Costa Rica-MS, Parque Nacional das Emas e Cachoeiras de Caiapônia e Piranhas - Centro Oeste,

     Desta vez, os destinos escolhidos foram a cidade de Costa Rica, no Mato Grosso do Sul; o Parque Nacional da Emas e algumas das muitas cachoeiras entre as cidades de Caiapônia e Piranhas, ambas em Goyaz.

     O tracklog anexado ao relato retrata o caminho percorrido em toda a expedição, partindo de Goiânia, Campinas e São Paulo.

     O relato da viagem, escrito pelos partícipes, encontra-se a seguir.

     Boa viagem!

 

 

       Costa Rica-MS, Parque Nacional das Emas e Cachoeiras de Caiapônia e Piranhas

 

 

Quinta-feira - 07-10-10

 

        Deixei Goiânia na manhã de quinta-feira, 07/10/10 com destino à cidade de Costa Rica-MS, onde encontraria naquela tarde com Neto, amigo de muitos anos, que partira de São Paulo e no dia seguinte, com o Marco e a Tércia, vindos de Campinas.

 

        Fazia um calor de verão goiano (leia-se: uma fornalha) então, viajei pela BR-060 até Mineiros-GO com o ar condicionado ligado e com o pé mais embaixo do que o habitual e de lá segui para Costa Rica-MS.   Isto me faria gastar muito mais diesel do que o de costume e iria cobrar seu preço daí a pouco...

 

         Cheguei à cidade já à noite, com o céu cinzento caindo por cima das cabeças dos viventes, na forma de água que não parava!   Toda aquela chuva, no trecho em obras da BR-359, transformou a pista num parque de diversões off road.   A viatura, uma Defender 110, mesmo com o diferencial central bloqueado, deslizava e andava de lado ante ao menor toque mais forte no acelerador!   Estava sozinho, no meio de uma tempestade, numa estrada  em obras e deserta e com o diesel quase no fim...   às vezes, via um ou outro caminhão atolado e mais nada!

 

        Agora, tudo o que restava era a luz alaranjada acesa no painel, avisando que o combustível chegara à reserva e um pequeno galão com 5 litros atrás do banco...   Contava no GPS, a cada instante, os quilômetros que faltavam para chegar!   Mas daí a pouco, após chamar pelo rádio, ouvi a resposta alentadora do Neto, que chegara de São Paulo!    

 

        Abasteci a viatura, pagando R$2,22 o litro do diesel, ante os R$1,80 em Goiânia e R$1,98 nas estradas goianas.

 

        Logo depois, escolhemos hotel e a saímos para jantar, após um dia de quase jejum.   Costumo comer o que vejo pela frente: "se for planta e estiver arrancada da terra, eu como; se for bicho e estiver morto, como também!"    A  prosa estava boa e só saímos do restaurante quando nos avisaram que precisavam fechar...

 

 

Sexta-feira - 08-10-12

 

 

        No dia seguinte, fomos ao Parque Estadual das Nascentes do Taquari, a +/- 50 km ao norte de Costa Rica e voltamos para almoçar, encontrando o restaurante ainda aberto e saindo de lá só depois que retiraram o resto do almoço do buffet...

 

        Passamos a tarde no Parque Municipal do Sucuriú até a chegada do Marco e da Tércia, à bordo da nova L 200 Savana e à  noite, jantamos fartamente!

 

 

Sábado - 09-10-10

 

 

        Acordamos antes das 8 da manhã e logo após o desjejum no hotel, fomos à secretaria de turismo, pois pretendíamos ir à fazenda Água Santa  -   onde estão as águas termais.   Mas a secretaria de turismo de uma cidade que se pretende turística, estava fechada numa manhã de sábado!

 

        Fomos então para a cachoeira da Rapadura e, antes de chegar, vimos araras, um tamanduá bandeira e gaviões!   Alguns animais pareciam até posar para fotos!   Pelo caminho, colhemos mangas e goiabas e vimos passar uma composição de locomotiva e mais 78 vagões pela linha férrea.   É um sinal da força do agronegócio e da coragem da iniciativa privada, que fazem o desenvolvimento do Centro-Oeste do Brasil.

 

        Chegamos até onde se podia ir com as viaturas, estacionamos e, a partir dali, uma pequena caminhada até à cachoeira, com direito a lanche na volta!

 

            Atravessamos então fazendas  e  mais fazendas, onde se via cana e  gado por toda parte e as estradas, por vezes, quase não se via!   Cruzamos a linha férrea uma vez mais, tomando o cuidado de fechar as porteiras, encontradas abertas dos dois lados.   Porteira em passagem de trilho de trem de ferro, tem que ficar fechada!

 

            Na viagem que nos esperava até o Parque Nacional das Emas, vimos nos  mapas do tracksourse duas opções de caminho a seguir:

 

            Num deles, dando uma volta bastante grande, entraríamos pelo portão "Guarda do Bandeira", na parte sul do Parque.

 

            Noutra opção, ambas de estradas vicinais a seguir, percorreríamos um trecho curto no Mato Grosso do Sul, atravessaríamos uma "ponta" de Goyaz e retornaríamos ao MS   -   antes de entrar em Goyaz de uma vez para entrar no Parque pelo sul.   Porém, no trecho goiano do trajeto, faltava o pedaço de estrada d e +/- 1 km de extensão.   Não fazia sentido aquela estrada terminar num ponto, desaparecer do mapa na divisa de Estados e "recomeçar" de novo...   Percorremos então aquele trecho mais atentamente, até chegar ao ponto onde a estrada, no MS, estava novamente mapeada pelo tracksource.

 

        À tarde, pouco antes das 4 horas   -   hora combinada o início da visita   -   entramos no Parque Nacional das Emas para  observar  o espetáculo da bioluminescência.

 

            Fizemos  nosso jantar no "Mirante do Avoador", admirando a planície que dali se descortinava.   Olhei no GPS quando se daria o ocaso e lá estava, exato: 18:30 hs.   Terminamos o jantar e partimos para a observação dos cupinzeiros.   Havíamos  marcado nos GPS, no caminho de ida, os 2 pontos com grande concentração de cupinzeiros.

 

        A noite escura de lua nova nos ajudou a ver aquelas pequenas larvas que se tornam fosforescentes e que ocupam cupinzeiros já abandonados por seus habitantes originais.   Fotografamos à vontade e, pontualmente às 9 da noite, conforme o combinado com o Eng. Marcos Cunha, administrador do Parque Nacional das Emas, estávamos na sede.   Lá, fomos recebidos pelo Sr. Rubens e logo depois pelo Marcos.   Acampamos ali, autorizados pelo administrador, em virtude de pesquisas desenvolvidas pelo Marco Aurélio De Paoli  -  professor da UNICAMP e pesquisador  -  que a solicitara com antecedência a possibilidade de ali permanecer por pelo menos uma noite.   Esta incursão pelo cerrado e sua biodiversidade, é objeto de uma de suas pesquisas.

 

        O Parque, fechado desde o grande incêndio de agosto, fora reaberto no fim de semana em que lá estivemos.   Apesar da grande destruição, já se vê sinais de recuperação.   O verde já toma conta do cerrado!   A devastação foi mais  acentuada nas áreas com arvores mais altas e vegetação densa.   Áreas com vegetação rasteira e com menos para se queimar, parecem ter sido menos atingidas.   Nestas, o verde ficou  mais intenso com as primeiras chuvas de primavera!

 

 

Domingo - 10-10-10

 

 

        Deixamos a sede do Parque por volta das 9:00 hs,  depois de um farto café da manhã!   Atravessamos a ponte do rio Formoso   -   nome apropriado à beleza daquele rio!  -   e dali,  pelas estradas internas, chega mos na  BR 359, que tangencia aquela reserva em sua face oeste, com destino a uma das nascentes do rio Araguaia.   Pelo caminho, observamos como ficam os cupinzeiros atacados por tamanduás em busca de comida:  pela força e forma de suas garras, ficam parecendo oratórios, com o interior raspado e as bordas intactas!

 

        Pouco depois das 11:00 hs chegamos à fazenda Babilônia, onde fica a nascente do rio Araguaia.   Atravessamos pastos, estradas vicinais e finalmente estacionamos os carros.   Depois de alguns minutos de caminhada pela mata, observamos de cima, lá no meio das voçorocas, as minas d'água que se transformam mais adiante num dos mais belos e caudalosos rios dos muitos que cruzam o Planalto Central do Brasil.

 

        Nosso destino agora estava um pouco ao NE dali, na cidade de Caiapônia-GO.  Deixamos a nascente depois do meio-dia e, dirigindo calmamente pela região conhecida como mato grosso goiano, passamos pela cidade de Mineiros, abastecemos em Caiapônia e chegamos à cachoeira da Jalapa às 5 da tarde.   Ali, sozinhos, montamos nosso acampamento, tomamos banhos num dos poços da cachoeira e, mais à noite, assamos carne na fogueira e abrimos uma garrafa de vinho!

 

 

Segunda-feira - 11-10-10

 

 

        Depois de um longo e relaxante banho de cachoeira, num dos poços da parte de cima, partimos cedo da cachoeira da Jalapa, rumo à cidade de Caiapônia, onde faríamos algumas compras e seguiríamos com destino às cachoeiras da Samambaia, da Abóbora com pouso na cachoeira de São Domingos, em Piranhas, uma das maiores quedas d'água de Goyaz.

 

        Poucos quilômetros após a cidade de Caiapônia, na BR 158, saímos da pista principal, entrando numa estrada vicinal à esquerda, que nos levaria às cachoeiras da Samambaia (onde deixaríamos as viaturas) e da Abóbora.

 

        Lá chegando, caminhamos até à parte baixa do vale, rumo ao poço da cachoeira da Abóbora.   Atravessamos o poço a nado até debaixo da queda d'água e por lá passamos 2 horas, até que decidimos seguir até o nosso destino daquele dia, a cachoeira de São Domingos, onde chegamos depois de mais uma hora dirigindo, quase às 4 da tarde.

 

        Acampamos por ali, debaixo de árvores e ainda a tempo de nos deliciar nas águas mansas do rio São Domingos, pouco antes da majestosa queda de 96 metros!   E depois que a Tércia viu uma cobra   -   pela descrição, uma jararaca   -   tomando sol numa pedra na beira do rio...

 

        Para o jantar, o "menu" foi:  churrasco assado no disco de arado, lingüiça temperada (leia-se: apimentada!) vinhos e, para a sobremesa, doce de leite!

 

 

Terça-feira - 12-10-10

 

 

        Passamos a manhã do dia de Nossa Senhora Aparecida dentro d'água, aproveitando a correnteza leve e as águas mansas e temperadas para aplacar o calor do sol que, mesmo cedo, já se fazia sentir!

 

         Pouco depois do meio-dia, deixamos a cachoeira de São Domingos rumo à cachoeira dos 3 Tombos,  distante +/- 9 km dali,.   Estes, foram vencidos em mais de uma hora, enfrentando primeiro uma boa estrada vicinal e depois, pasto sujo, em antigas estradas de terra que hoje são usadas apenas por cavaleiros.   Atravessamos então um riacho,  num trecho que não consta dos mapas do tracksource, passamos por um areal, um lajeado de pedras, mais pasto e, por fim, encontramos a "3 Tombos"!

 

        Admiramos a beleza daquela paisagem, com águas que mansamente descem por um lajeado de uns 30 metros de margem a margem, não mais que meio metro de profundidade e caem pelos "3 Tombos" até o poço, lá embaixo!

 

        Depois de nosso último lanche, ao lado da cachoeira dos 3 Tombos, chegara enfim a hora de partir.   Pela estrada de terra por onde se faz a manutenção das linhas de transmissão de energia elétrica (não aparece no tracksource) encontramos a BR 158, ao sul da cidade de Piranhas, onde nos despedimos.   Neto, Marco e Tércia, tomaram o rumo sul, com destino a Jataí.   E Campinas e São Paulo, no dia seguinte.

 

        Depois de 5 horas dirigindo calma e lentamente, percorri os quase 350 km que faltavam para chegar em Goiânia e na noite seguinte, à mesma hora, recebi em meu celular uma mensagem do Marco dando conta que chegaram todos bem em São Paulo e Campinas!

 

 

        Para os que se interessarem, vejam o tracklog no site  www.viajantes4x4.com.br

 

 

        Escrito por*:

 

        Alfonse Leite

        Luiz M. F. Neto,

        Marco Aurélio De Paoli

        Tércia Pilomia

 

*nomes em ordem alfabética




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Imagens - Costa Rica-MS, Parque Nacional das Emas e Cachoeiras de Caiapônia e Piranhas _ Alfonse Leite

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