Cachoeiras, nascentes e cavernas de Goiás - Centro Oeste,

Saída dia 5 de Julho, chegada em casa dia 22 de Julhode 2012.

Resumo dos 16 dias de viagem por Goiás.

Deslocamento total, ida e volta = 2400 km.

Passeio = 1400 km (a maior parte off-road com algumas trilhas).

Cachoeiras = 20 diferentes

Banhos de rio = 3 (com direito a repetições)

Nascentes = 2

Cavernas = 1 (a mais bonita do Terra Ronca, São Mateus)

Acampamentos em campings = 5 noites, sendo uma em uma praia de areias brancas em frente a uma cachoeira. Todos com um local ao lado para dar um mergulho.

Hóteis - 2 (ida e volta, Uberlândia e Catalão) mais um em Niquelândia e um em Iaciara (esse cobrava R$ 30,00 por pessoa com um bom café da manhã e ar-condicionado).

Hospedagem na casa de amigo = 3 noites.

Pousadas - 5 noites, sendo três na Aldeia Cayana em Cavalcante e duas na Pousada São Mateus no Terra Ronca. Ambas banhadas por rios transparentes onde se pode nadar.

Comida caipira = Fazenda Mirante, Dona Maria e nos Kalungas. Não dava para comer um prato só, tinha que repetir até sentir a barriga estourando de cheia.

 

A idéia original dessa viagem era andar de forma bastante tranquila e relaxada entre Pirenópolis e a região em torno do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, buscando as cachoeiras, os rios e chegando às cavernas do Terra Ronca. Tudo isso no estado de Goiás. 

Saimos de casa no dia 5 de Julho à tarde, dormimos em Uberlândia e nos encontramos com o Alfonse em Pirenópolis, no dia 6, no camping Sombra do Bambú.

Começamos a viagem propriamente dita em Pirenópolis, onde ficamos por quase 4 dias. Acampamos no "Camping Sombra do Bambu", às margens do rio das Almas, antes deste atravessar a cidade e debaixo da sombra de frondosas árvores, ao som das águas e com a possibilidade de nadar no rio, comer um café da manhã ou uma refeição preparada pela Bete.

Em Pirenópolis conhecemos a cidade, o Museu Rodas do Passado -  um acervo de bicicletas e motocicletas antigas  -  monumentos históricos, o empadão goiano, pastel de guariroba (ou “gueiroba”) e uma cachoeira, a do Coqueiro, no Parque Estadual dos Pirineus.

E nos encontramos com o nosso amigo Neto  -  instrutor do "Land Rover Experience"  -  que participava de um evento na cidade.

Resultado: muita prosa, comida boa, passeios por cachoeiras e pela bela cidade colonial de Pirenópolis.

Deixamos Pirenópolis na manhã de segunda-feira, 09/07, rumo ao mosteiro Zen Budista que há na região, a 40 quilômetros ao norte da cidade. Depois de percorrer uma bela estrada de terra chegamos às terras do mosteiro e percorremos a pé a trilha das cachoeiras dos Dragões, que são 8 no total, numa região conhecida também como Várzea do Lobo. Começamos pela 8ª cachoeira, a Dragão Rei, melhor para o banho, e depois caminhamos umas 3 horas parando para tomar banho nas outras cachoeiras. Depois voltamos para a estrada de asfalto e tomamos o rumo dos distritos de Placas e dali, por terra, para Lagolândia (ainda no município de Pirenópolis) e por fim chegamos à "Lagoa Azul", próxima à Vila Propício-GO.

A Lagoa Azul é uma enorme nascente, de águas cristalinas e ótimas para o banho. É possível fazer flutuação, apesar de não haverem peixes grandes. O lugar é um aquário, de tão limpo e transparente. Acampamos por ali e na manhã seguinte ficamos nadando e brincando naquelas águas cristalinas. Lá pelas 12 horas da terça-feira, 10/07, seguimos para Niquelândia parando no povoado de Dois Irmãos para comer.

Em Niquelândia esperávamos dormir à beira da represa, mas fomos frustrados pela ganância do pessoal que aluga alojamentos na represa. Voltamos para a cidade e dormimos no melhor hotel de Niquelândia pelo mesmo preço que queriam cobrar por um barraco na beira da represa. Por lá, tivemos a grata satisfação de encontrar no restaurante "Raja Gaúcha", uma deliciosa cerveja Irish Red, que nos acompanhou enquanto degustamos o prato principal: tucunaré frito.

Na manhã de quarta-feira, 11/07, seguimos por estrada de terra para Colinas do Sul, onde, por recomendação do Edir (amigo do Marco e da Tércia) paramos na cachoeira das Pedras Bonitas, também conhecida como cachoeira do Togim, para comer um peixe e conhecer a cachoeira. Que conhecer que nada!   Quando vimos a cachoeira da varanda do restaurante, decidimos acampar ali mesmo e ficar por lá enquanto nos desse vontade. A cachoeira das Pedras Bonitas fica numa enseada do rio Tocantinzinho, que tem uma bela praia de areias finas e cheia de árvores; um dos lugares mais bonitos onde já acampamos! No restaurante, os donos servem um tucunaré frito muito bem feito. No entanto, resolvemos comprar uma carne para fazer churrasco à luz das estrelas e na frente daquela paisagem linda. No dia seguinte, 12/07, fomos fazer a trilha a pé ao longo do rio e nadar em uma piscina natural rio acima. Depois da caminhada desarmamos o acampamento, comemos mais um tucunaré frito e retornamos à cidade de Colinas do Sul. Saímos de lá pela estrada para São Jorge, distrito de Alto Paraíso, onde paramos para um café e seguir viagem.

Ao cair da tarde chegamos a Alto Paraíso (terra de muito bicho-grilo) ainda a tempo de admirar o crepúsculo no alto de uma colina em companhia de nosso amigo. Neste lugar, a 1600 m de altitude e a depender do que bebem e ou das ervas que tragam, tem gente que vê disco voador! Jantamos no Jambalaya, um restaurante onde servem uma comida saborosa e bem feita, sem dúvida alguma. Mas não aceitam cartão de crédito e as porções são minimalistas. A comida saborosa é ofuscada pela pouca simpatia da proprietária, pela recusa em aceitar cartões e pela exígua quantidade servida.

Em Alto Paraíso, nos hospedou o Edir, que foi ainda nosso "guia informal" pela região. O caboclo conhece até as pedras do lugar!

Na sexta-feira, 13, saímos cedo rumo ao norte, para conhecer as cachoeiras lá da fazenda do seu Augusto, lugar intocado, de terras e trilhas pouco conhecidas, que ainda não está no roteiro turístico da região. O Alfonse perdeu o fôlego neste dia de caminhada mais puxada, mas as cachoeiras compensaram. Almoçamos na fazenda um almoço bem goiano, feito no fogão a lenha! Simples e farto, como é tradicional nos sertões desta terra! À noite jantamos numa casa de massas. Comida bastante razoável e farta.

No sábado, 14/07, bem cedo fomos à "Feira do Produtor Rural" de Alto Paraíso, onde tomamos nosso café-da-manhã por entre produtores de comidas orgânicas, bichos-grilo, um monte de estrangeiros que esperam o fim do mundo naquela cidade e toda uma fauna estranha e ainda assim interessante, aos olhos do Alfonse (um advogado conservador, mas admirador das belas bicho-grilo do lugar). Depois de nos fartar comendo as quitandas da região, fomos à cachoeira dos Macaquinhos, ao sul de Alto Paraíso, onde depois de alguns quilômetros pela GO-118, rodamos uns 30 quilômetros por boas estradas de terra até onde estacionamos e iniciamos a caminhada rumo às cachoeiras. Aqui pagamos entrada (R$ 15,00 por pessoa), mas valeu a pena! Tomamos banho em 3 dos poços, onde a temperatura das águas é proporcional à temperatura que faz nas terras do norte da antiga Província de Goyaz. Passamos o dia todo caminhando e retornamos à cidade já ao anoitecer indo direto ao restaurante Tapindaré. Lá, por entre comidas naturebas e carnes, fizemos uma ótima e divertida refeição, com mesa farta. Experimentamos um bolo de mandioca recheado com carne. Uma massa macia e de sabor suave, que vale a ida ao restaurante.

No domingo, 15/07, saímos cedo de Alto Paraíso, novamente rumo ao sul, onde depois de 25 quilômetros pela GO-118, entramos à direita (oeste) numa estrada de terra que nos levaria às Cataratas dos Couros. Antes passamos por um assentamento do Incra, onde conhecemos a Dona Maria. Combinamos com ela de voltar para almoçar as 16 horas. A catarata dos Couros é composta de várias quedas d´água e poços de águas cristalinas, como todas as águas naquela região. A diferença é que as águas destas cataratas, ao contrário das agradáveis águas temperadas das outras cachoeiras, são quase mornas. No meio da tarde, tivemos a satisfação de encontrar o Bosco e a Marta que vinham de Campinas-SP, haviam passado a noite em Cristalina, e nos acompanhariam dali em diante. Nós fomos almoçar na Dona Maria e o Alfonse preferiu voltar para a cidade, para saborear uma vez mais os bolinhos de mandioca do Tapindaré. Depois da prosa do final do almoço retornamos para Alto Paraiso, já quase anoitecendo. A Dona Maria havia trabalhado na fazenda da mãe da Tércia em Formosa, GO, e havia muita prosa para botar em dia.

Já no começo da noite abastecemos e tomamos o rumo norte para a cidade de Cavalcante-GO, onde nos hospedamos na Pousada Aldeia Cayana por recomendação do Edir. Antes de chegar na pousada paramos na Cervejaria Aracê, uma cervejaria artesanal tocada por um casal de chilenos, Manolo e Soledad. Além das deliciosas empanadas, tomamos muito chopp escuro e claro, além de deliciosas cervejas artesanais. Chamamos o Alfonse, Bosco e Marta pelo rádio, pois haviam passado direto na cervejaria. Só depois das cervejas é que fomos para a pousada. A Aldeia Cayana é uma agradável pousada situada dentro de uma fazenda, num vale. À nossa disposição, um deck de onde pudemos nadar no rio e, alguns metros rio abaixo uma ótima prainha.

Na segunda-feira, 16/07, depois de passar a manhã aproveitando o rio e o sol, fomos à fazenda Veredas, onde fica o restaurante de mesmo nome e algumas cachoeiras, como a "Toca da Onça" e o "Véu da Noiva". Para chegar mais próximo das cachoeiras subimos uma trilha com todos os cinco na Savana. O Alfonse ficou impressionado com a suspensão Ironman da L 200 Savana do Marco e da Tércia!   Fizemos a trilha 4x4 morro acima e, depois de menos de meia hora de caminhada, alguma dificuldade para descer pelas pedras e algumas picadas de marimbondo, estávamos nadando no poço da "Toca da Onça". Avistamos a "Véu de Noiva" e descemos a colina rumo à L 200 Savana. Dali, no crepúsculo, terminamos de descer a trilha para chegar ao vale da fazenda Veredas, onde nosso jantar estava quase pronto. Depois de descansar na pousada e tomar um bem merecido banho quente, naquela noite que se anunciava fria, fizemos outra "parada estratégica" na Cervejaria Aracê. Algumas empanadas, chopps e cervejas artesanais depois, planejamos o dia seguinte, de visita à terra dos Kalungas - os quilombolas (autênticos) que vivem na região.

Na manhã de terça-feira, 17/07, depois de mais um farto café da manhã, partimos em direção às terras dos Kalungas. Passamos pela cidade de Cavalcante e daí a uns 30 km em boa estrada de terra chegamos ao povoado chamado Engenho. Como é costume, nos apresentamos e solicitamos um guia, Seu Francisco - ótimo guia: calado e sério, que só responde o que lhe é perguntado e conhece a história daquele antigo quilombo e de seus habitantes. Ao contrário de "uns e outros" por aí, que de forma oportunista se denominam guias, este realmente nos guiou pelas terras onde nasceu e que conhece bem. Também aproveitamos para deixar combinado o almoço com a Dona Getúlia, esposa do líder da comunidade e excelente cozinheira. Depois de uma breve trilha 4x4 e uma pequena caminhada, chegamos na cachoeira de Santa Bárbara, uma das mais belas de Goyaz com suas águas de um azul turquesa fascinante. Ficamos ali desde o final da manhã até às 3 da tarde, quando retornamos ao povoado para nos fartar com um almoço caipira, farto e saboroso. Logo depois do almoço, ao invés de simplesmente subirmos nas caminhonetes para percorrer a estrada de terra que leva à trilha que termina num trekking pelas pedras até à cachoeira, decidimos fazer uma leve caminhada de meia hora até a cachoeira da Capivara. Esta cachoeira é composta por duas quedas d’água e fica no fundo de um pequeno vale. Para "completar o dia", ao sair da água o Alfonse teve os seus braços tomados por minúsculas sanguessugas que estavam numa pedra ao lado da cachoeira, onde ele se segurou e que o guia Francisco chama de "chamichuga", usando uma das palavras que os Kalungas tem em seu vocabulário próprio, de gente que passou mais de um século isolado naqueles rincões e que há pouco tempo vieram a ter contato mais intenso com os brancos ou com gente estranha aos seus povoados.

À noite, sem a companhia do Bosco que foi dormir mais cedo, nos reunimos no deck do rio para tomar um vinho e admirar o céu do Planalto Central refletido nas águas que lá embaixo corriam lenta e calmamente, quase paradas como numa enseada.   Abrimos uma garrafa de vinho e brindamos àqueles dias, iniciando ali a despedida do Alfonse que iniciaria o seu retorno no dia seguinte.

Na manhã de quarta-feira, 18/07, tomamos mais um farto café da manhã, com direito a tapioca, cookies, mel, coalhada, sanduíche e pães de queijo, além de leite e sucos, naquela que seria nossa refeição de despedida.O Edir também apareceu para se despedir, pois ele é o farmacêutico responsável pela única farmácia de Cavalcante.

Daí a pouco, fomos ao rio pela última vez para tomar sol, conversar, nadar até à prainha e curtir mais um pouco aquelas águas. Organizamos as coisas nas viaturas e partimos rumo à cidade de Teresina, para abastecer e finalmente tomar rumos diferentes. Nós, Marco e Tércia, na companhia do Bosco e da Marta nas L 200 Savana fomos para Nova Roma, passando por estradas de terra "perdidas" por entre serras no interior de Goyaz, enquanto o Alfonse, à bordo da LR Defender, retornava a Goiânia passando por Alto Paraíso para buscar um cachorro de rua que vira dias antes, em volta do restaurante Tapindaré!

Saímos de Teresina de Goiás e pegamos uma estrada de terra à direita, depois do cemitério. Fomos seguindo o traçado no mapa do tracksource em direção a Nova Roma. Passamos por algumas fazendas, cruzamos uma ponte muito bem feita, de concreto e madeira e seguimos em frente. A estrada foi ficando estreita e virando uma trilha. Como o desenho do tracksource coincidia com o caminho e um motorista de caminhão nos havia dito que dava para passar, seguimos em frente. Fomos seguindo, cruzando rios, curtindo a paisagem e parando de vez em quando para conferir o caminho em alguma encruzilhada. Lá pelas tantas, depois de cruzar um rio, paramos para consertar o pneu traseiro da camionete do Bosco, usando o remendo macarrão e o compressor que temos sempre conosco. Depois de alguns erros e acertos achamos um vaqueiro que nos confirmou o caminho, pois o dono da fazenda costumava passar por ali com a camionete dele. No final da tarde chegamos a Nova Roma, mas decidimos seguir para Iaciara pois ali não havia hotel para pernoitarmos. Em Iaciara encontramos um bom hotel, abastecimento e comida farta.

Na quinta, 19/7, seguimos de Iaciara para Posse e depois para o Parque Estadual do Terra Ronca. Depois de entrar no parque paramos na caverna que dá nome ao parque; uma enorme boca por onde entra o rio que cavou a caverna. Entramos nela até onde se podia ir no seco, e nos maravilhamos com a beleza do lugar. Tiramos muitas fotos e depois seguimos para a pousada sugerida pelo Engels, Pousada São Mateus. Uma pousada agradável, com boa comida e pessoas simpáticas. Além disso, tem um riozinho de águas cristalinas, bom para tomar um banho no final da tarde. O jantar foi excelente.

Na sexta, dia 20/7, combinamos com um guia para ir a caverna São Mateus, considerada a mais bonita da região. Depois de um excelente café da manhã saímos levando o guia em uma das camionetes. Andamos uns 15 km em caminhos de terra e mais uns 2 km a pé a até a entrada da caverna. Na verdade, a entrada é um buraco com uns 50 cm de diâmetro. Lá dentro há salões imensos cheios de estalactites e estalagmites reluzentes, uma maravilha. Ao fundo se ouve o ronco do rio subterrâneo. Ficamos umas 5 horas dentro da caverna e depois retornamos para deixar o guia na pousada. Feito isso seguimos para a cachoeira das Palmeiras para tomar mais um banho de cachoeira no final do dia. Retornando a pousada nos esperava mais um ótimo jantar. A noite ainda fomos curtir o céu estrelado daquela noite sem Lua.

O sábado, dia 21, foi o dia da segunda despedida: Bosco e Marta seguiram para o norte, rumo ao Jalapão e nós para o sul, começando a retornar para casa. Seguimos até a BR-020 e a tomamos no rumo sul. Depois de Formosa pegamos uma estrada que contorna Brasília e chega a Cristalina. Lá abastecemos e continuamos até Catalão. Jantamos e pernoitamos em Catalão. No dia seguinte pegamos a estrada e chegamos em casa lá pelas 16 horas. Era o final de um passeio maravilhoso que nos fez sonhar durante muitas noites com as maravilhosas trilhas, cachoeiras e rios de Goiás compartilhados com os amigos.

Escrito a 6 mãos  -  por ordem alfabética:

Alfonse Leite

Marco-Aurelio De Paoli

Tércia Pilomia






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