Expedição NOA - Catamarca / Argentina - janeiro 2012 - Argentina,

Viagem de aventura à região do noroeste da Argentina – NOA, também conhecida por ¨puna¨, o deserto de altitude.

Exploramos em um só veículo todo esse deserto, coisa que não aconselhamos a principiantes.  

Situada ao norte da província de Catamarca, ao sul de Salta, encostada  a leste nos contrafortes da cordilheira dos Andes e fazendo parte do mesmo geosistema do deserto de Atacama, no Chile, esta maravilhosa região caracteriza-se por ser um deserto de altitude, com fauna e flora específicos, imensos salares, inúmeros vulcões, lagoas, oásis e formações geológicas de uma beleza indescritível. Se você já conhece o deserto de Atacama e acha-o lindo, esqueça-o. Há algo muito melhor e mais bonito na puna, aqui no NOA.

 

A densidade demográfica é baixíssima e os recursos são extremamente escassos: estejam preparados para viajar todo o tempo sem cruzar com um veículo ou ver viva alma, sequer.

O terreno por onde se transita é muito agressivo, indo dos grandes atoleiros de areia fofa a pedras vulcânicas ponteagudas, a terra  com muita poeira de todas as cores, ao famoso “rípio” argentino, piso de pedras de todos os tamanhos, arredondadas ou não misturada com areia solta, trechos de sal com terra duríssima e extremamente ressecada, gelo mesmo no verão e por aí vamos nós.

Há muita informação por aí e vou me ater somente aos dados mais importantes e algumas recomendações que julgo necessárias para aqueles que quiserem se aventurar pelo NOA:

- Período da expedição: 12 a 20 de janeiro 2012 ( somente na região do NOA).

- Roteiro: de Mendoza a Fiambalá, Tinogasta, Belén, El Peñon, Antofagasta De La Sierra - ADLS (centro de apoio da região), Antofalla, Antofallita, Mina La Casualidad, Mina Júlia, Tolar Grande, San Antonio de los Cobres e finalmente a linda cidade de Salta.

- Percorridos aproximadamente 2.200km em 9 dias.

- Atrativos  e lugares maravilhosos visitados: banho nas águas termais de Fiambalá (até a 52°C);  as rústicas e agrestes termas de Villa Vil; os vilarejos de Barranca Larga e El Peñon; o intrigante Campo de Piedra Pomez com sua paisagem lunar; a laguna de Antofagasta De La Sierra e seus vulcões; a região da Reserva Natural de Laguna Blanca; a cidadezinha de ADLS e arredores com petroglífos e fósseis; o vilarejo de Antofalla às margens do imenso e branco salar de Antofalla com seus montes de ¨mica¨, mineral brilhante; a “vega” (oásis) de Botijuela entre outros, sua piscina termal e seu único morador ermitão;  o Cono de Arita, formação de cinzas vulcânicas no centro do Salar de Arizaro; as ruínas da Mina La Casualidad, abandonadas; a Mina Júlia a 5.300m de altitude; a travessia do salar  de Arizaro;  o salar de Pocitos; o vilarejo de Tolar Grande; o deserto Del Diablo e seu salar; o viaduto La Polvorilla, do Tren a las Nubes; San Antonio de los Cobres e Salta, “La Linda” .

- Impressões: Atravessamos desertos, salares, margeamos lagoas, banhamo-nos em termas agrestes, vislumbramos lugares inóspitos de inigualável beleza e desfrutamos de uma quietude ímpar na gostosa imensidão do deserto cuja altitude média fica entre 3.000 e 4.600m. Atingimos quase 5.300m de altitude com a Toyota Land Cruiser Prado, “Shrek”, sem problema algum de saúde ou do veículo. Para não falar que não houve nada, encontramos 2 pneus furados em ADLS antes de partir para a parte mais “pesada” do trajeto.  Num pneu havia um prego e noutro, uma enorme lasca de pedra. Por incrível que pareça, não dá para acreditar como tal coisa acontece. Sorte a nossa, pois, lá havia recurso.

Tivemos a oportunidade de conviver com pessoas e lugares muito simples e observar como vivem em total harmonia com o rústico, agressivo e desafiante meio ambiente.

A culinária local é baseada em pratos com carneiro ou cabrito assado ou cozido, batatas de diferentes tipos, ou mesmo carne de lhama com várias preparações. Deliciosa !

Não vá para lá se você, antes, não:

- estudar, conhecer e ¨decorar¨ muito bem todos os  mapas disponíveis da região,

- se informar, ler e aprender muito sobre a “puna”: seu clima, sua altitude, os costumes de seus habitantes,

- souber navegar muito bem e se localizar por pontos cardeais, bússola e referências geográficas, como lagoas, vulcões, montes, trilhas,  pois, o GPS quase sempre estará fora de rota e sem mapa devido as grandes alterações do terreno e também pela mão das empresas de mineração que fazem prospecção e trabalhos na região, alterando tudo a toda hora,

- levar combustível extra para rodar quase 1.000km sem abastecimento, ou contentar em comprar combustível duvidoso em Tolar Grande e San Antonio,

- levar dois pneus estepes, auxiliares ou contar com muita sorte,

- tiver espírito de aventura e sangue frio,

- estiver bem preparado e for auto suficiente em termos de comida, água, luz, roupas adequadas e itens de sobrevivência  para pelo menos 2 a 4 dias, dependendo do seu trajeto,

- tiver um veículo 4x4 com reduzida em muito bom estado de manutenção, conservação, além de pneus All Terrain e dominar técnicas de condução off-road,

- revisar  e checar todos os dias, antes de sair, seu veículo: você depende dele,

-  tiver alguma experiência em viagens grandes e solitárias,

- quiser ver paisagens maravilhosas e circular por lugares lindíssimos sem nada nem ninguém, parecendo estar noutro planeta,

- quiser transitar por péssimos caminhos, trilhas, salares, pedras, areia, terras coloridas, atravessar rios e  cursos dágua e conviver com muita poeira,

- quiser enfrentar um clima instável de deserto, que pode ser quente de dia e gelado à noite, com rajadas de ventos fortes  e instáveis,

- tiver uma boa companhia ou não souber conviver só com você mesmo,

- falar e entender alguma coisa em um bom “portuñol”,

- aceitar o que vier, com muita paciência e bom humor,

No mais, ... é só relaxar e curtir a “puna”. 

APAIXONEI   !!!                         Até breve  !!!








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