por 5000 pesos (10 dólares) e ainda deixei a carteira de identidade como garantia de devolução .

Coloquei um pouco mais de ar no pneu, sem entretanto colocar a calibragem certa, pois a superfície de rodagem estaria mais vulnerável, correndo desta forma mais riscos de pegar outra pedra. Colocamos a bomba dentro da Nissan e partimos para Natales.

Muitas orações e dez kilometros adiante parei a Nissan para conferir o pneu. Até aquele ponto tudo bem, o pneu tinha esvaziado mais pouco, mas ainda daria para rodar um um outro tanto mais.

Após rodados uns 25 km comecei a sentir o carro dar uma balançadinha nas curvas. Começa então a operação bomba de bicicleta. Foram 15 minutos de bombadas. Eu toquei um pouco eu e quando cansava a Gloriete assumia e vice-versa.

A paisagem naquele local era lindíssima. Ao fundo um lago de azul turquesa, com um fundo de montanhas com rajadas de neve. Na vinda tínhamos vindo muito rápido e não tínhamos tido tempo de apreciar a paisagem com detalhes como naquele momento. 

Operação completa, pneu mais ou menos cheio, bomba guardada, seguimos em frente. Repetimos o mesmo procedimento após uns 20 km percorridos e colocamos mais uns 20 minutos de ar.

Esse procedimento se repetiu por mais uma vez e ai você vai perdendo a paciência. O tempo perdido, o cansaço tomando conta, e até mesmo porque você começa a visualizar, ao longe, a cidade e a estrada asfaltada começa a aparecer no horizonte pois estávamos começando a trafegar em um local mais plano.

O que nós pedíamos a Deus em nossas orações enquanto tentávamos chegar em Natales é que se tivéssemos que passar por dificuldades tudo bem, mas que nos desse alternativas para contornar o problema. Se ele tinha nos permitido chegar até aquele ponto, ele não iria falhar conosco. Em nenhum momento entramos em desespero pois sabíamos que iríamos no final ter sucesso e temos ainda que entregar a carta do Sr. José Carlos dirigida a seu filho quando chegarmos lá na cidade de Aisen (vocês se lembram do senhor que encontramos em Punta Arenas ? ). 

Chegamos ao asfalto. Agora só faltavam 16 km até a cidade. O pneu já estava rodando no aro e você decide continuar bem devagar não se importando mais em se o pneu vai se danificar ou não.

Rodados uns 3 km sob essas condições, aparece uma placa indicando a aproximação do campo de pouso local, um pequeno aeroporto regional. Havíamos chegado graças a Deus à civilização. Gloriete poderia ficar segura na caminhonete enquanto eu iria buscar uma solução.

Após estacionar a Nissan no estacionamento de um campo de pouso, chega um chileno, provavelmente enviado por Deus, perguntando se eu não estava precisando de ajuda,  pois tinha visto o meu pneu vazio. Não acreditei que isso estava acontecendo.

Enquanto a Gloriete ficou aguardando (imaginem a situação de aguardar em um local semi-deserto em um lugar desconhecido), nós pegamos o pneu furado n.01 e colocamos na caminhonete do chileno. Daí fomos para a cidade onde ele me levou na gomeria. Reparamos o pneu e retornamos para o aeroporto para fazer a outra troca .         

Para quem trocou o primeiro pneu deitado sobre o rípio poeirento lá na oficina de barcos, trocar um segundo deitado em um estacionamento calçado e limpo, com a cabeça apoiada em um saco de dormir é uma brincadeira. Quero deixar claro que em ambas as trocas de pneu, tive total apoio (meio a meio) da Gloriete, inclusive no que se refere a auxílio físico.

Trocado o pneu número 01, fomos para a cidade reparar o pneu 02 que tinha vindo das Torres Del Paine sendo enchido de trecho em trecho.

Nossa história até poderia terminar por aqui, mas quando perguntei ao borracheiro se na cidade eu teria condições de comprar pneus sem voltar a Punta Arenas ele me informou que sim. Não haveria problema. 

Deu-me então o endereço de uma loja (única na cidade) e me dirigi a mesma. Como é que pode uma cidade de 20 mil habitantes no Chile, longe de tudo, ter uma loja de ferramentas em geral que nem em minha cidade Vitória temos uma igual?   

Lamentamos apenas não ter o pneu Bf Goodrich Alterain em estoque. Tal pneu teria que ser solicitado em Punta Arenas e só chegaria no dia seguinte. Comprei então o pneu que é o mais recomendado / usado na região. O único agüenta as pedras de sílex. Furar pneu aqui é de certa forma normal nas estradas de rípio.

Comprei então o pneu Hankook tipo 80 X 20 para uso fora da estrada por 178 dólares cada um. Para quem desconhece o preço de pneus de caminhonete pode parecer alto, mas para quem é do ramo, deu vontade de trocar os 4 pneus. Esse preço bem abaixo do Brasil é porque esta cidade corresponde a uma extensão da Zona Franca de Punta Arenas e tem preço subsidiado.

Já que estávamos em Puerto Natales nada melhor do que almoçarmos por lá, na Picada do Carlito.

Depois de mais um peixe fantástico, e agora “calçados com bons pneus” retornamos então para o camping no Paine onde Gloriete preparou uma boa sopa a beira do lago com visão para as montanhas.

Agora analisem: Eu tinha o problema de pneus furados e contava apenas com a Gloriete para me ajudar. O problema não era de fácil solução. Dois pneus furados e um estepe disponível é mais do que resolver um problema matemático de 2 por 1. O desgaste físico e mental foi grande, mas certamente esses pneus não agüentariam trafegar pela mística Rota 40, nem pela Carreira Austral no Chile.

O que aconteceu foi uma ajuda da providência divina que não deixou que o problema ocorresse mais a frente em um local de recurso praticamente impossível. Se ali tinha sido difícil imaginem na Ruta 40 ou na desabitada Carretera Austral. Façam sua avaliação.   

E isso foi o que de mais importante ocorreu nesse dia.

Fecho a narrativa com o seguinte conselho: Se vieres a Torres Del Paine com pneus meia-vida, pense duas vezes porque irás ficar P... da vida.

Um grande abraço para o Marquinhos ...

 

 

23º a 25º Dia (18 a 20 de dezembro):

Nosso maior problema está sendo com relação à disponibilidade de Internet.

Quando não é falta de energia como o que ocorria em Torres del Paine é a falta de sinal   e quando temos esses dois componentes operantes o Outlook Express dá problema. Fico pensando nas dificuldades que daqui para frente iremos encontrar até chegarmos a Mendoza.

Mas vamos ao relato:

Desfizemos nosso acampamento, com tristeza, no Camping Peoe, em dia 18 de dezembro pela manhã.

Uma curiosidade: A noite por aqui dura em torno de 4 horas, mas no camping, até por ser um camping meio selvagem e não ter iluminação noturna, a escuridão da noite também é mais escura e você não enxerga 1 metro alem de seus olhos. Parece a escuridão daquelas casas malucas com labirinto que vemos em parques de diversão.

É uma segurança viajar com a Gloriete. Ela pode não ter a menor noção do que é o torque de um motor, mas não conheço ninguém melhor para re-arrumar uma bagagem. 

Ela aos poucos vai me lembrando a senhora sua mãe, Dona Angélica, mas é só não dar muito importância aos seus comentários críticos e teremos a melhor parceira de viagem que um homem poderia ter.

 

Dia 18 de dezembro:

Começamos nosso passeio por outras partes do Parque de Torres del Paine ainda não visitadas. Era nosso último dia naquele maravilhoso lugar.

Que lugar lindo ... Falando desta forma começo a ficar repetitivo, mas que o lugar é lindo é lindo mesmo. Natureza pura. Temos um olhar crítico, já visitamos muitos lugares, e ao afirmar que o parque é lindo é porque é lindo mesmo. 

Neste nosso passeio, chegamos até um ponto bem próximo das torres. Daí para frente somente através de uma caminhada de 2 horas em relevo bastante agressivo para chegar a uma lagoa ás bases das Torres e ventava por demais.

Tiramos algumas fotos de acordo com o que o vento permitia (rajadas de até 120 km por hora). Quase ficamos sem a porta da Nissan quando eu tentei abrir minha porta em um determinado ponto onde o vento vinha por detrás.

Alias com relação ao vento de cauda, a pior coisa é trafegar em baixa velocidade com o vento de cauda. Você viaja na poeira que você mesmo gera. 

Lugares maravilhosos foram percorridos (130 km pelo parque), mas o único risco que corremos, foi quando uma fêmea de guanaco cruzou a estrada em nossa frente sendo perseguida por um macho querendo fazer amor.

Cruzaram a estrada a mais de 60 km por hora, em dois saltos, e se tivessem na direção da Nissan o choque seria inevitável, pois um animal desse adulto pesa em torno de 100 kilos. 

O amor é lindo, mas realmente é perigoso. Confirmamos a intenção de fazer amor dos guanacos, pois nessa época (primavera – verão) é a época do acasalamento e os animais ficam doidos. O momento é agora ou só depois do inverno do ano que vem.

Cruzamos os dois passos fronteiriços (Don Guillhermo) sem o menor problema ou burocracia. Mesmo com pouco movimento o procedimento nos passos será sempre o mesmo. É carimbar passaporte de entrada ou saída e registrar o veículo.

Entramos então na Argentina. É como se estivéssemos em casa. Pegamos uma estrada de asfalto perfeito e logo depois entramos na Ruta 40 em direção a El Calafate.

Depois de 2 horas de viagem, chegamos a uma simpática cidade no meio do nada com uma estrutura turística de fazer inveja a Campos do Jordão no Brasil.

Aqui há turismo para todos os gostos e todos os bolsos. Fomos mais uma vez no quiosque de informações turísticas e nos recomendaram o Apart Hotel El Jardim de los Presentes.

Seria o melhor lugar do mundo se a internet funcionasse. São apartamentos com sala, quarto e cozinha, ideal para famílias até 5 pessoas ao custo de 150 pesos por noite. Muito bom, mas a internet não funciona.

Á noite fomos dar uma volta na cidade. Tudo muito bem “transado”. Compramos mantimentos no supermercado La Anônima e teremos comida caseira enquanto estivermos por aqui.    

 

Dia 19 de dezembro e 20 de dezembro:

El Calafate se baseia no turismo dos Glaciares. Não sei se é porque durante essa viagem estamos vendo coisas tão lindas, que algo para nos fazer impressionar tem que ser no mínimo ultra fantástico.

El Calafate tem 3 coisas para serem feitas, nessa ordem de importância: 

  1. A visita ao parque Perito Moreno com a visão do Glaciar que é fantástica (Seria como as Cataratas do Iguaçu);
  2. O passeio de barco pelos 4 Glaciares ;
  3. O caminhar sobre o gelo (opcional)

Fizemos os itens 1 e 2 em dois dias.

A entrada do parque custa 60 pesos e até vale o que é cobrado. Após uma estradinha sinuosa chega-se a um estacionamento onde você deixa o carro e tem 2 opções: Ou pega uma trilha e sobe até o ponto mais alto de observação através de uma passarela metálica ou pega um micro ônibus e sobe até o ponto mais alto e desce por essa passarela até o estacionamento.

Obviamente fizemos o contrário e subimos por quase 4 km até o ponto mais elevado por quase umas 2 horas de caminhada. Recomendo fazerem o contrário, não obstante a emoção de se ir descobrindo aos poucos o Glacial é melhor.  

O visual é fantástico. São paredões de gelo com mais de 70 metros de altura por quase 6 km de largura. Tem a magnificência de natureza de uma Foz do Iguaçu, só que de gelo. Passeio imperdível. Levamos sandwiches e frutas. Aliás todo mundo faz isso por causa do preço e disponibilidade do local.

No domingo fomos como que enganados no passeio de barco. Compramos o tour do barco por 295 pesos por pessoa. Nesse preço não está incluído o transfer de ônibus até o porto de embarque que fica em Punta Banderas. O transfer ficaria em mais 40 pesos por pessoa. Como estamos de carro economizamos.

Chegando lá tem que se comprar novamente o ticket de entrada para o parque. O tíquete do dia anterior valeria, mas ninguém não nos avisou e tivemos que comprar mais outros dois ingressos. Ai foram mais 120 pesos de prejuízo.

Estou revendo os conceito de que somos classe média baixa. Os custos do combustível, hospedagem e alimentação estão até abaixo do esperado, mas os passeios são muito caros. Entretanto o que se há de fazer. Vir a um lugar desses e não fazer os passeios não tem razão.   

Depois de todos sentados e acomodados no barco, o capitão falou que devido a problemas de excesso de icebergs, não iríamos conseguir alcançar o Glaciar Upsala e o trajeto iria ser modificado ao final para o Glacial de Perito Moreno em vez do Glacial Upsalla e quem quisesse desistir do passeio à empresa reembolsaria.

Como ninguém ali teria a mínima idéia do que iria acontecer ninguém desistiu e partimos para nossa navegação de 8 horas de duração.

Quando entrar no barco procurar sentar na parte de baixo, no lado direito, na terceira fila, na janela. Na parte superior balança muito e pessoas não acostumadas poderão enjoar.

Levar bastante comida, pois serão 8 horas de navegação. Não se preocupe em tirar fotos do primeiro iceberg que você ver. Vai chegar um hora em que você vai ficar cercado de icebergs por todos os lados.  

O não atingimento do Glacial Upsalla comprometeu de certa forma o passeio. Não  que a coisa não tenha sido boa, mas não foi o combinado e o passeio ficou meio “capenga”, não obstante ter sido impressionante.

Voltamos para o hotel e amanhã vamos El Chalten.     

Continuamos atrasados em 2 dias. Cada vez mais temos problemas com Internet.

 

 

26º Dia (21 de dezembro):

São tantas as emoções !!!

Como diria o meu amigo Roberto Carlos, são tantas as emoções ...

O nosso dia de ontem poderia ser considerado um dia de fazer inveja a qualquer aventureiro, a qualquer piloto de rally dos sertões ou a qualquer repórter de um canal de televisão do Discovery Channel.

Foram 849 km rodados entre as cidades de El Calafate na Argentina e Cochrane no Chile, trajeto esse que ficará para sempre guardado em nossas lembranças.

Desse total de kilometros percorridos, 281 km foram rodados em asfalto de excelente qualidade, 340 km em estradas de rípio (a mística Ruta 40) e finalmente 228 km em trilhas off - road, inclusive em período noturno, atravessando dois pasos internacionais, através de montanhas (baixas) nos Andes, que fariam o sonho de qualquer jipeiro. 

Como são trechos distintos, com diferentes impressões, vamos dividir a nossa narrativa em três etapas:

1 - Trecho entre El Calafate e El Chalten.

Saímos pontualmente às 06h00min da manhã da cidade de El Calafate. Nossa intenção seria chegar à cidade de El Chaiten e utilizar todo o dia para conhecer a cidade e seus arredores, faríamos o pernoite, e no dia seguinte iríamos continuar viagem.

O frio da manhã, ao sairmos, se situava em torno de - 1 (menos um) grau centígrados, o que já não nos incomoda mais.

Quem sofre um pouco é o carro que ao ligar parece que bate ferro com ferro no interior do motor nos primeiros segundos (3 a 5). Com relação ao motor pegar pela manhã, não estamos tendo problemas, pois com Teccom 10 (vou querer comissão do merchandisse – Sr. Antônio) o carro pega de estalo.

Viagem muito tranqüila até próximo da cidade de El Chalten. O vento forte nas retas intermináveis é que prejudica o desempenho do veículo. É claro que poderíamos forçar a marcha e acelerar um pouco mais, mas o consumo iria aumentar muito.

Ao se aproximar El Chalten, o tempo se transformou e virou em orvalho e uma névoa fina, acompanhada após de chuva mediana, que colocou por terra nossa intenção de conhecer o Monte Fritz Roy e outros atrativos do local.

A sensação térmica por nós sentida em função da chuva e do vento constante fez-nos buscar abrigo em uma panaderia que fazia pães e empanadas muito boas.  Perguntamos quanto tempo àquelas condições de clima perdurariam e fomos informados que pelo menos seriam necessários mais uns três dias para cambiar.

Como não iríamos ter esse tempo disponível, não tivemos outra alternativa senão abortar esse atrativo e voltamos a ruta principal com destino a Baixo Caracoles onde seria o nosso próximo ponto de estadia. Com isso foram 125 km de ida e 125 km de volta.

Cabe ser mencionado que El Chalten está sendo preparada para ser uma cidade turística do futuro e toda sua infra-estrutura está sendo montada para isso. Realmente foi uma pena nem ter conseguido ver o Fritz Roy por motivo da neblina.

Recomendo trazer um galão reserva de combustível, pois o preço do diesel em El Chalten e daí para frente na Ruta 40 está na faixa de 3, 35 pesos que convertido para reais seria em torno de 1,65 reais o que por aqui é um absurdo.

Viva nossa Petrobras que detém o monopólio do petróleo e o Governo que continuam explorando o manso povo brasileiro e vendendo combustível aos hermanos argentinos por preços muito baixos e de qualidade muito superior a nossa.  

2 - Trecho entre El Chalten até Baixo Caracoles:

O asfalto de excelente qualidade nos continua acompanhando até o povoado de Três Lagos. Este povoado está situado na província de Santa Cruz a qual está recebendo muitos investimentos e incentivos do governo porque o presidente Carlos Kirchner é originário daqui e desta forma privilegia a região.

Quando falo sobre o vento, parece também que estou sendo repetitivo, mas o que é interessante, é que as casas e construções foram feitas para resistir a ele e não temos notícias de maiores estragos. O vento patagônico tem nos acompanhado de longa data e parece que sempre aumenta um pouco mais. Rajadas de 120 km por hora (não tenho anemômetro para medir) são coisas normais.

Encontramos na estrada o caminhão dos alemães novamente. Ele chegou ao posto de serviço um pouco antes de nós e estava abastecendo os seus dois tanques de 600 litros cada um. 

O motorista e a guia então nos deram muitas dicas sobre como trafegar na Ruta 40 e eu achei até que eles estavam exagerando um pouco. Deixo claro que a guia e o motorista falavam em inglês e até arranhavam um pouco de espanhol. Acho que vou começar a fazer um curso básico de alemão, pois foi o povo que mais encontrei por aqui.  

Em Três Lagos completei o tanque depois do caminhão / bus alemão, pois iria finalmente enfrentar os 340 km de rípio da temida Ruta 40 que é famosa pelas dificuldades em se atravessar esse trecho.  Posso agora garantir com certeza pelo que eu passei e vou relatar, que para um motociclista seria quase que impossível atravessar esse trecho de 340 km sem correr um risco de vida.   

Entramos na Ruta 40 e seu rípio e posso garantir: Nos primeiros 50 km, se você ultrapassar os 80 km por hora você vai capotar seu veículo. Aos 60 km por hora terá que dirigir com muito cuidado, utilizando inclusive a tração 4x4 ligada, pois senão vai ser jogado para fora da pista.

Enfrentamos nesse percurso 4 tempestades de areia.  A primeira que tivemos que cruzar durou uns 5 minutos era somente de pó que limitava a visão frontal em uns 2 ou 3 metros em frente do caput.

A sensação é terrível e confesso que tive medo. A Gloriete filmou e registrou os momentos nossa apreensão diante de uma experiência que nunca passamos. Como pode o homem ser tão frágil diante da natureza e ainda existem pessoas que se consideram deuses em suas atividades.  

As outras 3 tempestades foram de menor duração, mas de pior efeito. A areia granulada batia na carroceria parecendo um barulho de chuva de granizo. Sensação simplesmente terrível. Alguns adesivos traseiros e os das portas laterais ficaram como que lixados. A pintura frontal ficou marcada com alguns pontinhos. 

As paisagens da Ruta 40 são fantásticas (estou sendo repetitivo). Tem certas partes que se parece o noroeste argentino devido à aridez.

Depois de percorrer uns 150 km surge do nada uma estrada asfaltada novinha. Esse trecho deve ter sido asfaltado porque se tratava de um trecho muito inóspito, muito desértico e meio arenoso. Desta forma acredito que os argentinos acharam por bem asfaltar esse trecho para evitar problemas maiores com as pessoas que iriam atravessá-lo. Inicia-se do nada e no nada se acaba.

Com esse trecho de asfalto no meio do nada e com a melhora da qualidade da estrada nos trechos finais até Baixo Caracoles conseguimos aumentar a velocidade um pouco e fechar nossa média horária nesse trecho em 60 km por hora. Esta distância foi vencida em 5 horas e meia de viagem, incluindo a realização das fotos e filmagens. Cruzamos com 5 (cinco) carros e passamos 1 (um) somente.

É incrível, mas a vida animal é muito rica nessa região. O que mais me impressionou foram 2 bandos de aves parecidas com pequenas emas que ao correrem pareciam um bando de pequenos dinossauros do filme Jurassic Park. Gloriete também filmou em grande estilo a caminhada de um tatu cruzando a estrada e se protegendo em uma pequena moita e logo em seguida enfrentando a mesma (encarava a Gloriete).   

Cabe ser ressaltado que a Nissan é um veículo simplesmente fantástico para fazer esse trecho de rípio, visto que tem a suspensão alta, é super resistente e tem o seu motor chipado, (cortesia de Henrique Caldas Mecatrônica que me faz de cobaia para seus experimentos), obtendo uma potência à maior de (182 HP) para vencer as dificuldades. Trafegar na Ruta 40 para ela é bico ...

Uma preocupação que tivemos, ocorreu nos kilometros finais antes da chegada ao povoado de Baixo Caracoles.

O GPS indicava que o local estava se aproximando, o odômetro também indicava que o trecho estava por terminar (informações obtidas no último posto) e a cidade não aparecia de jeito e maneira aos nossos olhos.

De repente, surge do nada um pequeno oásis no meio daquela aridez. Era o micro povoado de Baixo Caracoles que tem apenas um pequeno hotel abrigo, um camping, um lugar para abastecer, um ou dois bares, um armazém e meia dúzia de casas.

Perguntei ao dono do bar como ele conseguia viver num lugar tão ermo. Ele respondeu com outra pergunta indagando com qual era a população de minha cidade. Dei a resposta e ele me perguntou como eu podia viver em um lugar com tanta gente. Cada um é cada um ...

Como eram ainda 18h00min horas e desta forma ainda tínhamos pelo menos 3 horas e meia de iluminação, resolvemos aproveitar essa vantagem de tempo e pedimos a informação ao dono do bar, que ao mesmo tempo explora a venda de combustível, de qual seria o melhor Paso para atravessar para o Chile.

Ele me informou que naquele ponto em Baixo Caracoles poderia ser utilizado o Paso Robalos ou então o Paso que fica em Los Antíguos que fica mais a frente. Pelo primeiro a viagem seria mais curta, mais bonita, mas teria um preço a ser cobrado, o da qualidade da estrada. O segundo era o paso que todas as pessoas normais utilizavam.

Desnecessário dizer qual o paso que foi o escolhido por nós.

Foram 226 km de trilhas nível 1 e 2. O Jeisonk de Mato Grosso já tinha feito um relato anterior a respeito do trecho, mas eu não sabia que seria tão difícil e tão fantástico. Acho que quando ele passou por aqui tinham pelo menos passado uma máquina na estrada.

Não recomendo a ninguém a atravessar esse paso se estiverem fazendo a viagem com crianças ou um carro que não seja 4x4. Nesta rota às vezes não passa ninguém por dias e o risco realmente é grande. Se for aventureiro e tiver confiança em seu veículo, durma primeiro em Caracoles e saia pela manhã bem tranqüilo e curtindo a trilha.

O que prejudicou um pouco, é que o senhor de Baixo Caracoles, nos informou que o Paso Robalos encerraria suas atividades às 21h00min horas. Desta forma eu teria somente 3 horas para vencer os 97 km e fazer a saída da Argentina e a entrada em território Chileno. Ele falou que o tempo seria suficiente. 

No decorrer da trilha a mesma foi piorando gradativamente a partir da última estância (fazenda) encontrada e só chegamos à aduana argentina às 20h25min. Fizemos os trâmites rapidamente e corremos os últimos 7 km que nos separavam na fronteira chilena.

Fomos muito bem atendidos pelos 2 lados e o que foi chato é que os mesmos queriam ficar sabendo como era o Brasil, futebol, Pelé, etc. Como não tínhamos muito tempo para conversar, pois dispúnhamos somente de mais uma hora e meia de luz, o papo ficou para o ano que vem.   

Após a aduana do Chile a estrada (trilha) melhora um pouco e a partir da Estância Chacabulco já poderia ser considerada uma estrada trafegável do tipo das estradas do interior do Brasil. É uma pena que a parte final da travessia dos pasos tenha sido feita já no escuro.

Mais uma vez fizemos a utilização dos serviços dos batedores angelicais.  O que vem a ser isso ??? Uns 30 km antes de cada cidade mais uma vez rezamos e pedimos a Deus que mandem seus anjos na frente abrindo caminho e que nos consigam um bom abrigo.

Tem dado certo até agora e muitos até dirão que se trata só de pensamento positivo, mas vai ter pensamento positivo assim na ....

Ontem por exemplo, ao chegar a Cochrane, já eram mais de 23h00min horas, tudo deserto, uma garoa fina e uma iluminação fraquíssima como estivesse com uma fase de energia apenas.

Vimos alguns rapazes que conversavam em uma praça. Pedimos informação a respeito de um lugar e nos indicaram a Estalagem do Bombeiro (o dono não é bombeiro não). Chegamos lá vimos luz por dentro da casa, batemos na porta e um jovem casal nos atendeu (eram hóspedes também).

Chamou o dono e 15 minutos depois já estávamos tomando vinho e tomando uma sopa a beira de um fogão de lenha.

Trata-se de um residencial onde o dono, Sr. Raul, que cuida de tudo, aluga os quartos a 7000 pesos por pessoa com água quente (óbvio) e café da manhã.

Ficamos conversando até ás 01h00min da manhã e fomos dormir.

A única coisa que lamento é que essa passagem da Argentina para o Chile deveria ter sido feita com mais vagar, pois as paisagens são mágicas por entre as montanhas e vales com alguma neve ainda.     

Amanhã vamos fazer uma exploração pela região.

Abraço a todos e como sei que vamos ter dificuldade de internet pelos próximos 4 a 5 dias desejo a todos um Feliz natal junto de suas famílias, pois estaremos em qualquer lugar pelas estradas do mundo.

 

 

28º Dia (23 de dezembro): 

Um dia para esquecer ou ficar para sempre na lembrança ...

Preliminarmente gostaria de desejar a todos que tão distantes, com suas mensagens nos fazem sentir tão próximos, um Feliz Natal junto aos seus entes queridos nesta noite mágica.

Nós estaremos em algum ponto da estrada, aparentemente solitários, mas com o pensamento voltado a cada um de vocês, principalmente aos meus filhos e aos familiares de Gloriete.

Mas vamos ao que aconteceu no dia de ontem ...

O Sr Raul preparou nosso último desayuno em Cocrhane com muito carinho. Tinha até ovos fritos. Pegamos a ruta às 08h00min horas e iniciamos nosso retorno pela Carretera Austral.

Esqueci de mencionar que no dia anterior tinha espetado a mão direita em um arbusto de calafate durante o traking pelo parque e o espinho inflamou prejudicando a mão.  Á noite, Gloriete tirou o mesmo com uma agulha, passamos uma pomadinha e tudo bem.

Isso pode parecer um relato bobo, mas em uma viagem, se ferir, principalmente na mão principal, com que se vai se contar para dirigir, já que o outro braço é somente de apoio, pode vir a constituir um problema. Mas de manhã e durante o dia fui melhorando.     

O primeiro trecho a ser vencido seria até Cocrhane com aproximadamente uns 330 km e o Sr. Raul estimou que nossa viagem levaria em torno de umas 8 (oito) horas, pois tinha chovido muito durante toda a noite e seria recomendado que fossemos devagar apreciando a beleza da região.

Já ao sair de Cochrane uma chuva miúda se fez presente. Os primeiros kilometros (+- 10 km), que já tínhamos passado quando da viagem de chegada foram agora vistos de dia e posso afirmar que eram lindas imagens a beira de precipícios que não foram percebidos na viagem de chegada, pois estava escuro.

A viagem transcorreu até Puerto Tranqüilo com uma sucessão de subidas e descidas e imagens maravilhosas. Mesmo com chuva fina procuramos registrar e filmar o maior número possível de imagens para mostrar aos amigos ao chegarmos a Vitória.

A viagem não rendia e não rendeu durante todo o percurso até Puerto Aiesen. Na primeira hora havíamos percorrido apenas 36 km devido ao registro de imagens e condições da estrada com muitas costelas de vaca na pista e panelas (buracos) ocasionadas pelas chuvas. A cada curva uma imagem a ser registrada e tome chuva e frio.

Chegamos a Puerto Tranqüilo e a imagem do lago antes mesmo de chegar ao povoado é linda. É lá que se situam as Capelas de Mármore. Existem varias empresas que se dedicam a fazer o passeio lá no meio lago, mas a temperatura em torno de 2 graus centigrados e a chuva fina impedia a saída de barcos por mais corajosos que fossem os turistas.

Alguns que vieram de tão longe para ver esse espetáculo da natureza, resolveram até alugar cabanas e esperar a mudança de tempo para realizar o passeio. Como ano que vem estarei de volta, posso deixar para depois.

Depois de Puerto Tranqüilo a estrada melhora um pouco e as paisagens se tornam mais vegetativas. Começamos a atravessar como que florestas, mas com um tipo de vegetação diferente das nossas. A vegetação é luxuriante.

O carro começa a sentir um pouco a temperatura baixa e em uma das pequenas serras a serem vencidas, a neve começa a aparecer na pista de terra e na vegetação obrigando o uso de tração para escorregar menos. Senhores !!! Estamos falando de neve em pleno dezembro. É lindo, mas é perigoso.

De repente olho para o vidro pára-brisa e vejo um pequeno riscadinho a esquerda. Esse riscadinho de uns 3 cm começa a crescer milimetricamente e constato que o vidro rachou.

Isso em Vitória não teria o menor problema, mas estamos na Carretera Austral, é ante véspera de natal, não temos recursos e no meu Plano B já fico pensando em passagem de fronteira para a Argentina e onde posso conseguir um vidro de Nissan. A primeira cidade que me vem à mente é Bariloche, depois Neuquém e até mesmo Mendoza. Só que a mais próxima está a mais de 1000 km de distância. Vamos ter que administrar mais essa situação. Eu me preparei tanto para outras eventualidades e os meus problemas tem sido outros nesta viagem.

Depois de um determinado ponto, a uns 90 km de Coyaque surge o asfalto. Que benção !!! O asfalto, entretanto surgiu porque iríamos atravessar como que um passo entre montanhas nos Andes e subimos até 1129 metros de altitude em apenas seis kilometros de estrada.

O carro sofre um pouco, pois a temperatura começa a baixar muito. A Nissan sobe galhardamente ultrapassando algumas vans e micro ônibus que exalam uma fumaça preta além do normal pelo esforço.

De repente olhamos para o termômetro externo e vemos que já estamos com menos 4 graus centígrados e a chuva começa a colar no pára-brisa. Não era chuva. Era neve ... Esta é a primeira vez que vi neve caindo na minha vida. Já tinha visto neve caída, mas ver neve caindo era lindo e uma novidade.

Aquela maravilha da natureza começou a aumentar muito e o medo começou a se fazer presente. De repente o limpador começava a ficar pesado de remover a neve, o asfalto da pista começa a se toldar de branco. A neve começa a cobrir o caput e a situação começa a ficar preta.

Ainda bem que já tínhamos vencido o ponto mais alto da serra e começávamos a descer suavemente. As condições climáticas mudaram muito de repente. Estava frio, tudo bem, mas de repente ficou gelado.     

Vencida a serra um sol tímido começa a surgir a nos acompanhou até Coyhaque.

Cidade grande e de vocação turística assim como toda a região. Seria necessário pelo menos 1 semana só para conhecer a região.

Estacionamos em uma praça principal, fizemos um pouco de cambio, pois não sabemos o que iremos encontrar pela frente e partimos para o último trecho desse dia em direção ao Oceano Pacífico, na cidade de Puerto Aisen, onde vamos entregar o presente de natal do Pablo Ramires, filho do Sr. José Carlos que encontramos lá de Punta Arenas. Vamos dar uma de Papai Noel e reservamos até um pequeno presente para o menino.

Esse trecho entre essas duas últimas cidades é (escolham um adjetivo). Para efeito de comparação, imaginem as estradas serranas do Estado do Rio de Janeiro e do Estado do Espírito Santo. Imaginaram ... Para essas estradas eu daria uma nota 2 a 3 em uma escala de 0 a 10. Para a estrada que trilhamos margeando o Rio Simpson a nota é 10 . Impossível de descrever ...

Chegamos a Puerto Aisen e paramos para abastecer. Os preços começaram a baixar. Perguntei ao frentista onde era o endereço e de repente me chega o dono do posto que se apresenta e pergunta se podia ajudar em alguma coisa.

Resultado: Estou começando a mudar o meu conceito dos Chilenos. Já é segundo que encontramos nessa viagem.

Levou-nos na rua do menino, nos levou no hotel e principalmente nos deu uma dica de que em Coyhaque podermos tentar deter o crescimento da rachadura do pára-brisa.

Hospedamos-nos no melhor hotel da cidade com internet wi-fi no quarto e aquecedor. O valor é 45000 pesos, um pouco alto para os nossos padrões, mas acho que merecemos depois de passar tanto aperto durante esse dia.      

Não gosto de retornar, mas hoje de manhã voltaremos a Coyhaque para tentar arrumar a Nissan.

São 04:30 horas, Gloriete dorme um pouco, pois ela somatiza mais as situações críticas do que eu e quando o sol nascer novas esperanças surgirão.

Um bom fim de noite a todos e um Feliz Natal.

 

 

29º Dia (24 de dezembro):  

Natal na Carretera Austral   (não é que rimou ...)

1 - Onde estamos neste momento (24 de dezembro – 19h30min horas)

Meus amigos, vocês não fazem a menor idéia de onde estamos e onde iremos passar a nossa noite de natal.

Estamos em uma pequena vila chamada La Junta em la Carretera Austral. Não se trata de uma vila turística, bem transada como a Vila de Puyuguapi, que deixamos a 47 km atrás, de colonização alemã, com seus 953 habitantes, que tem no turismo e na piscicultura do salmão a base de sua economia.

Nossa pequena vila, caracterização geográfica que antecede a condição de transformação de um povoado, é tão somente um ponto de passagem de mochileiros, ciclistas solitários e almas desgarradas que se atreveram a cruzar a carretera e ficaram por aqui para passar a noite e na manhã seguinte partir bem cedo.

Chegamos aqui depois de uma viagem de quase 7 horas desde Coyhaque. Nosso pouso em um residencial, que é ao mesmo tempo, um armazém de secos e molhados, um lugar onde se vende gás, onde a proprietária exerce a função de peluqueira de damas (cabelereira), onde se aplica injeções, fazem-se pequenos curativos e o marido da dona faz inseminação artificial em ovelhas nos sítios próximos. Sentiram o clima do local ...

Estamos desfrutando dos mesmos espaços dos residentes no local e Gloriete já está na cozinha ajudando na ceia de natal. As acomodações são muito simples, mas é melhor do que armar uma barraca ou dormir dentro da Nissan, com a vantagem de ter aquecimento à lenha na sala central.

2 – Resolução do problema do vidro do pára-brisa:

Quando se está na estrada, é uma ótima oportunidade de fazermos reflexões ou criarmos teorias que podem cambiar os conhecimentos da humanidade.

Percebi que o aumento da rachadura do vidro era proporcional a velocidade desenvolvida pelo veículo, ou seja, quanto maior a velocidade, maior a pressão contra a superfície e maior a expansão do dano. Dessa forma a viagem de Cohyaque até Puerto Aisen foi em um ritmo tranqüilo como se eu estivesse levando uma noiva para a Igreja (com todo cuidado). 

Em Puerto Aisen fiquei sabendo que existia um senhor que fazia soldas em para-brisas na cidade de Coyhiaque que tínhamos deixado para trás uns 70 km. Esta solda não permitiria a evolução da rachadura.   

Retornando a Cohyaque, comecei as buscas e já na segunda estação de serviço (Shell) encontrei o cidadão que tinha sua oficina localizada em um anexo a mesma.

Além de mim, havia um outro chileno que já estava fazendo o serviço em seu veículo, pois é muito comum problemas com pedras na carretera, não pela passagem de outros veículos em sentido inverso e sim por pedras que caem das encostas dos morros.

Quando comentei em nosso relatório sobre a frisura no para- brisas trincado, é que a rachadura crescia milimetricamente a cada momento, e já estava com uns 18 cm (começou com 2 cm) e isso me dava uma “gastura” incrível, pois dentro de 2 dias eu teria uma rachadura no para-brisa em toda sua extensão.

Vidro soldado, problema resolvido em parte, podia eu então retornar a viagem. Até que o serviço ficou bom. Se eu quiser uma visibilidade melhor é só eu fechar o olho esquerdo ou virar a cabeça um pouco de lado que fica ótimo. 

Já que estávamos em Coyhaique porque não almoçar em grande estilo para comemorar o conserto do vidro. Almoçamos no Cassino do Corpo de Bombeiros. Não estranhem não, pois os bombeiros aqui são voluntários e o restaurante do cassino é uma fonte de renda para gerar renda para a manutenção do serviço.

Foi o melhor peixe Congrio ao Pobre que comemos em nossa viagem. Valor médio de 6000 pesos para cada pessoa. Mas que recomendar o local, digo até que é mandatório comer nesse lugar.

3 – Considerações sobre este trecho da Carretera Austral (Cohyaque – La Junta):

Os primeiros 48 km são de um asfalto impecável, são lindos, margeando o vale do rio Simpson. Foi o caminho já traçado e retornado que fizemos para Porto Aisen. Trata-se de uma reserva natural de beleza admirável.

Depois vira-se a direita para um povoado chamado Maniguales e a estrada parece estar passando por uma região de Alpes Suíços, com montanhas com seus picos cobertos de neve, vacas pastando, rios correndo mansamente, etc. Tudo muito bonito. Até lá são mais uns 45 km de asfalto.

Vinte kilometros depois de Maniguales o asfalto termina e começa um rípio de pedras bem grandes. Eles estão preparando esse trecho para asfaltar. A paisagem muda para uma paisagem parecida com os lagos chilenos. Começa a ficar tão bonito que até enjoa.

Mais a frente acaba a civilização, a estrada tem um trecho de asfalto de uns 38 km e começa a aparecer um trecho de vegetação luxuriante já antevendo o que vira pela frente.

Atravessamos então o Rio Cisnes e a estrada começa a atravessar o Parque Nacional Queulat. Pesquisem por favor, esse parque na internet. Ai nesse ponto é que a coisa pega e fica deslumbrante ao mesmo tempo. A estrada se transforma em uma trilha off-road e começa a subir por uns 12 km. O carro sofre muito. É primeira marcha e no máximo segunda em alguns pontos de pequenas retas.

A vegetação é de selva, mas uma selva que se parece com uma floresta pré-histórica, com plantas que tem folhas de quase 1 metro quadrado de área. A umidade entra pelos ossos quando você sai do carro para tirar fotos. Parece que a qualquer momento vai aparecer um dinossauro em sua frente. Cachoeiras e cascatas por toda parte e apesar de tudo isso, o sistema de contensão e desvio de águas não permite que a água venha para a trilha.   

Se a subida foi difícil a descida é pior. As curvas são muito apertadas e o caminho é muito estreito (angosto). Desta forma é impossível o tráfego de buses ou caminhões até a Villa de Puyuguapi e Villa La Junta.

O parque é um como que um divisor de atividades, abastecimento entre essas regiões que passam a ser abastecidas por Puerto Mont no sul do Chile através de transbordadores.  Deve ser por isso que as coisas chegam aqui muito caras, pois tudo é muito difícil.

Terminado o parque, a estrada volta para o nível do mar e melhora um pouco o seu calçamento até a Villa de La junta onde nos encontramos.

Desnecessário dizer que as belezas desse trecho são lindas. O correto seria fazer uma viagem específica pela Carretera e trilhar a mesma bem devagar em uns 7 dias mais ou menos.  

4 – Mistérios que ocorrem na Carretera Austral

4.1 – Alarme do auto não funciona em Coyhiaque

Quando chegamos pela primeira vez em Coyhaique ao estacionar na praça central, acionei o alarme e ele não funcionou.

Pensei que a bateria do alarme estivesse acabado e peguei a chave reserva e tentei acionar. Não funcionou. Era mais um probleminha, mas tudo bem, pois eu podia travar as portas manualmente.

Chegando a Puerto Aisen, acionei o alarme e funcionou. Fiquei feliz.

Na volta a Coyhaque parei na mesma praça, acionei o alarme e ele não funcionou. Na saída da cidade voltou a funcionar.

O que eu acho que é ... A cidade tem rede de wi-fi para a população e acho que deve ter algum problema de interferência no alarme.

Solicito desta forma aos entendidos no assunto a pesquisarem isso para mim e quando vierem aqui façam o teste e me enviem um e.mail.

4.2 – A viagem não rende na Carretera Austral

O que vou relatar não é impressão pessoal. No primeiro dia de viagem de carretera austral você andava, andava e você tinha a impressão que a kilometragem não avançava.

No segundo dia a mesma coisa e a Villa de La Junta nunca chegava.

Hoje dia 25, ao deixar a Carretera e dobrar a direita para pegar o Paso Futaleufu percebi que mesmo andando devagar e parando para fotos a kilometragem rendia.

O que acho que é !!! Acho que deve ser alguma coisa ligada com o piso negro que encontramos em quase a totalidade da carretera. Trata-se de pedra vulcânica de cor negra. A impressão que se tem é parecida com a encontrada na BR 040 entre Congonhas do Campo e Belo Horizonte quando a estrada atravessa a região de minas de ferro.

Quem vier por aqui favor confirmar esse meu sentimento.

No mais estamos bem e amanhã dia 25 de dezembro se Deus quiser estaremos de volta à Argentina.

Feliz Natal a todos.

 

 

31º Dia (26 de dezembro): 

Mari mani pu lamuen pu peñi lofche pu Warriche Brasil anay Argentina kon pu che.

Saudações a todos os irmãos e irmãs do Brasil e da Argentina que vêem a nossa terra em missão de paz (saludo em língua mapuche).

Com essa despedida fraterna, o Cacique Mapuche Sergio Nahuelpan, do Museu de Culturas Originárias, enviou uma mensagem a todos vocês, através de nossa pessoa, quando da visita que fizemos ao povoado de Nahuel Pan, ponto final do ramal ferroviário de “La Trochita”, uma das atrações históricas de Esquel.

Como existem informações na internet bastante completas sobre a Trochita assim como filmes no Youtube, não vou desenvolver esse tema com muitos detalhes. Pesquisem e quem sabe vocês não se animem a vir a viajar no velho expresso patagônico.

O que podemos colocar é que a presença do trem por essas regiões tão distantes, no meio do século passado teve uma influência econômica, social e cultural, não obstante sua imagem modesta apesar de sua robustez e fidelidade aos horários e itinerários apesar das nevadas no inverno.     

Vamos então ao nosso descritivo diário:

Ontem, dia 25 de dezembro, dia de Natal, Esquel estava praticamente com suas ruas vazias. As pessoas estavam recolhidas em suas casas comemorando (o Argentino curte muito mais a família que nos, os brasileiros) e tivemos dificuldade em encontrar um restaurante aberto para jantar. Cabe ser ressaltado que Esquel não é mais nenhum povoado e tem 40 mil habitantes. Na cidade toda encontramos somente uma pizzaria aberta.

Jantamos e voltamos para o Hotel Sky (135 pesos) e que maravilha, tinha Internet Wi-Fi.

Desta forma coloquei nossa correspondência eletrônica em dia e dormimos com a janela do quarto aberta. Esta consideração sobre a janela parece uma consideração sem muita importância, mas é a primeira vez que isso acontece em nossa viagem. O frio finalmente começa a abrandar.

De manhã acordamos, voltamos ao famoso café com letche com meia lunas e partimos para a estação da “Trochita” com 2 horas de antecedência.

Pela primeira vez em minha vida não fomos os primeiros a chegar. Já aguardavam a abertura da bilheteria uma argentina de 68 anos que viaja pelo mundo sozinha e um chileno que conhece tudo a respeito de trens. É uma sumidade no assunto. Sabe até o peso dos trilhos por metro (Na Trochita é de 15 kilos por metro de trilho. No Brasil são 45 kilos por metro de trilho).

Isso é o tipo da informação que não tem o menor significado, mas para ele, especialista em trens, é super importante.

Mesmo sem dominar o idioma espanhol, consegui que o chileno, através de negociação pessoal, falando que eu era representante do Grupo 4x4 Brasil, que o mesmo fizesse a viagem na própria locomotora. Isso foi um sonho para ele, pois os Chilenos são pessoas “travadas” por natureza e condicionados a normas rígidas, diferentes de nós brasileiros e argentinos. Ele me agradeceu tanto que achei que Gloriete fosse ficar com ciúmes, mas isso é outra história.   

A viagem no trenzinho de trem vale a pena ... São 1 hora para ir, 45 minutos para visitar o povoado e o museu e 1 hora para voltar para Esquel. O preço da passagem é de 50 pesos para estrangeiros. Procure chegar cedo para comprar passagem e viajar no vagão de 1.o classe (o preço é o mesmo) onde um guia vai explicando tudo.  Achei muito barato. Ano que vem esse preço vai ser reajustado.

A viagem é linda. As montanhas ainda estão cobertas de neve e os vales com plantações de cerejas e framboesas completam o visual.

Quero deixar registrado que o valor do kilo da cereja aqui em Esquel está em média a 3, 75 pesos (1, 8 reais). O morango em 1,75 pesos (0,80 centavos) e a framboesa a 6,80 pesos (3, 40 reais).

Que saudades de comer uma banana d’água que custa aqui em torno de 22 pesos o kilo, visto que é importada do Equador. Não vejo a hora de voltar ao Brasil e voltar ao meu regime de frutas ...

Não sei tinha colocado para vocês, mas estava com problemas de moeda argentina. Era Natal, estava tudo fechado, as casas de cambio fechadas e a situação só iria se normalizar na segunda feira (lunes) quando os bancos abrissem novamente. Nesta data, entretanto, nós pretendemos já estar pelo menos na cidade de Neuquém.

Como fazer cambio ???

Não requer prática nem tampouco habilidade, qualquer criança faz !!!   

É só ir ao Supermercado Anônima, que existe praticamente em todas as cidades da Patagônia, e fazer compras no montante que justifiquem o cambio (25 a 30%). Fazer o pagamento em dólares e receber o troco em pesos. Ou seja, você faz compras em torno de 100 pesos e paga com uma nota de 100 dólares, recebendo de troco 270 pesos. Não é o melhor dos câmbios, mas é uma solução provisória. 

Da mesma forma, existe outra solução: É comprar um creme de rosa musqueta em uma casa de artezanias, pagar em dólares e receber o troco em pesos. Foi o melhor cambio que fizemos até hoje (3,90 pesos por 1 dólar), mas a senhora não tinha condições de cambiar mais de 50 dólares.

Considerações sobre o Parque Nacional dos Alerces

A Argentina é muito amadora com relação ao Chile com no que tange a venda de suas atrações turísticas.

O Parque Nacional do Alerces em termos de beleza é muito superior ao Parque Nacional de Ushuaia com relação beleza e muito superior a muitos lugares do Chile que conheço. O valor do ingresso é de 30 pesos por pessoa. 

Estamos, neste momento, fazendo um exercício de sobrevivência, em uma cabana situada a mais 3 Km afastados da estrada principal. Situa-se em um pé de serra e só é alcançada por veículos 4x4.

Parece coisa de filme ou daquelas cabanas em que escritores ficam por meses para escrever um livro.

É simplesmente o lugar mais agradável em que já me hospedei em minha vida. Agora posso morrer em paz.  O preço um pouco alto para nossos padrões de viajantes (250 pesos), mas eu pagaria 1000 pesos para passar uma noite aqui.

A visão da cozinha é da sala de jantar é diretamente orientada na direção dos lagos da região. Nossa única preocupação é a de não deixar apagar o fogo do aquecedor que mantém a calefação da cabana. Gloriete já pegou as “manhas” do fogão e do aquecedor a lenha e certamente iremos sobreviver esta noite.

Às vezes fico impressionado com a capacidade da Gloriete de se adaptar as mais difíceis situações. Gostaria que as minhas noras tivessem pelo menos 50% dessa capacidade.

Amanhã vamos fazer um passeio de barco a uma região bastante agreste e conhecer uma árvore chamada alerce que tem 2500 anos de vida.  Tem 44 metros de altura e uma circunferência que são necessários 8 homens para abraçá-la. Depois iremos pescar trutas arco iris. Tudo isso por 110 pesos por pessoa. Parece brincadeira diante dos preços praticados no Chile. 

Longe de casa começo a ficar saudoso. Gostaria que o André e o Marquinhos estivessem por aqui....

O nome das cabanas é Cabanas Traigen (cascada) e o telefone é 02945 – 15683606. A proprietária é Sra. Graiziela. Não funciona no inverno por razões de neve.

Por hoje é só, o frio que não estava mais fazendo em Esquel volta a estar presente aqui nas montanhas e amanhã será um grande dia.

Grande abraço para Zenaide, Zélia, Lúcia e Maria Neuza.

 

 

32º a 34º Dia (27 a 29 de dezembro): 

Domingo no Parque

Esqueçam as pipocas e as maças do amor e nos acompanhem em um domingo no parque diferente ...

Vocês se lembram que tínhamos optado em pernoitar em uma cabana que ficava a uns 3 km morro acima, quase no limite do início da neve !!! (a proximidade da neve eu não tinha comentado)

Muito bem, a noite nevou (pouca coisa) e aquela impressão desagradável que tivemos na estrada antes de chegar a Coyaque, com o caput na Nissan sendo coberto por gelo se transformou em um espetáculo agora maravilhoso, vendo os flocos de neve caírem através da janela de uma cabana aquecida. Coisa de sonho de qualquer casal em lua de mel. Minha única preocupação era com relação à estradinha de volta a estrada principal do parque, mas para baixo todo santo ajuda.

No dia anterior, esqueci de comentar que não tínhamos comprado os tickets do passeio do barco que são adquiridos em Esquel nas agências de viagem. Também pudera, visto que estava tudo fechado na cidade.

Desta forma, fomos comprar diretamente com o dono do barco que é um arrendador ou concessionário da hospedaria mais elegante do parque. Trata-se de uma construção que mais se parece com um castelo do que um hotel. Seria o tipo de hotel em que o nosso presidente se hospedaria se estivesse por aqui, pois gastar o dinheiro do contribuinte é com ele mesmo. Esse hotel até se parece com aquele imóvel que o filho do presidente comprou. 

O dono também é outra figura. Comporta-se como um Rei em seu castelo, e para vender 2 tickets em seu barco parece que está nos fazendo um favor. Não tive nem coragem de perguntar de quando seria o valor da diária, pois não sei se ele nos aceitaria como hóspedes.

Ele falou para nós, pobres mortais, de seu castelo, de quando foi construído, de seus móveis, da biblioteca trazida por seu pai da República Tcheca, etc. Era o senhor da situação até eu receber os tickets em mãos quando indaguei se ele viajava muito pelo mundo. Ele respondeu que não, pois não confiava muito na administração de outras pessoas em seu hotel.

Aí começou o segundo tempo do jogo, e ele teve que escutar um resumo de minhas viagens por 25 anos na IBM pelo mundo e agora as rodoviárias. Eu não era prisioneiro de um castelo. 

Só senti falta de que a Lúcia, irmã da Gloriete, não estivesse por aqui, pois ele iria começar a escutar a narrativa pela viagem ao Tibeth e a Polinésia Francesa.                  

Mas voltemos ao parque ...

A descida da montanha foi sem problemas. Parece que a estrada aquece mais que a vegetação ao lado e a neve some logo se a mesma for em pequena quantidade.

Começa então nosso circuito de uns 32 km margenado o Lago Futalaufquen em uma paisagem bastante agradável com inúmeros campings estruturados ou selvagens, hosterias para todos os gostos e bolsos, clubs de pesca, miradores do lago, etc.

Fomos até Porto Mermoud, estacionamos a Nissan em um local apropriado, atravessamos o Rio Verde em uma ponte pênsil para pedestres (150 metros), pegamos uma trilha estilo turista por dentro de uma floresta com uns 2,5 km de extensão e chegamos a Porto Chucao onde pegamos o barco (muito bom) que nos levou através do Lago Menendez, por 1 hora e meia de navegação, até o Porto Sagrário onde realmente começou de fato o passeio de vista ao Alerce milenar denominado avuelo (avô) de todos os outros.

Chegando nesse último porto, existe 1 trilha de uns 3, 5 km em forma de ferradura a ser percorrida e que vai te levar no ponto aonde se encontra o Alerce mais velho do mundo. São 2 opções: Por um lado a trilha se apresenta de forma turística com um grau de dificuldade um pouco superior àquela trilha entre os portos mencionados lá no início. Pelo outro lado, se apresenta de forma mais agressiva necessitando um preparo físico maior, mas com belezas naturais fantásticas como a do lago cisne que parece com o lago descrito no livro “As Brumas de Avalon”, com uma névoa mística cobrindo e se descobrindo em suas águas, como fosse um lugar de morada de ninfas e duendes (deve ser mesmo).

Esse lago por estar em um plano mais elevado, forma o Rio Cisne que até desembocar chegar ao Lado Menendez forma 2 cachoeiras muito lindas. Recomendo a vista a esse lugar, pois é natureza pura. Eles denominam de Selva Valdiviana e é um eco-sistema que tem um índice pluviométrico em torno de 4500 milimetros anuais (muita chuva localizada).

Chegamos ao alerce chamado de avô. Que árvore fantástica. Que energia acumulada por 2600 anos de vida. Não é necessário nem tocar, basta olhar.

É claro que além de tocar eu e Gloriete ficamos por alguns minutos abraçados com a árvore até o guia que vinha dando assistência ao grupo de retardatários chegar e educadamente falar que não era permitido ultrapassar a cerca.

Quando estava abraçado com a árvore fechei os olhos e tentei ver 2600 anos de história. Quantos impérios surgiram e caíram neste período e o alerce continua ali firme com suas raízes seguras na terra.

Já visitei o parque de sequóias próximo de San Francisco, nos Estados Unidos. As árvores lá são mais altas e tão velhas quanto, mas a energia aqui é bem maior.  Dá para perceber com os cabelos do braço arrepiando.

Voltamos para o barco, viagem de volta com quase todo mundo dormindo, feito o desembarque, passada a ponte, pegamos a Nissan e seguimos em frente.

Nossa intenção era chegar até El Bolson, e conseguimos nosso objetivo. Cabe ser ressaltado que antes de chegar a El Bolson, passamos por uma localidade chamada El Faro que é produtora de frutas finas e finalmente vimos à árvore da fruta mais consumida até agora nessa viagem, a cereja.

É claro que tiramos fotos para mostrar para os amigos e o dono da chácara não entendia como os dois bobos brasileiros estavam tirando foto de uma árvore que ele vê todo dia nos fundos de sua casa. Compramos mais 2 kilos e também um pouco de framboesa que é como uma amorinha.

Chegamos à cidade de El Bolson, que já conhecíamos de uma viagem anterior a Bariloche, e nos dirigimos a Oficina de Turismo em busca de um hotel. Nos instalamos muito no Complexo na Morada do Bosque, já na saída de El Bolson (5 km) . Valor da estadia 180 pesos com café da manhã.

Viagem de El Bolson até Neuquém 

No dia seguinte partimos às 10h00min horas de El Bolson. A estrada até Bariloche é margeada ora com muitas flores amarelas, roxas e vermelhas, ora com bastante flores.

Com tantas flores, o mais lógico seria o desenvolvimento de apicultura a nível industrial, mas o que se observa é apenas a exploração artesanal.

Como tínhamos que cambiar moeda, demos uma entrada em Bariloche, compramos os chocolate na loja O Turista e aproveitamos para almoçar em alto estilo no Linguini, restaurante já conhecido onde comemos massas. Dinheiro não temos, mas temos estilo.

A viagem até Neuquém também é muito bonita, margeando o Rio Limay por longo tempo e vencemos 430 km em 5 horas.

Chegamos à cidade e fomos recebidos pelo Enrique Hahs do Club Nissan da Argentina que abriu as portas de sua casa onde estamos instalados.

Cabe ser ressaltado que nosso ponto de encontro foi no Supermercado Jumbo. Este supermercado tem o tamanho do Carrefour e Walmart juntos em Vitória.

Jantamos e ficamos contando mentiras até meia noite.

Amanhã vamos visitar as bodegas de vinho e pontos pitorescos de próximos de Neuquem.

Turismo em Neuquem

Pela Ruta 07 visitamos a área rural e 3 bodegas de vinho. A Bodega do Fim do Mundo, a Bodega Schroeder e a Bodega NQN.

O esquema é o seguinte: Nas 3 bodegas você faz uma vista guiada com uma guia que demonstra todo o processo desde a colheita da uva até o envase do vinho nas garrafas.

Trata-se de uma aula de enologia. Você pensa que sabe muito de vinho e ao final da visita você vê que muito foi acrescentado. O melhor de tudo é a degustação final e somente depois é que você faz sua opção de compra. Nosso almoço foi na Bodega NQN em um lugar especial.

Compramos algumas garrafas reserva e reserva especial a preço de vinho novo em Vitória.

Também trocamos a óleo da Nissan e amanhã partimos para Mendoza onde vamos visitar Adriana e Pedro também do Club Nissan.

Um grande abraço a todos, principalmente a Zenaide e José Carlos.

 

 

35º Dia (30 de dezembro):  

Mitos e lendas das estradas argentinas

Antes de começar o nosso relatório sobre a viagem até Mendonza e nossa estadia nesta cidade, gostaria de colocar alguns comentários sobre um personagem que nos tem acompanhado por todas as rutas desde que entramos em território argentino. Sua presença se faz sentir através de santuários toscos montados as margens das rodovias. 

Defunta Correa: 

A Defunta Correa é uma figura religiosa argentina que atrai centenas de milhares de devotos, pela sua trágica história e por supostos milagres atribuídos a mesma.

O seu culto não está permitido pela Igreja Católica, assim como o culto do nosso Padre Cícero. Não é considerada como santa, nem a sua existência real está devidamente documentada.

Segundo a lenda, María Antonia Deolinda Correa era uma jovem mulher, na década de 1840, que decidiu seguir o seu marido quando este foi recrutado para combater na guerra civil argentina. Levando seu bebé recém-nascido nos braços, Deolinda Correa, após a partida de seu marido, tentou seguir o progresso do exército argentino durante algum tempo.

Quando atravessou a zona desértica em torno da província de San Juan, os mantimentos e água que levava se acabaram e desta forma, acabou por morrer de sede e exaustão.

Algum tempo depois, o seu corpo foi encontrado e, para espanto dos viajantes, o bebé estava ainda vivo, supostamente graças ao leite que o corpo da sua mãe continuou a produzir, mesmo depois da morte. O evento foi considerado o clímax da proteção de uma mãe para com seu filho e interpretado como milagre divino. O local onde foi encontrada morta foi assinalado com um pequeno altar.

O culto da Defunta Correa atrai muitos milhares de argentinos, em particular camionieros e viajantes da estrada em geral. Em todas as rutas, a devoção da Defunta Correa está patente ao longo das estradas, onde se encontram pequenos santuários, mais ou menos elaborados, rodeados de oferendas como peças de carros e, especialmente, garrafas cheias de água pelas graças alcançadas.

Como viajar é transferência de culturas, essas foram mais 2 (duas) lendas que recolhi pelos caminhos trilhados em nossa expedição, além do túmulo do índio desconhecido de Punta Arenas no Chile. Moreover, he tried to let everybody know about the miracle.

Pode botar mais água no feijão que estamos voltando

Sabe aquele lugar que você visita um dia e gosta tanto do mesmo que fala que um dia irá voltar para visitar com mais calma ...

Assim é Mendoza, cidade que há dois anos visitamos, nos identificamos com a mesma,e hoje, dia 30 de dezembro, estamos de volta. O pensamento tem força e as palavras muito mais, e tenho certeza que um dia André e Marquinhos estarão aqui neste lugar comigo. 

Trata-se de uma cidade oásis no meio do deserto aonde, através da mão do homem, com o aproveitamento das águas vindas das geleiras das montanhas, se transformou em uma cidade que tem em suas avenidas largas, inúmeras praças e canais umidificadores em suas ruas, com um traçado único na Argentina.

Como também existe uma grande quantidade de informação na Internet, vou deixar que cada um de vocês monte o seu roteiro particular para visitar esta maravilhosa região, dando ênfase particular ao turismo dos vinhos e de esportes de montanha.

Nossa viagem de Neuquén a Mendoza transcorreu sem problemas. São em torno de 800 km trafegando em estradas de boa qualidade, com trechos agricultáveis, onde existe água, e trechos de deserto com retas que se perdem no infinito. 

Incrível como o homem, da mesma forma como agride a natureza, consegue transformá-la em lugares aprazíveis, agricultáveis e bons para viver. Tanto em Neuquén e Mendoza bem como nas cidades entre elas, cada metro quadrado de terra onde existe alguma umidade é aproveitado para cultura de frutas finas, nozes, vinhos etc.

Fomos recebidos e estamos hospedados na casa de Adriana e Pedro em Mendoza. São mais duas pessoas fantásticas que incluímos em nossa relação de pessoas que conhecemos pelo mundo. Para vocês terem uma idéia, nosso quarto foi até decorado com uma pequena bandeira do Brasil.

Os mesmos realizaram uma viagem em torno da América do Sul, por 9 (nove) países, durante 4 meses e meio, percorrendo mais de 30.000 km. Imaginem o que eles estão nos contando de suas aventuras. Nosso roteiro perto do deles torna-se um “roteirinho”   

Amanhã, dia 31 de dezembro, vamos tentar trocar o vidro do carro que não resistiu ao reparo realizado lá no Chile. Quando falo vamos tentar, é porque Mendoza já está em clima de festa.

Também serei obrigado a fazer visitas a vinícolas da região e a plantações de oliveiras, porque a Gloriete, quer porque quer, comprar vinhos e azeite extra virgem produzidos aqui na região.

Impressionante como tudo é muito relativo. Estamos a 4700 km de casa e já nos sentimos tão próximos das pessoas que nos são queridas.    

Um Feliz Ano Novo a todos, e que seus sonhos se tornem realidade e que suas realidades se tornem um sonho no ano que dentro de poucas horas irá se iniciar.  

 

Estadia em Mendoza.

Na mesma noite em que chegamos confirmamos de uma vez por todas que existe um complô dos Argentinos em não nos deixar partir.

Pedro e Adriana já nos levaram para conhecer alguns pontos que ainda não conhecíamos e terminamos esse dia com um lanche ajantarado em um dos quiosques do parque. Se a cidade de Mendoza é linda na parte da manhã, e de noite, ainda mais com sua iluminação de final de ano, que a cidade fica ainda é mais bela.

No dia 31 de dezembro, na parte da manhã, conseguimos finalmente trocar o pára-brisa da Nissan, pois na parte da tarde a cidade ficou como que deserta pelas festas de final de ano, com exceção de alguns postos de combustível que iriam permanecer abertos até as 22h00min horas. Se você precisa-se comprar um pão para comer iria morrer de fome.

A impressão de cidade deserta não se confirmou à noite, visto que durante em nossa ceia de réveillon, quando da passagem do ano (zero hora) os fogos de artifício de Mendoza começaram a espocar e iluminar o céu.

Como a casa de Adriana tem um pequeno terraço pudemos assistir a um bonito espetáculo. Não tem a intensidade e concentração em um só local como existe no Brasil, mas parece que os argentinos ficam entre si disputando quem vai soltar a última chuva de prata. O último espocar de fogos ocorreu quase uma hora depois.  

 

Ano novo vida nova

Como tudo está fechado em Mendoza, não tivemos alternativa senão ir para o campo também fazer um churrasco à moda argentina.

O lugar escolhido foi o povoado de Carrisal onde Pedro e Adriana tem uma casa à beira de um lago lindo de morrer.   

O tamanho do lago, originário das águas das geleiras, é mais ou menos do tamanho da lagoa de Araruama no Rio de Janeiro e lanchas e jet-sky dividem espaço com os banhistas.

Muita gente nas estradas, tanto na ida quanto no retorno, mas até agora não vimos um acidente sequer, graças a Deus, nas estradas.

O churrasco argentino é um pouco diferente do nosso, principalmente pelo corte das carnes, pela maciez e pelo modo de preparar, usando lenha em vez de carvão o que faz com que o perfume da madeira queimada penetre na carne. 

Quadriciclos são coisas muito comuns na Argentina, mas em Carrisal existem em maior quantidade que carros e existem “trocentas” pistas com todo o grau de dificuldade.

Retornamos e jantamos e ao chegar, ficamos sabendo o custo da energia elétrica na Argentina: 60 pesos em média, a cada 2 meses, por uma casa com 2 dormitórios.

Vocês até podem falar que são apenas 2 pessoas e que eles não usam ar refrigerado, mas pagar 15 reais por mês está muito barato. Cabe ser ressaltado que grande parte da energia utilizada hoje pela Argentina é fornecida por Itaipu. Viva o nosso presidente ...

 

 

Relatório da viagem de volta:

Neste momento, às 22h35min horas do dia 04 de janeiro, segunda feira (lunes), estamos hospedados no Hotel Don Leopoldo na cidade de São Mateus do Sul, a aproximadamente 200 km de Curitiba – Paraná.

Mais uma vez usamos o serviço de Angeles Tours que providencia com certa antecipação o hotel em que iremos nos hospedar ao chegarmos à cidade de destino naquele dia.

Como isso já ocorreu pelo menos umas 15 vezes, nem nos preocupamos mais com relação à hospedagem. Para vocês terem uma idéia, nosso hotel tem até elevador panorâmico e mirador no último andar. Fomos lá mesmo debaixo de uma chuva fina. O valor da diária no melhor quarto com tudo de direito, cama king size e wi-fi no quarto ficou em R$132,00.

Mas vamos ao relatório com um pouco de atraso:

 

38º Dia (02 de Janeiro):

Depois de um almoço de despedidas com Adriana e Pedro no restaurante Las Tinajas (recomendo – muito bom mesmo) ao valor de 30 pesos por pessoa, resolvemos antecipar nossa partida em meio dia de viagem, visto que o sol se põe bem tarde naquela região e como eram ainda 16h00min horas, teríamos pelo menos umas 5 horas de iluminação.     

Mesmo parando umas 4 a 5 vezes na estrada para pequenas compras (vinhos, azeitonas e azeite), a viagem rendeu bastante, pois devido às condições da estrada na Argentina, principalmente na Província de San Luiz (auto-estrada em pista dupla iluminada) conseguimos chegar à cidade de Vicuna Mackena (451 km) em 4 horas e meia de viagem. Na auto-estrada viaja-se a mais de 120 km por hora com bastante segurança.

Quero ressaltar 2 coisas: Em quase a totalidade da auto-estrada tem wi-fi, ou seja, quem tem lap-top viaja utilizando sua máquina. Eu já tinha visto isso em cidades, mas em rodovia nunca. A outra é que os postes de iluminação na rota são pintados de cores diferentes e meio florescentes à noite. Achei uma coisa meio “feminina demais”, mas que chama a atenção chama.

Ficamos no único hotel da pequena cidade (Hotel Tala Penda – 210 pesos). Não vale tudo isso, mas era o único.

Também passamos por essa cidade, atrasando a viagem em quase 70 km porque a estrada entre Vila Mercedes e Rio Quarto estava com interrompida com a cheia do rio. Com a Nissan até dava para passar, mas a polícia não permitiu.

Em tempo: VICUNA MACKENA parece nome de guerreiro apache americano, mas trata-se de um escritor chileno (advogado) criticado pelo seu exacerbado patriotismo..

 

39º Dia (03 de Janeiro):

Saímos às 07h00min horas da manhã de V. Mackena e chegamos à aduana de San Tomé/São Borja às 21h30min horas. Foram 1190 km.

Trafegamos sob os mais variados tipos de estradas, atravessamos um grande número de cidades e a partir da cidade de Paraná debaixo de chuva.

Os policias da província de Corrientes pelo menos são mais inteligentes e menos corruptos. Em vez de roubar, eles estão vendendo (compulsoriamente) um manual de segurança nas estradas e de primeiros socorros por 20 pesos. Mais a frente, um outro grupo solicita uma pequena contribuição para comprar tinta para pintar o posto policial.

Nesse ponto me fiz de desentendido e disse que já tinha contribuído comprando o manual.    

Os trâmites de fronteira forma muito simples.  Apenas o tempo para carimbar os passaportes. A única coisa que eu não tinha previsto, é que existe um pedágio para passar na ponte internacional com um custo de 50 pesos. Quase que eu tive um problema, pois só fiquei sabendo na hora de abastecer o veículo antes de entrar na estrada que leva a ponte.

Tive também meus minutos de fama neste dia, pois como a Nissan é amarela e cheia de adesivos, muitos passantes pensavam que eu fazia parte de alguma equipe do Rali Dakar.

O hotel que ficamos foi o Parque Hotel – R$ 70,00 (setenta reais). Trata-se de um preço promocional e o vendedor fica lá na praça da fronteira.   

 

40º Dia (04 de Janeiro):

Saímos ás 09h00min de São Borja, cidade que ainda respira as memórias de Getúlio Vargas, João Goulart e onde está enterrado Leonel Brizola e conseguimos chegar à cidade de São Matheus do Sul no estado do Paraná.

Foram 750 km de uma estrada em péssimas condições. As condições da estrada são um crime e um desrespeito praticado pelo Governo Federal contra a população de um estado dos mais prósperos no Brasil.

A estrada é travada, esburacada, vigiada e em certos pontos pedagiada (isso não é possível). Superou em dificuldade a viagem pela Carretera Austral no Chile.

Desta forma não recomendo trafegar por esta estrada para ou entrar do Brasil.

No mais, nossa intenção é tentar chegar a Resende amanhã à noite.

Atenção: 

Quando ontem enviei o relatório e falei que estávamos em ritmo de rally, podem estar seguros de que nenhuma norma de segurança está sendo desprezada. Desta forma fiquem tranqüilos. Já temos alguma bagagem de estrada e Deus sempre estará conosco.    

Até amanhã à noite.

 

 

Relatório de chegada:

Aos seis dias no ano da graça, do mês de janeiro de 2010, às 19h30min horas, chegamos a muy honrada cidade de Vitória, capital da província do Espírito Santo.

Foram 17.236 km percorridos, 8 passos fronteiriços atravessados (não estamos considerando o Paraguai),  4 (quatro) tempestades de areia, 1 (uma) tempestade de neve, muitos amigos que nos receberam em suas casas ou criaram facilitadores em suas cidades sem nem ao menos nos conhecerem anteriormente, (Clube Nissan Argentina e Passion 4x4 Rosário), bem como outras pessoas que encontramos pelo caminho, das mais diferentes  nacionalidades ( 17 nacionalidades: Franceses – Nova Zelândia – Israel - Portugueses – Indianos - Japoneses – Coreanos - Colombianos – Chilenos – Equador – Costa Rica – Bolivianos – Alemães - África do Sul – Bolívia – Canadá – E. Unidos, etc) e até 3 brasileiros ( muito pouco).

Não seremos mais os mesmos depois desta travessia e certamente ninguém que tenha feito travessia semelhante também o será. Voltamos fortalecidos em nossa fé.  Gloriete acha que devo abrir uma igreja independente (Igreja dos Viajantes do Reino) voltamos fortalecidos em nossa autoconfiança e principalmente fortalecidos em nossa auto-estima diante da superação de todos os obstáculos que atravessamos e maravilhas que contemplamos.

A Nissan foi simplesmente um veículo fantástico. Tirando o vidro quebrado pela tempestade de areia ou por uma pedra na Carretera Austral, bem como a perda de uma calotinha do pneu traseiro, ocorrida quando começamos nosso rally de retorno ao Brasil, nada mais aconteceu nesses 17.000 km. Nem um parafuso sequer se soltou. Amanhã vou dar uma lavagem “vip” e a Nissan já poderia voltar para a estrada.

O motor chipado e o aditivo Teccom 10 para compensar qualquer qualidade de diesel cumpriram com o que prometeram. Recomendo e estou usando os dois a mais de 1 ano e só agora, coloquei os mesmos a teste em condições extremas.

A única preocupação que tivemos e relatamos para vocês, foi com relação à qualidade do óleo trocado para viajar, o óleo Ipiranga, e que quase fundiu o motor na Nissan na Rodovia Castelo Branco, pois lá o motor é exigido a mais de 3000 giros durante horas seguidas.

É claro que Gloriete nem percebeu isso, mas os sentidos de quem faz uma travessia desta natureza ficam como que aguçados e qualquer barulho diferente é percebido. Entretanto, o problema foi solucionado com a adição de um Bardhall B12 no motor e depois a adição de um MOLIKOTE no motor quando da troca de óleo (cambio de azeite) em Comodoro Rivadávia.  A partir daí o motor virou manteiga ...  

Os dois últimos dias de viagem que antecederam nossa chegada a Vitória foram realizados no mesmo “pique” de viagem.

Saímos de São Matheus do Sul às 09h30min horas da manhã reclamando com nós mesmos porque tínhamos saído tão tarde. Isso fez com que atravessássemos a cidade de São Paulo às 17h00min horas, em plena hora do rush, e enfrentando os moto-boys que utilizam um corredor entre os carros e destruindo qualquer espelho retrovisor de algum auto que dificulte sua passagem. Um deles tentou danificar o espelho da Nissan e quase caiu, porque o espelho da Nissan é quase que semi rígido.

O que era para ser um dificultador acabou sendo uma vantagem, visto que o horário em que atravessamos São Paulo foi o horário de chuva forte, mas sem as conseqüências da chuva de granizo anterior e as enchentes que se seguiram.

Nesse dia conseguimos chegar à cidade de Resende e no outro dia, faltando apenas uns 750 km, viemos passeando até nossa cidade onde s3e encerrou nossa aventura.

Desta forma agradecemos a todos vocês que nos acompanharam nessa aventura através das mensagens recebidas, as quais foram de fundamental importância para fortalecer nosso espírito nas horas em que sentíamos saudades.

Que Deus os acompanhe em suas estradas da vida e até a próxima ...






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