Puna com os amigos - Julho de 2010 - Argentina, Chile, Bolívia,

A “Puna de Atacama” (puna significa deserto em Quéchua e Atacama significa pato preto) é a região dos Andes onde fizemos esta Expedição. Ela é uma parte do Altiplano Andino localizada na região noroeste da Argentina. É uma região desértica e sem vegetação que fazia parte do território da Bolívia até o final do século XIX, quando foi tomada pelo Chile e Argentina depois da Guerra do Pacífico. Depois do final da guerra, no começo do século XX, houve ainda muita discórdia entre a Argentina e o Chile com relação às fronteiras. Hoje a maior parte da Puna é “compartilhada” pelos dois países limítrofes e a Bolívia ficou com uns 20 % da área original. O maior salar é o de Uyuni (Bolívia) e o segundo é o Arizzaro (Argentina). O Salar do Atacama (3º em tamanho) fica na parte chilena da Puna. A altitude nesta região varia entre 2.500 e 4.800 m nas partes planas, havendo montanhas de até 6.900 m. Ela contem muitos vulcões, salares, lagos salgados, minas ativas e minas abandonadas e planícies coloridas de areia. A flora é praticamente reduzida a uma vegetação rasteira e diversos tipos de cactus (entre eles os “cardones”).  A fauna tem a Vicuña, diversos tipos de “zorros” (lobos), raposas e outros pequenos mamíferos roedores, dentre eles a Viscacha. Nestas altitudes não há cobras ou qualquer animal peçonhento.

As grandes altitudes e a baixíssima umidade relativa do ar exigiram certo tempo de aclimatação, muita paciência com os nossos próprios organismos e cuidado no manejo do equipamento. Em Julho a temperatura estava suportável durante o dia (entre 2 e 16 oC), com muito vento, e muito fria durante a noite, chegando a muitos graus abaixo de zero de madrugada. Participaram dessa Expedição, Eu e a Tércia na Savana 2008 (Marylona), o João e a Marta na Savana 2005, o Neto, Fê e a Carol na Toyota Hi-Lux (2004) com suspensão Ironman, turbo e intercooler. Todas estavam equipadas para enfrentar o deserto, com snorkel (reduz a quantidade de poeira que entra no filtro), dois estepes, guincho, hi-lift, galões de combustível (40 L), pranchas para desatolar na areia, duas baterias, GPS, rádio e etc. Devido às baixas temperaturas, usamos aditivo anti-congelante no diesel a partir do trecho de Cachi até Fiambala. Na minha Savana ainda tinha um cilindro de oxigênio, para ser usado em caso de alguém passar mal em grandes altitudes.

No dia 16 de Julho o Neto saiu de Sampa com a Hi-Lux, levando o Fê e a Carol, o João e a Marta saíram de Campinas e nós (Marco e Tércia) saímos de Sorocaba (casa do nosso filho). Nos encontramos no Rodoserv da Castelo e seguimos para Cascavel, PR, via Ourinhos. No dia seguinte dirigimos até a fronteira em Foz do Iguaçu, a cruzamos e seguimos até Corrientes, debaixo de um pé d’água que parecia um dilúvio.  Dormimos em Corrientes e, no outro dia, cruzamos o rio Paraná e seguimos em direção a Santiago del Estero. Foram 3 dias de deslocamentos longos para chegar onde íamos começar o passeio propriamente dito.

Havíamos pegado toda a onda de frio nesses 3 dias e tivemos a primeira surpresa. Havia nevado demais nas montanhas e informaram que as estradas para Tafi del Valle e para Salta estavam fechadas. Fomos até a rodoviária da cidade para assuntar, pois poderia ser boato. Segundo informaram na rodoviária a estrada para Salta estava aberta e a de Tafi havia sido reaberta naquele domingo. Os ônibus já estavam chegando e saindo normalmente. Aprendi a checar esses boatos sobre estradas com os motoristas de ônibus quando viajamos pela Amazônia. Comemos umas empanadas, tomamos umas cervejas e resolvemos tocar o barco no dia seguinte para Tafi, como planejado.

Pelo sim, pelo não, saímos cedinho no dia seguinte em direção a primeira serra. Realmente a “jungla” (uma mata que cobre a subida da montanha nessa região) estava toda coberta de neve, muito bonito por sinal. Paramos para a clássica foto seguida de uma batalha de bolas de neve. Fomos direto para Tafi arrumar um hotel, pois não havíamos conseguido fazer nenhuma reserva. Arrumado o hotel saímos para uma volta por uma estrada de terra, coberta de neve, que leva para a fazenda que faz o melhor queijo do mundo (afinal de contas eu sou mineiro, uai!). Foi o nosso primeiro contato com uma estrada com gelo e neve, tiramos um monte de fotos sem saber que aquilo era só um pequeno aperitivo. À noite fomos saborear um carneiro assado, bife de chorizo, bife de lomo e todas aquela iguarias que só os argentinos sabem fazer.

No dia seguinte saímos de Tafi subindo a serra até uns 3.000 m de altitude, onde se passa para o Valle Calchaquies, com uma linda paisagem onde já se vê a Cordilheira com toda a sua majestade. No meio da subida havia uma cachoeira congelada. O vento gelado, apesar do Sol, nos obrigava a vestir um monte de casacos, gorros e luvas cada vez que parávamos para tirar fotos ou para “abraçar” um cacto para uma pose.  Descemos novamente a 2000 m, já no vale Calchaqui, Ruta 40, e nos dirigimos às ruínas de Quilmes para visitá-las. Ficamos por ali umas duas horas caminhando pelas ruínas depois de escutar a explicação do guia. Um passeio muito interessante e instrutivo. De lá seguimos para Cafayate, com uma parada em uma Finca para provar um vinho da região.

Cafayate era onde estava marcado o começo da aventura da subida da Cordilheira, portanto procuramos um posto para encher os galões de reserva (40 L por carro) e um lugar para comprar o aditivo anti-congelante para o diesel. Em Tafi não achamos aditivo anti-congelante porque o estoque da loja local havia se esgotado. Compramos o aditivo anti-congelante da Bardal no borracheiro da cidade, que o vendia a granel. A partir de Cafayate continuamos pelo ripio da ruta 40 em direção norte passando por regiões produtores de uvas e vinhos e antigas construções de adobe. Depois de Cachi, há um pequeno trecho de asfalto. Quando saímos do asfalto para continuar na 40, engatamos a 4x4 (que só seria desengatada em Fiambala, dias depois) e começamos a subir a cordilheira ao longo do rio Calchaqui, na direção da sua nascente e de San Antonio de los Cobres. Este trecho estava abandonado há anos, mas foi recuperado tirando o prazer de um bom off-road. Depois de passar dos 2500 a 3000 m de altitude já começamos a cruzar trechos do Rio Calchaqui que estavam semi congelados. Chegamos a quase 5.000 m de altitude no Alto del Abra el Acay (não sei o que significa), onde o vento estava muito frio mas conseguimos tirar muitas fotos. Dali descemos a 40 em direção à ruta 51 e San Antonio de los Cobres, onde chegamos ainda de dia. Paramos na Hosteria de las Nubes, que é um oásis de conforto nessa cidade, tem até internet wi-fi! A região de S.A. de los Cobres tem muitas paisagens interessantes para serem visitadas, como o viaducto La Polvorilla a quase 4.000 m. Também aproveitamos para abastecer os carros. À noite ainda comemos o “guisado de Llama” servido na Hosteria onde estávamos hospedados.

Dali prosseguimos para a região mais bonita e deserta da Puna. Passamos pelo Viaducto La Polvorilla e fomos em direção a Tolar Grande, passando por Pocitos e pelo Salar de Pocitos. Antes de Tolar tem um lugar que os locais chamam de “7 voltas”, mas parece mais com uma paisagem lunar. É uma região com montanhas de terra vermelha e passagens estreitas, contrastando com as montanhas negras cobertas de neve ao fundo. Depois de sair desse vale paramos nos “Ojos Del salar”, onde há uma afloração de água azul no meio do sal branco. Chegamos a Tolar Grande (deve ter uns 200 habitantes) e dormimos no alojamento chamado AFAPUNA (Associação Franco-argentina dos Amantes da Puna). É um refúgio, com um quarto de beliches para homens e outro para mulheres, administrado por uma moradora local e pela Secretaria de Turismo de Tolar Gande (contatos com o Jose Piu). No local há banheiros coletivos muito limpos e com água quente. O lugar é bastante confortável e há um bom “comedor” na cidade onde se pode jantar. Baixamos o primeiro galão de combustível para os tanques e tiramos algumas coisas das caçambas das camionetes devido a temperatura esperada para a noite. A noite pudemos ver o maravilhoso céu do deserto.

No dia seguinte fomos até a cidade fantasma de La Casualidad em um percurso de uns 250 km de ida e volta que levou o dia todo. Primeiro tivemos que ligar os carros com uma temperatura em -15 oC. As baterias estavam boas e os carros pegaram com muita dificuldade. O reservatório de água da camionete do Neto amanheceu estourado pelo gelo. A minha Savana ficou engasgando um pouco até eu colocar mais anticongelante no diesel do tanque e esperar ele chegar até a bomba injetora (coisas de carro com injeção eletrônica). Depois de engasgar uns 20 km ela voltou a andar normalmente. Para ir a La Casulalidad se atravessa o Salar de Arizzaro no sentido transversal, margeia-se o mesmo e chega-se na Estação Caipe do trem das nuvens. Ali é só pegar uma estreita estrada asfaltada de 60 km! Na verdade esse asfalto está abandonado há mais de 30 anos, tem buracos e pedras e o gelo tinha tomado uma parte dele. Este trecho de asfalto era usado para transportar o minério para o trem. No comecinho do asfalto paramos para tirar umas fotos e o Neto percebeu que a bateria da Railuquis tinha se deslocado para o lado, raspado na polia do alternador e estava vazando a solução. Tiramos a bateria e a abandonamos ali mesmo. Com a água descongelada que tínhamos lavamos os locais onde havia escorrido a solução ácida e colocamos a bateria secundária no lugar da primária. Seguimos até La Casualidad (uma cidade abandonada onde já viveram 5.000 pessoas) e depois tentamos chegar na mina Julia (antiga mina de enxofre), mas o gelo cobriu a estrada de modo intransponível quando faltavam uns 6 km para a mina. Decidimos ir até um ponto onde se podia ver o Llullaillaico (montanha de 6870 m de altitude) e depois retornamos para Tolar Grande pelo mesmo caminho sem mais nenhuma surpresa, além da paisagem deslumbrante dos salares. Baixamos o segundo galão para os tanques, jantamos no mesmo comedor e dormimos mais uma noite no refúgio.

No dia seguinte o plano era ir de Tolar Grande para Antofagasta de la Sierra passando pelo Salar de Arizaro e o Salar de Antofalla, cruzando uma região com formações rochosas resultantes de intensa atividade vulcânica e 100 % deserta. Dessa vez havíamos deixado os motores das camionetes cobertos com lonas por baixo do capô para evitar que o diesel gelificasse no filtro e na bomba (quem deu a dica foi o Fabrizio, um guia que estava no refúgio com um grupo de turistas italianos). A temperatura havia subido para -5 oC, os carros estavam de cara para o nascente e os motores pegaram bem mais fácil. Cruzamos o salar de Arizzaro no sentido longitudinal (uns 70 km) e paramos junto ao “cone de Arita” para tirar fotos. Depois entramos à esquerda, antes da Mina Arita, e pegamos o caminho para Antofagita. Chegamos a esse oásis por uma descida em zigue-zague, onde todas as camionetes tiveram que manobrar nas curvas. O local é incrível, tem até árvores e sombra. O frio já estava mais ameno, apesar do riozinho estar todo congelado. Dali fomos margeando o salar de Antofalla até chegar na vila de Antofalla (80 habitantes). No meio do caminho paramos para ver uma formação de cristais no meio do salar e percebi que estava com um pneu meio murcho. Enchemos o pneu com o compressor do Neto e tocamos para a frente. Depois parei dentro de um riozinho para ver se dava para achar o furo e percebemos que estava vazando muito pouco ar, dava para ir enchendo de vez em quando.

Saindo da vila, cruzamos o Salar de Antofalla e subimos de 3300 para 4800 m em menos de 15 km, tudo em reduzida e devagar porque a estrada é cheia de pedras. Paramos no topo da montanha para tentar fotografar o salar, mas o vento estava muito forte e frio e acabamos desistindo. Seguimos para Antofagasta de la Sierra, passando por um vale que tem uma grande reserva dedicada à preservação das Vicuñas. Os rios congelados compunham a paisagem e cruzavam a estrada. Em um trecho o gelo tomou a estrada e tivemos que pegar um “arrudeio” meio esburacado. No caminho ainda tivemos que atravessar pequenos rios congelados várias vezes, até que chegamos em um ponto onde fizemos a nossa primeira travessia de rio gelado com uns 20 m de largura. O gelo agüentou o peso dos carros numa boa. Chegamos a Antofagasta ainda de dia e nos dirigimos à hosteria local, onde não há calefação nos quartos, mas há água quente para o banho e um bom jantar. Havia um pequeno aquecedor elétrico nos quartos, mas o gerador da cidade não funciona das 23 as 6 horas, portanto não adianta nada. Nos viramos com os sacos de dormir e os isolantes térmicos.

O plano original em Antofagasta de la Sierra era fazer um passeio à cratera do Vulcão Galan (a maior cratera dos Andes) e à laguna Diamante, onde se concentra a maior quantidade de flamingos de toda a Puna. No entanto, nos informaram que os flamingos vão embora no inverno e resolvemos fazer outros passeios. Os carros pegaram com facilidade porque a temperatura estava poucos graus abaixo de zero e os deixamos em um lugar mais ou menos abrigado. Visitamos um sitio arqueológico, uma ruína inca e os vulcões Antofagasta e Allumbrera. Também aproveitei para consertar o pneu no borracheiro da cidade. Como o posto de abastecimento da cidade estava funcionando, também aproveitamos para completar os tanques apesar do alto preço do diesel. Um dia antes o borracheiro (Sérgio) havia resgatado um carro 4x4 que ficou atolado e com o diesel congelado no areial perto do Campo das Pedras Pomes. Ele deu algumas dicas sobre essa travessia.

No dia seguinte vinha o grande desafio da Expedição, ir para Fiambalá via Campo de Pedras Pomes e Las Papas. Saímos tão cedo quanto a temperatura permitia (umas 9 e meia da manhã), seguimos pela estrada para El Penon e entramos a direita para o Campo de Pedras Pomes. Nós tínhamos uma rota nos GPS fornecida em parte pelo Tano Baldi, a rota do mapa digital Viajeros e as dicas dadas pelo Sérgio. O caminho é incrívelmente bonito até as Pedras Pomes, onde paramos para umas fotos. Depois continua bonito, mas tem uma areia vulcânica cinzenta e fofa que não acaba mais. Baixamos os pneus para 18 psi, metemos a reduzida e seguimos com cuidado por diversos quilômetros até chegar a um platô mais firme, onde paramos para um lanche. Fiquei tão emocionado que declamei uma poesia em homenagem à Puna escrita por Jaime Dávalos (poeta argentino). Depois do lanche cotinuamos pela areia vulcânica acinzentada por uns bons quilômetros até chegar a uma laguna. Nesse ponto passamos por um divisor de águas, a areia ficou para trás, e começamos a descer a serra em direção ao rio Chuquisaca e Las Papas. A descida é feita por uma estrada bem estreita com um belo precipício do lado. Paramos em Las Papas para deixar o material escolar que o Tino havia pedido para levar. É uma comunidade pequena onde poucos falam espanhol e com muitas crianças. O líder local não estava e deixamos as doações com o seu substituto. Dali em diante a “estrada” ia pelo fundo do vale e por dentro do rio. Se houver uma chuva forte aquela comunidade fica isolada. Ao final do rio chegamos a uma ruta provincial e depois a Fiambalá. Chegamos ainda de dia e nos hospedamos na hosteria local, que tem muito bons quartos com aquecimento e água quente. À noite jantamos “aquela” carne argentina e tomamos vários espumantes providenciados pelo aniversariante do dia.

No dia seguinte o plano era ir até perto do vulcão Pissis subindo por uma estradinha de terra que sai da estrada principal que leva ao Paso San Francisco. Seguimos pelo asfalto até entrar nesse caminho. Depois de poucos quilômetros começamos a encontrar muito gelo no leito do caminho. Seguimos com cuidado, subindo a montanha até uns 4200 m de altitude, onde o gelo havia bloqueado completamente a estrada. Deste ponto não dava para passar, tivemos que desistir e deixar para voltar no futuro em um verão. Depois de descer a montanha paramos na margem de um rio (congelado) para fazer um lanche. Retornamos a Fiambalá e tínhamos duas opções, ver as dunas onde passa o Raly Dakar ou tomar banho nas termas. Fomos para as termas, curtimos o visual, mergulhamos por um bom tempo naquela água a quase 40 oC, vestimos a roupa e fomos tomar uma cervejinha. Afinal de contas, a gente merecia comemorar.

Em Fiambalá terminou a viagem em grupo. Neto, Fê e Carol na Railuquis e Bosco e Marta na Savana, começaram a volta para o Brasil. Eu, Tércia e a Marylona fomos em direção ao Paso San Francisco para entrar no Chile.

Nosso plano inicial era entrar no Chile pelo Paso San Francisco, seguir pelo interior na direção sul, retornar pelo Paso Águas Negras, passar pela região da pré-cordilheira e Córdoba. No entanto tivemos que mudar o roteiro porque o passo ao sul fica fechado no inverno. Por outro lado, muitos passos de fronteira na Cordilheira haviam sido fechados por alguns dias devido à neve. O San Francisco havia sido reaberto naqueles dias que ficamos em Fiambalá.

O Paso San Francisco fica a 4700 m de altitude e é o mais alto da fronteira Argentina/Chile. Depois da aduana argentina há vários vulcões e na entrada do Chile fica uma laguna azul esmeralda ladeada por um vulcão de cor negra. Se acrescentarmos umas pitadas de neve dará para imaginar a beleza da paisagem. Havia também uma placa indicando “termas”, mas resolvemos não arriscar devido ao frio. A descida pelo lado chileno é menos colorida do que a subida do lado argentino. Há muitas empresas de mineração neste caminho até Copiapó.

Ficamos um dia em Copiapó, conhecemos as plantações locais de uva, as ruínas de uma metalúrgica inca, o supermercado da cidade (com a clássica pergunta; “usted tiene tarjeta unimart?”) e o lubricentro onde trocamos o óleo da Marylona. A impressão que tivemos foi de uma cidade simpática e hospitaleira, porém empoeirada e poluída pelas empresas de mineração.

No dia seguinte seguimos para Caldera, no litoral do Pacífico, e no caminho nos deparamos com um fenômeno único, o deserto florido! O deserto coberto de um tapete de flores brancas ou roxas, uma coisa linda. A estrada vai pela costa até Chañaral, depois sobe para o espigão da serra. Chegamos até Tal Tal, onde nos hospedamos em um hotel à beira mar que é administrado pela tataraneta do fundador do hotel. Tal Tal foi fundada no começo do século XX, como porto para exportação de salitre, depois da Guerra do Pacífico e em território que havia sido boliviano. De Tal Tal seguimos pelo litoral na direção norte até Paposo, uma cidade pesqueira. Depois a estrada sobe a serra, passa ao lado de um imenso observatório astronômico e conflui com a Panamericana. Continuamos para o norte em direção a Antofagasta e Calama. No caminho paramos em Baquedano para conhecer um “museu” ferroviário com locomotivas da época áurea da exploração do salitre. Mais a frente, paramos nas ruínas da “Oficina Chacabuco”, a maior usina salitreira que existiu no Chile. É um sitio impressionante para quem quiser aprender um pouco da história chilena nos séculos XIX e XX. Dali fomos para Calama nos hospedar no hotel Água del Desierto. Me surpreendi, havia estado ali em 2006 e eles ainda tinham a minha ficha no computador do hotel! Calama é uma cidade maior e resolvemos ir ao supermercado comprar vinho. Era sábado à tarde e, aparentemente, toda a população da cidade também teve a mesma idéia. Em 3 semanas esse foi o nosso primeiro congestionamento em um shopping lotado, foi um choque!

De Calama começamos a volta, passando por San Pedro do Atacama para fazer migração e aduana, e seguindo em direção a fronteira. Não paramos em San Pedro porque já estivemos ali muitas vezes desde Janeiro de 2000. Depois da aduana Argentina, a uns 4.200 m de altitude, descemos a cordilheira, passamos pela Salina Grande (que não é tão grande assim), e fomos para Jujuy e Salta. Mais um dia em Salta para lavar a camionete, fazer umas compras e retomar a volta. Viajamos uns 900 km de Salta até Ita Ibate, comemos um belo de um filé de dourado e  dormimos em um bom hotel (Hotel Piedra Alta) com aquecimento no quarto. No dia seguinte esticamos até Campo Mourão no Paraná, onde nos hospedamos no Palace (excelente e barato). De Campo Mourão a Campinas foi rapidinho e ainda chegamos em casa com a luz do dia.

Vale lembrar que, em Julho de 2010 o diesel de boa qualidade na região da Argentina onde passamos estava mais caro do que no Brasil. Isso vale para o Euro da YPF e o aditivado da Shell. O diesel + da BR era tão ruim quanto o diesel comum da YPF e mais caro. No Chile abastecemos somente nos postos da Copec e o preço era menor do que no Brasil. O diesel da Copec é de qualidade excelente, pois a Marylona fez quase 10 km/L.

            Acho que devemos mandar um agradecimento coletivo ao pessoal do Proyecto Mapear, pelos excelentes mapas que eles disponibilizam para os nossos GPS Garmin. Um agradecimento especial ao Tino Baldi e ao Sergio (borracheiro de Antofagasta de la Sierra) pelas dicas do caminho a Fiambalá. E um agradecimento super especial à Pacha Mama por nos ter ofertado as lindas paisagens da cordilheira e da Puna.

 

 








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